Investimento bilionário em energia dos ventos no litoral capixaba
Fonte: tribunaonline.com.br | Data: 24/05/2026 14:18:32
Valor pode superar R$ 150 bi e chega ao litoral capixaba com promessa de novos negócios, expansão industrial e empregos
Turbinas eólicas instaladas no mar: projetos do Estado totalizam 11,2 GW, conforme o Ibama
| Foto:
Divulgação/ABEEólica
O Espírito Santo vai receber um investimento bilionário em energia eólica offshore – ou seja, da força do vento em alto-mar. Ao todo, seis projetos já foram apresentados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A energia eólica offshore é, por exemplo, um dos quatro impulsionadores do Parklog Sul Capixaba, avaliado como futuro polo no Brasil. Os seis projetos apresentados são Votu Winds, Espírito Santo I, Quesnelia, Projeto Ubu, Vitória Offshore e Serra do Mar, que totalizam 11,2 gigawatts (GW), conforme o Ibama.
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima, em termos nacionais, que cada 1 GW de projeto equivale a R$ 13,75 bilhões, o que representa mais de R$ 150 bilhões no Estado.
Em todo o País, os mais de 100 projetos têm potencial de criação de mais de 500 mil empregos até 2050 e R$ 900 bilhões em valor agregado bruto para a economia brasileira, segundo o ministério.
O Estado tem características favoráveis para participar dessa nova indústria, segundo Marcello Cabral, diretor de novos negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).
“Tem localização estratégica, tradição em atividades offshore, como óleo e gás, tem uma infraestrutura portuária já consolidada – claro que precisa de adaptações – e é próxima dos grandes centros consumidores. Então, é uma região com potencial de posicionar o Estado como um polo de inovação, logística e industrialização para eólicas offshore”.
A instalação de eólicas offshore próximo aos municípios do Parklog Sul Capixaba fortaleceria o desenvolvimento regional ao integrar logística, energia e indústria em um mesmo ecossistema, avaliou Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes).
“Essa sinergia contribuiria para a atração de empresas, geração de empregos e ampliação das cadeias produtivas ligadas à economia verde e à transição energética”, destacou Baraona.
Há um ótimo potencial mapeado em estudos técnicos na região Sul e, uma vez viabilizados, será um acréscimo importante na geração de energia para o Estado, segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
“Hoje somos dependentes da transmissão de energia elétrica que abastece nossas residências e setor produtivo, a partir de outros estados, e precisamos buscar alternativas para reverter este quadro. Além disso, a energia gerada a partir dos ventos costeiros não consome combustíveis fósseis, aumentando a participação de fontes renováveis em nossa matriz energética, como orientado em nosso plano de governo”, afirmou.
Equipamentos no Porto Central
Com localização em Presidente Kennedy, no Sul do Estado, o Porto Central, em processo de construção, se planejou para receber a energia eólica offshore, como também para ser um instrumento de construção de equipamentos para geração dessa energia no mar.
A área do porto pode ser tanto canteiro de obra, para fabricação das torres e outros equipamentos, quanto de partida e volta de profissionais que forem para o alto-mar, revelou José Maria Vieira de Novaes, membro do Conselho de Administração do Porto Central.
“A gente acredita que o Porto Central vai ser utilizado em todas as suas fases, desde o início, na construção, até depois, na recepção dessa energia. Porque tem que instalar subestações, tem que depois fazer os sistemas de transmissão e distribuição dessa energia, e também geração de consumo”, explicou Novaes.
E complementou: “Acredito que o Porto Central está muito dentro desse ambiente de negócios que vem com a energia eólica offshore”.
Em 2021, o Porto Central assinou um memorando de entendimentos com a Votu Winds, empresa que está desenvolvendo um complexo de parques eólicos offshore na região do litoral Sul do Estado, na altura de Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy.
A localização do projeto da Votu Winds é considerada estratégica por congregar uma região que, além de destacada intensidade e qualidade de ventos, conta com a infraestrutura portuária do Porto Central para o apoio logístico de suas atividades. A proximidade dos centros econômicos e industriais do País releva ainda mais a importância estratégica desse projeto.
O complexo eólico offshore proposto pela Votu Winds contempla três parques eólicos, sendo cada parque composto por 48 aerogeradores, com capacidade de 10 MW cada um, desenvolvendo uma capacidade instalada total de 1.440 MW.
O objetivo é que a energia gerada pelos aerogeradores seja disponibilizada no Sistema Interligado Nacional, atendendo consumidores do próprio Porto Central, bem como de todo território brasileiro.
Saiba mais
Parques eólicos offshore
Os parques eólicos offshore são assim chamados porque as turbinas para gerar eletricidade a partir da força do vento estão instaladas no mar, ou seja, fora da área terrestre.
Com suas pás projetadas para captar a energia do vento, as turbinas transformam a energia cinética – produzida pelo objeto em movimento – em energia mecânica. Esta, por sua vez, é transmitida a um gerador elétrico dentro da turbina.
A eletricidade gerada é enviada por cabos submarinos até uma subestação terrestre, onde é integrada à rede elétrica.
Projetos de eólicas offshore
O Espírito Santo posiciona-se como destaque na transição energética, com seis projetos de complexos eólicos offshore em fase de licenciamento ambiental no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Essas propostas visam aproveitar o elevado potencial de ventos no litoral capixaba para a produção de energia limpa, que pode ser um polo eólico offshore.
Especialmente a região Sul do Estado vem sendo apontada como uma das áreas mais promissoras para o desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil. O avanço desse segmento pode transformar a economia regional e consolidar o Parklog Sul Capixaba como um importante eixo de energia, logística e industrialização.
Na última atualização junto ao Ibama, em fevereiro deste ano, dois dos projetos renovaram os pedidos de licenciamento.
Nenhum deles está efetivamente em andamento, segundo o órgão, pois os empreendedores aguardam a publicação de regulamentações específicas do setor. A operacionalização desses e de outros projetos só poderá ocorrer após a publicação das diretrizes e regulamentações para o marco regulatório, estabelecido em 2025 por meio da lei 15.097.
Empregos e investimentos
Estima-se, em termos nacionais, que cada 1 gigawatt (GW) de projeto equivale a R$ 13,75 bilhões, com o potencial de geração de mais de 500 mil empregos até 2050 e R$ 900 bilhões em valor agregado bruto para a economia brasileira.
Estrutura
O desenvolvimento da indústria offshore exige portos modernos e estruturados. Além do recebimento de embarcações, os complexos portuários precisarão oferecer capacidade para montagem de componentes dos parques eólicos; operação de embarcações especializadas; áreas industriais para fabricação e armazenamento; serviços de engenharia de alta qualificação; e bases de operação e manutenção dos parques.
Nesse cenário, o Estado já parte de uma posição favorável, por contar com infraestrutura portuária consolidada, embora adaptações sejam necessárias para atender às demandas.
Outro fator considerado estratégico é a proximidade do Espírito Santo com grandes centros consumidores de energia do País. A localização, aliada à estrutura logística existente, coloca o Estado em posição privilegiada para atrair novos empreendimentos.
Fonte: Ministério de Minas e Energia, Ibama, Carlos Sena (especialista) e ABEEólica.
MATÉRIAS RELACIONADAS:




