Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Citrosuco conquista selo Ouro da EcoVadis pelo segundo ano e mostra como ESG virou estratégia de negócio

Fonte: ecoaliza.com.br | Data: 19/03/2026 23:21:17

🔗 Ler matéria original

Uma empresa brasileira no topo do ranking global de sustentabilidade

A Citrosuco, maior exportadora de suco de laranja do mundo, conquistou pela segunda vez consecutiva o selo Ouro da EcoVadis, uma das plataformas de avaliação de desempenho em sustentabilidade mais respeitadas do mundo. A pontuação coloca a empresa entre os 5% melhores do seu setor na avaliação global, um resultado que vai muito além de um troféu na prateleira.

Para quem não conhece a EcoVadis: imagine uma auditoria independente que analisa como uma empresa cuida do meio ambiente, trata seus funcionários, age com ética nos negócios e gerencia sua cadeia de fornecedores. É exatamente isso que a plataforma faz, avaliando mais de 130 mil empresas em todo o mundo. Receber o Ouro significa estar entre os melhores dessa lista enorme.

Mas o que exatamente a Citrosuco fez para chegar lá? E por que isso importa para o Brasil e para o futuro do agronegócio sustentável?

O que a EcoVadis avalia e por que o Ouro é tão difícil

A metodologia da EcoVadis analisa quatro grandes pilares: meio ambiente, condições de trabalho e direitos humanos, ética empresarial e compras sustentáveis. Cada um desses blocos recebe uma nota, e a média final determina o nível da medalha, que pode ser Bronze, Prata, Ouro ou Platina.

Chegar ao Ouro exige consistência. Não basta ter um projeto bonito de reflorestamento ou uma campanha de comunicação bem feita. A plataforma quer ver políticas documentadas, metas mensuráveis, dados reais e evidências de que as práticas sustentáveis estão enraizadas no dia a dia da operação.

Por isso, manter o Ouro pelo segundo ano seguido é ainda mais significativo do que conquistá-lo pela primeira vez. Significa que a empresa não parou no tempo e continua evoluindo.

A empresa, que processa laranjas principalmente no interior de São Paulo e exporta suco para mais de 60 países, estruturou sua agenda ESG em torno de três grandes compromissos: descarbonização da operação, gestão responsável da água e fortalecimento da cadeia produtiva com foco em pequenos e médios produtores rurais.

Clima e emissões

No campo ambiental, a Citrosuco trabalha com metas de redução de emissões de gases de efeito estufa alinhadas à ciência climática. A empresa investe em eficiência energética em suas plantas industriais e estuda caminhos para ampliar o uso de energia renovável em sua matriz. O bagaço da laranja, por exemplo, já é aproveitado para geração de energia nas próprias fábricas, reduzindo a dependência de fontes externas e o descarte de resíduos.

Água: o recurso mais valioso do agronegócio

Produzir suco de laranja em escala industrial exige grandes volumes de água. Consciente disso, a empresa mantém programas de reuso e monitoramento hídrico em suas unidades. A meta é reduzir progressivamente o consumo por tonelada de fruta processada, um indicador que demonstra eficiência real, não apenas volume absoluto.

Cadeia produtiva e os produtores rurais

Um ponto que chama atenção na avaliação da EcoVadis é o pilar de compras sustentáveis. A Citrosuco trabalha com milhares de produtores rurais que fornecem a matéria-prima, a laranja. A empresa desenvolve programas de capacitação e boas práticas agrícolas junto a esses fornecedores, o que faz com que o impacto positivo vá muito além dos portões das fábricas.

Isso é o que o mercado chama de ESG na cadeia de valor, ou seja, garantir que os padrões sociais e ambientais se estendam para quem está antes e depois da empresa no processo produtivo.

Por que o mercado internacional exige esse tipo de certificação

Não é por acaso que a Citrosuco investe tanto nessa agenda. O mercado europeu, principal destino do suco de laranja brasileiro, está cada vez mais exigente. Regulações como o Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR) e as novas diretrizes de due diligence ambiental da União Europeia criam barreiras reais para empresas que não conseguem comprovar suas práticas sustentáveis com dados verificáveis.

Em outras palavras, ter o selo Ouro da EcoVadis não é só uma questão de reputação. É um passaporte para continuar exportando, fechar contratos com grandes redes de supermercados e acessar linhas de crédito com condições melhores junto a bancos que já precificam o risco ESG.

Para o Brasil, que é o maior produtor mundial de suco de laranja e depende fortemente do mercado externo, essa realidade é urgente. Empresas que não se adaptarem vão perder espaço para concorrentes de outros países que já entenderam as regras do jogo.

O que essa conquista ensina para outras empresas do agronegócio

A trajetória da Citrosuco traz lições valiosas para qualquer empresa, grande ou pequena, que queira transformar sustentabilidade em vantagem competitiva de verdade.

A primeira lição é a de que ESG precisa estar na estratégia central do negócio, não apenas no relatório anual de responsabilidade social. Quando a gestão de carbono, a eficiência hídrica e o relacionamento com fornecedores fazem parte das metas de desempenho da empresa, os resultados aparecem.

A segunda lição é sobre transparência. Plataformas como a EcoVadis existem justamente porque o mercado não aceita mais discurso sem evidências. Ter dados, manter registros e abrir essas informações para auditores independentes é o que separa quem pratica ESG de quem apenas fala sobre ele.

A terceira lição é sobre continuidade. Sustentabilidade não tem linha de chegada. Manter o Ouro exige revisão constante de processos, atualização de metas e disposição para melhorar mesmo quando os resultados já são bons.

Um sinal positivo para o agronegócio brasileiro

O caso da Citrosuco é um exemplo concreto de que o agronegócio brasileiro tem capacidade de competir no mais alto nível de exigência global quando decide levar a sério sua agenda ambiental e social.

Em um momento em que o Brasil está em evidência nas discussões climáticas internacionais e em que o setor produtivo é frequentemente colocado no centro do debate sobre desmatamento e uso de recursos naturais, histórias como essa importam muito.

Elas mostram que é possível produzir em escala, exportar para o mundo inteiro e ainda assim cuidar do planeta. Não como contraposição ao crescimento econômico, mas como parte dele.

A sustentabilidade que gera resultado financeiro, abre mercados e atrai investidores é a que vai durar. E a Citrosuco está construindo exatamente esse caminho, uma laranja de cada vez.

Como acompanhar empresas que evoluem no ESG

Se você quer saber quais empresas brasileiras estão avançando de verdade na agenda ESG, vale acompanhar plataformas como a própria EcoVadis, além dos relatórios de sustentabilidade publicados anualmente pelas companhias. Esses documentos, quando bem elaborados, são fontes ricas de informação sobre metas, resultados e compromissos futuros.

Aqui na Ecoaliza, continuamos de olho nas empresas que estão colocando a sustentabilidade no centro das suas decisões e trazendo os cases mais relevantes para você acompanhar de perto.