PF amplia investigação no BRB e inclui 12 envolvidos em negócios bilionários com Banco Master
Fonte: goias246.com.br | Data: 08/05/2026 07:14:58
O GLOBO
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A Polícia Federal ampliou o inquérito que investiga suposta gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB) e passou a apurar a atuação de 12 pessoas ligadas aos negócios realizados entre o banco e o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Os novos investigados participaram de operações relacionadas à tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB, além de integrarem grupos responsáveis pela aquisição de carteiras de crédito da instituição financeira.
Segundo as apurações, estão na lista ex-integrantes da diretoria do BRB, servidores e executivos do mercado financeiro que participaram das análises e pareceres envolvendo as operações com o banco de Vorcaro.
Os nomes aparecem na auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer em conjunto com a consultoria Kroll. O relatório foi entregue à Polícia Federal pela atual direção do BRB em abril.
A primeira fase da auditoria já havia resultado, em janeiro, na abertura do inquérito que culminou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, no mês passado.
As investigações apontam suspeitas de cobrança de propina em imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões para facilitar negócios envolvendo Daniel Vorcaro. A PF tenta identificar se integrantes da antiga diretoria emitiram pareceres favoráveis em troca de vantagens indevidas.
Em nota, o BRB informou que adotará “todas as medidas relacionadas à plena elucidação de fatos que indiquem descumprimento funcional por parte de empregados e ex-dirigentes”, acrescentando que os casos poderão resultar na abertura de procedimentos disciplinares pela corregedoria da instituição.
O banco também afirmou que poderá buscar reparação civil em situações que tenham causado prejuízo financeiro à instituição.
A auditoria identificou duas operações de aumento de capital realizadas entre 2024 e 2025 que, segundo os auditores, teriam sido feitas com o “claro intuito de permitir” a compra de carteiras de crédito do Banco Master classificadas como ativos problemáticos.
O relatório afirma ainda que investigados da Operação Compliance Zero passaram a integrar o capital social do BRB “por meio de estruturas pulverizadas e fundos de investimentos”, utilizando interpostas pessoas e laranjas para dificultar o rastreamento pelos órgãos reguladores.
Segundo os auditores, as operações ocorreram em paralelo à deterioração da qualidade dos ativos adquiridos pelo banco estatal.
O documento também aponta compras de carteiras de crédito realizadas em curto espaço de tempo, com elevada exposição patrimonial, inconsistências de lastro e altos índices de inadimplência.
“A contratação de carteira de créditos de forma açodada e sucessiva, feita pela administração anterior do BRB, não era comum, tampouco recomendada, ante a ausência da devida análise de risco dos créditos adquiridos”, destaca a auditoria.
Os negócios firmados com o Banco Master teriam provocado forte impacto financeiro no BRB, que atualmente enfrenta crise de liquidez e desenquadramento em regras prudenciais do sistema financeiro.
A atual gestão do banco tenta encontrar uma solução para capitalizar a instituição em R$ 8,8 bilhões até o fim deste mês.
As operações investigadas envolvem a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB no valor de R$ 12,2 bilhões. Parte desses ativos chegou a ser substituída por outros créditos do próprio Master, mas, segundo a auditoria, as trocas também não passaram por avaliação adequada, gerando prejuízo estimado em R$ 6 bilhões.