Tião Peixoto defende inocência de Zander Fábio e critica prisão ocorrida dentro de igreja

A sessão plenária da Câmara Municipal de Goiânia desta quarta-feira (27/5) foi marcada por um discurso contundente e carregado de emoção política. O vereador Tião Peixoto (PSDB) utilizou seu tempo na tribuna para se manifestar publicamente em defesa de seu colega de parlamento, Zander Fábio (Podemos), que foi alvo de uma prisão temporária na última terça-feira (26/5). O caso, que repercute intensamente nos bastidores do poder municipal, está inserido no contexto da Operação Cultura Em(Cena), deflagrada pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO).

Durante sua fala, Peixoto não apenas questionou a necessidade da medida restritiva de liberdade, como também trouxe detalhes sobre uma visita pessoal que fez ao parlamentar detido. O tom do discurso foi de solidariedade pessoal e crítica institucional à forma como a operação foi conduzida, especialmente no que diz respeito ao local onde o mandado de prisão foi cumprido. A manifestação de Tião Peixoto reflete a tensão que se instalou na Casa após as investigações atingirem diretamente membros do legislativo goianiense.

Defesa da inocência e críticas à abordagem policial

O ponto central da fala de Tião Peixoto foi a afirmação categórica da inocência de Zander Fábio. Segundo o tucano, o colega é vítima de uma situação que ainda carece de provas definitivas. Peixoto relatou aos demais vereadores que esteve com Zander e que, após a conversa, reforçou sua convicção de que o parlamentar do Podemos não teria envolvimento com os crimes citados no inquérito policial. Para o vereador do PSDB, a presunção de inocência deve ser respeitada, e o julgamento público antecipado pode causar danos irreparáveis à imagem de um homem público.

Além da defesa do mérito, Peixoto demonstrou profunda indignação com as circunstâncias da detenção. Ele destacou que Zander Fábio foi detido enquanto estava dentro de uma igreja, fato que classificou como uma “humilhação desnecessária”. Na visão do parlamentar, a escolha do local para o cumprimento do mandado teve um caráter simbólico negativo, expondo o colega de forma vexatória diante de sua comunidade religiosa. Esse argumento encontrou eco em parte da bancada, que discute os limites das ações policiais em ambientes de culto.

Entenda a Operação Cultura Em(Cena) e as investigações

A Operação Cultura Em(Cena), conduzida pela Polícia Civil, investiga a existência de uma suposta associação criminosa formada por agentes públicos e particulares. O foco das apurações é o desvio de recursos públicos que deveriam ser destinados a projetos culturais no município. Segundo as informações preliminares divulgadas pelas autoridades, o esquema envolveria a manipulação de processos e o uso indevido de verbas, o que motivou os pedidos de prisão temporária e mandados de busca e apreensão.

A investigação aponta que o grupo atuava de forma coordenada para drenar recursos do erário, utilizando-se de influências políticas para facilitar as transações ilícitas. A prisão de um vereador em exercício e de ex-integrantes da administração municipal coloca a gestão da cultura sob uma lupa rigorosa. O caso é acompanhado de perto pelo Ministério Público, que analisa o material apreendido para decidir sobre o oferecimento de denúncia formal à Justiça.

Posicionamento contra emendas e o cenário político local

Aproveitando o espaço na tribuna, Tião Peixoto também teceu críticas ao sistema de emendas parlamentares. Ele argumentou que o modelo atual pode gerar distorções e abrir margem para questionamentos sobre a aplicação dos recursos. O vereador se posicionou de forma contrária à manutenção desse mecanismo da maneira como ele opera hoje, sugerindo que a centralização ou uma fiscalização mais rígida poderia evitar que parlamentares fossem envolvidos em suspeitas de má gestão financeira.

A fala de Peixoto ocorre em um momento de fragilidade política para a Câmara de Goiânia, que tenta equilibrar sua função legislativa com a necessidade de responder à sociedade sobre as suspeitas de corrupção. A defesa de um colega preso é sempre um movimento arriscado, mas Peixoto optou por priorizar a lealdade pessoal e o questionamento dos métodos investigativos, em vez de se distanciar do aliado político. O desdobramento da operação deve ditar o ritmo das sessões nas próximas semanas, com a expectativa de novos depoimentos e a análise dos pedidos de liberdade da defesa de Zander Fábio.

O caso segue em segredo de justiça em algumas de suas etapas, mas a repercussão pública já é um fato consumado. A sociedade goianiense aguarda respostas claras sobre o destino do dinheiro público e a conduta de seus representantes eleitos. Enquanto isso, o clima na Câmara permanece de cautela e expectativa diante dos próximos passos da Polícia Civil de Goiás.

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