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Emissões caem em 2024, mas meta climática segue em risco

Fonte: businessmoment.com.br | Data: 18/03/2026 14:50:50

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As emissões de gases de efeito estufa no Brasil registraram queda significativa em 2024, mas o avanço ainda não garante o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo país.

De acordo com dados do Observatório do Clima, as emissões brutas totalizaram 2,145 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que representa uma redução de 16,7% em relação a 2023, quando o volume chegou a 2,576 bilhões de toneladas. Trata-se da segunda maior queda da série histórica iniciada em 1990.

A redução foi influenciada principalmente pela diminuição do desmatamento, especialmente nos biomas Amazônia e Cerrado, que historicamente concentram grande parte das emissões brasileiras. Ainda assim, outros fatores continuam pressionando os indicadores ambientais.

No setor de energia, por exemplo, foram emitidas 424 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, resultado da queima de combustíveis fósseis em atividades industriais, transporte e geração de energia. Já os processos industriais e o uso de produtos responderam por 94 milhões de toneladas, enquanto o setor de resíduos somou 96 milhões de toneladas.

Incêndios e uso da terra mantêm pressão sobre metas

Apesar da redução geral, o cenário permanece desafiador devido ao impacto de fatores estruturais, como queimadas e mudanças no uso da terra. Em 2024, as emissões associadas a incêndios florestais atingiram níveis elevados, o que compromete parte dos ganhos obtidos com a queda do desmatamento.

Estados da região amazônica continuam entre os maiores emissores do país, com destaque para Pará, Mato Grosso e Minas Gerais em volume absoluto. Em alguns casos, as emissões per capita superam as registradas em países desenvolvidos, reflexo da combinação entre baixa densidade populacional e alta emissão associada ao uso da terra.

O desempenho recente, embora relevante, ainda é considerado insuficiente para garantir o cumprimento das metas climáticas brasileiras, que preveem cortes mais amplos nas emissões nos próximos anos. O país estabeleceu o compromisso de reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, em relação aos níveis de 2005.

Especialistas apontam que, para alcançar esses objetivos, será necessário avançar de forma consistente na redução do desmatamento ilegal, no controle de incêndios e na transição para fontes de energia de baixo carbono.

A trajetória atual indica progresso, mas reforça que a consolidação das metas climáticas dependerá da continuidade das políticas ambientais e da capacidade de implementação de medidas estruturais no longo prazo.