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Briefing: Pressões externas, energia mais cara e impasses fiscais desafiam cenário econômico

Fonte: obrasilianista.com.br | Data: 18/03/2026 08:40:52

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Por
Nathalia Kuhl

| 18 de março de 2026

O cenário econômico brasileiro enfrenta uma combinação de pressões internas e externas que podem afetar inflação, juros e o equilíbrio das contas públicas. A escalada do preço do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio, a previsão de aumento nas tarifas de energia e impasses fiscais para os próximos anos colocam o governo e as autoridades econômicas diante de decisões delicadas. Ao mesmo tempo, medidas emergenciais para conter a volatilidade no mercado e discussões sobre o preço do diesel indicam que a conjuntura econômica tende a permanecer instável nos próximos meses.

A projeção de aumento nas tarifas de energia elétrica é um dos fatores que devem pressionar o custo de vida em 2026. Segundo estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as contas de luz podem subir, em média, 8% neste ano, percentual que representa quase o dobro da inflação oficial prevista, estimada em 3,9%. A principal razão para o aumento está no crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios e políticas públicas do setor elétrico e cujo orçamento previsto chega a R$ 52,7 bilhões, conforme informações do Valor Econômico.

Banco Central

Ao mesmo tempo, o ambiente internacional adiciona novas incertezas à política monetária brasileira. O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles avaliou que o conflito envolvendo o Irã tem elevado o grau de imprevisibilidade para a decisão sobre a taxa básica de juros. Segundo ele, uma alta no preço do petróleo pode pressionar a inflação global ao encarecer o transporte e outros custos da economia, cenário que dificulta prever se o Banco Central optará por um corte de juros ou adotará postura mais cautelosa, conforme relatado pela Folha de S.Paulo.

A turbulência internacional também já provocou reação do governo no mercado financeiro. O Tesouro Nacional realizou duas recompras de títulos públicos para conter a escalada das taxas de juros futuros, movimento que ganhou força após a disparada do petróleo. As intervenções somaram R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, superando, em termos nominais, a atuação registrada em 2020 durante a fase mais aguda da pandemia de Covid-19. O objetivo foi reduzir a volatilidade que influencia as expectativas para a taxa Selic, referência para financiamentos e empréstimos no país, segundo a Folha.

No campo fiscal, um novo impasse também preocupa a equipe econômica. Divergências sobre a interpretação das regras para pagamento de precatórios podem abrir um rombo nas metas fiscais a partir de 2027. Dependendo do entendimento adotado sobre o quanto dessas despesas será considerado no resultado primário, o governo pode precisar de até R$ 44 bilhões em receitas adicionais para alcançar a meta de superávit de 0,5% do PIB, informou a Folha de S.Paulo.

Diesel

Enquanto isso, a escalada no preço do diesel amplia a pressão sobre o governo. O Ministério da Fazenda convocou uma reunião com os estados, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), para discutir uma possível redução temporária do ICMS sobre o combustível. A proposta busca aliviar o impacto da alta internacional do petróleo sobre o transporte e a inflação, segundo a Folha.

A iniciativa, porém, enfrenta resistência dos estados. Secretários estaduais de Fazenda afirmaram que não pretendem reduzir o imposto e argumentaram que as unidades da federação já tiveram perdas significativas após cortes anteriores no tributo. Em nota conjunta, os estados disseram que não consideram razoável assumir novamente o principal custo de uma política de contenção de preços, também de acordo com a Folha.

A tensão em torno do preço do diesel ocorre em paralelo à articulação de uma possível paralisação nacional de caminhoneiros. Lideranças da categoria afirmam que a mobilização envolve motoristas autônomos e empregados de transportadoras e que já houve deliberação favorável à greve, embora ainda não exista data definida para a paralisação, informou a Folha de S.Paulo.

Mercosul-UE

Em meio a esse cenário de incertezas, o Congresso também avançou em uma pauta estratégica para o comércio exterior. Parlamentares promulgaram o decreto legislativo que ratifica o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, considerado o maior tratado comercial já negociado pelo bloco sul-americano. A expectativa do governo é que a vigência provisória comece em maio, ampliando oportunidades de exportação e integração econômica, segundo a Folha.

Bancos

No setor financeiro, outras frentes também chamaram atenção. O Banco de Brasília (BRB) cancelou a assembleia que discutiria aumento de capital após questionamentos sobre ativos recebidos em substituição a carteiras de crédito suspeitas de fraude. O banco precisa apresentar ao Banco Central uma solução até o fim de março para evitar possíveis sanções, informou O Globo. Em decisão relacionada ao caso, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal suspendeu uma liminar que impedia o governo local de aplicar a lei aprovada para socorrer a instituição.

Já no campo do financiamento ao desenvolvimento, o BNDES divulgou resultado recorde em 2025, com lucro recorrente de R$ 15,2 bilhões e R$ 366 bilhões em aprovações de crédito, o maior volume da história do banco. O desempenho reflete a ampliação do financiamento a investimentos e a recuperação da carteira de ativos, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.

Foto de Nathalia Kuhl


Nathalia Kuhl


Formada em jornalismo pelo UniCeub e em Ciências Políticas. Atuou como repórter na TV Cultura, Record, Metrópoles e R7. Atualmente, na Arko Advice cobre Congresso Nacional. Vencedora do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar e do Expocom/Intercom Centro-Oeste. Também conquistou lugar no Prêmio Paulo Freire de Jornalismo.