Empresa ligada a réu por estelionato recebeu R$ 126 milhões do Master
Fonte: brasil247.com | Data: 24/04/2026 06:26:12
247 – Uma empresa pouco conhecida, sediada no centro do Rio de Janeiro, recebeu ao menos R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, em operações classificadas como pagamento por prestação de serviços. O volume financeiro chama atenção por envolver a Midias Promotora LTDA, cujo sócio-administrador, Gilson Bahia Vasconcelos, responde a processo por estelionato e já foi beneficiário do auxílio emergencial durante a pandemia, informa a Folha de São Paulo. As informações foram reveladas em levantamento com base em dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado.
Acusações de fraude contra aposentados
Gilson Bahia Vasconcelos é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes de um suposto esquema que teria fraudado aposentados e pensionistas do INSS, em sua maioria idosos. Segundo a denúncia, o grupo utilizava um programa chamado Vanguard para acessar dados das vítimas.
De acordo com a investigação, operadores de call center entravam em contato oferecendo cartões de desconto e solicitavam encontros presenciais para fotografia. Sem saber, as vítimas cediam suas imagens para sistemas de reconhecimento facial, que eram utilizados para contratar empréstimos consignados em seus nomes. Os valores obtidos, conforme o Ministério Público, eram desviados.
Ainda segundo a acusação, o esquema contava com dezenas de funcionários, incentivados por bonificações e prêmios como serviços estéticos para ampliar o número de vítimas.
Pagamentos e inconsistências financeiras
Os valores pagos pelo Banco Master à Midias Promotora superam outros contratos relevantes, incluindo um repasse de R$ 80 milhões a um escritório de advocacia. Em 2024, ano em que a empresa recebeu cerca de R$ 96 milhões, Bahia Vasconcelos chegou a ficar preso preventivamente por quase um mês em decorrência do processo relacionado ao esquema.
Apesar do volume milionário, os dados cadastrais da empresa e de seu sócio levantam questionamentos. A Midias foi aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão, mesmo ano em que Bahia Vasconcelos recebeu R$ 3 mil de auxílio emergencial. Atualmente, a empresa acumula dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União por não pagamento de impostos.
Outras ações judiciais
Além do processo criminal, Bahia Vasconcelos também é citado em ações civis movidas por supostas vítimas de fraudes envolvendo crédito consignado. Em um dos casos, uma pensionista afirma ter depositado cerca de R$ 47 mil ao empresário após contratar um empréstimo, sem receber os valores prometidos.
Em outra ação, um militar da Marinha relata ter sido alvo de um esquema em que empréstimos foram realizados sem consentimento após promessa de quitação de dívidas. Bahia Vasconcelos foi posteriormente excluído desse processo por questões de competência da Justiça Federal.
Defesa nega irregularidades
Em nota, o advogado de Bahia Vasconcelos afirmou que o cliente não integra o quadro societário da empresa envolvida no caso do call center que motivou sua prisão. Também declarou que ele responde ao processo em liberdade, cumprindo medidas cautelares.
“O processo sequer teve audiência marcada, ou seja, ainda nem foi submetido ao Poder Judiciário, sendo, portanto, prematura qualquer conclusão que seja diversa do estado de inocência do senhor Gilson”, afirmou a defesa.
Sobre a Midias Promotora LTDA, o advogado declarou que todas as movimentações financeiras ocorrem dentro da legalidade. “A companhia reitera seu compromisso com a integridade e permanece à disposição para eventuais esclarecimentos técnicos”, completou.
Até o momento, o Banco Master não detalhou quais serviços justificariam os pagamentos realizados nem informou se houve análise prévia do histórico do prestador.