Ex-sócio do Master: Empresário baiano Augusto Lima não deve fazer delação premiada apesar de temor do Planalto, diz
Fonte: bahianoticias.com.br | Data: 18/03/2026 10:10:58
A possibilidade de uma delação premiada envolvendo o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, não deve se concretizar neste momento, segundo informações de bastidores. O cenário reduz a apreensão de interlocutores do Palácio do Planalto em relação ao caso.
De acordo com relatos, não está nos planos de Lima adotar a mesma estratégia que Vorcaro, que avalia colaborar com as investigações. A defesa do empresário sustenta que sua atuação ocorreu dentro da legalidade e destaca que ele se afastou do banco antes do agravamento da crise envolvendo a instituição. As informações são do colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
Responsável pela defesa, o escritório Figueiredo & Velloso Advogados, com atuação em casos ligados a operações da Polícia Federal desde 2010, não costuma utilizar o instrumento de delação premiada, conforme interlocutores. O sócio Pedro Ivo Velloso conduz o caso e avalia que a situação de Lima difere da de Vorcaro.
Segundo pessoas próximas, a relação entre os dois nunca foi próxima. Interlocutores afirmaram à CNN Brasil que o próprio Lima solicitou sua saída da sociedade no Banco Master, em maio de 2024, após tomar conhecimento, por terceiros, de negócios conduzidos por Vorcaro.
Ainda conforme esses relatos, o estilo de atuação de Vorcaro também gerava desconforto. Lima é descrito como discreto e teria assumido o controle do banco Voiter, posteriormente rebatizado como Banco Pleno, que acabou sendo liquidado pelo Banco Central.
A estratégia jurídica adotada pela defesa de Lima é reforçar o desligamento da sociedade com o Banco Master como elemento central, ocorrido cerca de um ano antes da tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
Entre os envolvidos no caso, Lima é apontado como o que possui maior proximidade com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Essa relação teria se iniciado em 2018, durante a gestão de Jaques Wagner à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo de Rui Costa.
Naquele período, Lima venceu a licitação para aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e criou o CredCesta, cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.
O modelo foi posteriormente replicado em outros estados. Em 2020, Lima ingressou na sociedade do Banco Master levando o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos da instituição.