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Nordeste reúne 51 vencedores em leilão bilionário de potência; AL lidera região

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 18/03/2026 18:46:15

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Leilão de Reserva de Capacidade
Leilão contratou quase 19 MV de potência e os 100 empreendimentos contratados podem movimentar até R$ 64 bilhões em investimentos. Foto: Agência Brasil

O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), realizado nesta quarta-feira (18) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), terminou com 100 empreendimentos vencedores e investimentos superiores a R$ 64 bilhões, segundo resultado provisório divulgado após a sessão. No recorte regional, o Nordeste concentrou 51 empreendimentos listados entre os vencedores, com Alagoas na liderança, somando 12 projetos.

Segundo dados divulgados pela CCEE, o certame, que contratou usinas hidrelétricas e termelétricas a gás natural e carvão, registrou preço médio de R$ 2,334 milhões por MW ao ano e receita fixa anual de R$ 38,9 bilhões. Os números ainda são preliminares e poderão ser alterados no processo de habilitação a ser concluído pela Aneel.

O primeiro dos dois leilões previstos para esta semana buscou contratar potência para reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), em um contexto de avanço de fontes renováveis, como eólica e solar, cuja geração é variável e exige usinas capazes de responder com rapidez em momentos de maior demanda ou menor oferta de energia. Os produtos contratados se estendem até 2030.

Na avaliação do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, o certame “contrata 19 GW de potência” e garante “segurança, resiliência, confiabilidade para os próximos anos” ao sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, os 100 empreendimentos contratados podem movimentar até R$ 64 bilhões em investimentos nos próximos anos.

No plano nacional, o resultado provisório do leilão aponta potência instalada de 29.659,931 MW e potência contratada de 18.977,158 MW, com deságio médio de 5,52% em relação aos valores de referência. O balanço também mostra economia estimada de R$ 33,643 bilhões e indica que um dos produtos ofertados, o POTT-2030, terminou sem negociação.

Ataíde também afirmou que o leilão permitiu a recontratação do parque termelétrico existente sob uma nova lógica, com ganhos de eficiência e menor custo ao consumidor. “A gente passa a ter um parque muito mais eficiente, muito mais econômico para o consumidor de energia elétrica”, disse.

Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, o resultado marca “um passo no desenvolvimento do mercado de capacidade” no país. Ele afirmou ainda que os novos projetos termelétricos contratados já entram no sistema com maior flexibilidade operacional, em linha com a necessidade de dar suporte ao avanço das fontes renováveis.

Nordeste concentra 51 empreendimentos em leilão

No recorte regional, o Nordeste apareceu com 51 empreendimentos listados no resultado provisório, distribuídos por nove estados. Além de Alagoas, que liderou a região em número de projetos, também tiveram presença relevante Bahia, com nove empreendimentos, Pernambuco, com oito, e Ceará, com sete. Sergipe, Maranhão e Piauí aparecem com quatro projetos cada um, enquanto Paraíba teve dois e o Rio Grande do Norte, um.

Alagoas liderou o Nordeste com 12 empreendimentos listados no resultado provisório, concentrados sobretudo nos produtos 2028 e 2029. Entre os projetos associados ao estado aparecem Pilar, Pilar Nova, Pilar I, Pilar II, Pilar III, Pilar IV e Pilar V, além de Manguaba I, II, III, IV e V, vinculados aos grupos FP e Origem Energia.

A Origem já havia anunciado que pretende investir em termelétricas em Alagoas até 2030, como parte do projeto que inclui ainda a operação de Estocagem Subterrânea de Gás Natural, totalizando algo entre US$ 700 milhões em investimentos.

Em entrevista ao Movimento Econômico, a diretora de comercialização da Origem Energia, Flávia Barros, explicou que as usinas fazem parte da estratégia da empresa de ampliar o uso do gás natural produzido em seus ativos no estado, integrando geração elétrica, produção onshore e projetos de estocagem subterrânea.

Já na Bahia, o resultado provisório reuniu nove empreendimentos, entre eles Biribeira I, Corcovado 03, 04, 05 e 06, além de Apoena V2 e SFE Guarani V2. Pernambuco apareceu com oito projetos, incluindo Monte Fuji M1, Frevo, Suape IV B, Termocabo Gás, Tacaimbó, Tacaimbó 1 2B e a UHE Luiz Gonzaga UG 09.

O Ceará somou sete empreendimentos listados, com destaque para Porto do Pecém I e II, Termoceará, Aracati e os projetos Jandaia I, II e III. Já Sergipe apareceu com quatro projetos, incluindo Porto de Sergipe III, IV e V, além de Sergipe V. O Maranhão também teve quatro empreendimentos, entre eles Maranhão IV, Maranhão V, Santa Clara e Porto do Itaqui.

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