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5 pontos que explicam a alta do PIB no 1º trimestre

Fonte: exame.com | Data: 29/05/2026 11:43:27

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O crescimento de 1,1% do PIB no primeiro trimestre não teve um único motivo. A expansão da renda das famílias, os estímulos do governo, a recuperação dos investimentos e o avanço de setores como agropecuária e petróleo dividiram o papel de motores da economia entre janeiro e março, segundo economistas ouvidos pela EXAME.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram uma atividade mais forte após o fim de 2025, quando a economia havia perdido fôlego. Na avaliação dos economistas, cinco fatores ajudam a explicar a reaceleração registrada no início deste ano.

Os números mostraram que a agropecuária cresceu 2%, a indústria avançou 1% e os serviços registraram alta de 0,5%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1%, enquanto os investimentos avançaram 3,5%.

Apesar do resultado forte do primeiro trimestre, a maioria dos economistas projeta uma desaceleração gradual da atividade ao longo de 2026, à medida que os efeitos da política monetária restritiva ganhem força sobre consumo e investimentos.

Mercado de trabalho aquecido e alta da renda

O fortalecimento da renda das famílias foi um dos principais motores da atividade econômica no início do ano.

Rafael Perez, economista da Suno Research, afirma que o consumo voltou a ganhar força após dois trimestres de acomodação, reflexo de um ambiente favorável para a expansão da renda. Segundo ele, “o mercado de trabalho aquecido e o crescimento dos salários reais vêm sustentando a demanda doméstica”.

O economista também destaca que a expansão da renda disponível beneficiou especialmente os segmentos de serviços e comércio voltados ao consumo das famílias.

Por ser o componente de maior peso na estrutura do PIB, o consumo das famílias foi o principal responsável pelo crescimento da economia entre janeiro e março.

Pacote bilionário do governo Lula

Além da resiliência do mercado de trabalho, os economistas apontam que medidas adotadas pelo governo ajudaram a ampliar a renda disponível da população.

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirma que o desempenho da demanda foi impulsionado pelo “maior consumo das famílias diante do incentivo via isenção do IR e reajuste do salário-mínimo”.

Na mesma linha, Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, avalia que o resultado confirma uma atividade mais forte no primeiro trimestre “principalmente diante de incentivos pontuais do governo, principalmente a isenção do IRPF e valorização real do salário mínimo”.

Segundo ele, “o aumento da massa de renda e o aumento de renda disponível dado pela isenção do IRPF surtiram efeito positivo para o consumo”.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, também vê influência das medidas adotadas pelo governo. Para ele, os dados mostram uma economia acelerando “provavelmente devido aos programas aprovados pelo governo neste início de ano”.

Um levantamento do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) estima impacto de R$ 88 bilhões em medidas de crédito, habitação e isenção do IR.

Após esse cálculo, a gestão petista já anunciou novos estímulos, como o Desenrola 2.0 e o programa de financiamento para motoristas de aplicativos, que prevê R$ 30 bilhões em crédito. 

Recuperação dos investimentos

Os investimentos registraram a maior alta entre os componentes da demanda.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, cresceu 3,5% em relação ao trimestre anterior, recuperando parte das perdas observadas no fim de 2025.

Segundo Perez, o avanço foi sustentado “principalmente pela retomada da produção de bens de capital, pelo crescimento da construção civil e pelo aumento das importações de máquinas e equipamentos”.

Depois de cair 3,4% no trimestre anterior, os investimentos voltaram a crescer e deram uma das principais contribuições para a expansão do PIB no início de 2026.

O economista ressalta, porém, que o ritmo deve perder força ao longo do ano diante dos efeitos dos juros elevados sobre a atividade.

Safra de soja impulsionou a agropecuária

A agropecuária foi o setor com maior crescimento entre os três grandes segmentos da economia, com alta de 2% no trimestre.

Segundo o IBGE, o resultado foi favorecido pelo avanço da produção agrícola, especialmente da soja. Rafael Perez afirma que o setor foi beneficiado pela “sazonalidade positiva do início do ano e pelo avanço da safra de soja”.

Embora o crescimento já seja menor do que o observado em alguns momentos de 2025, a produção agrícola continuou contribuindo de forma relevante para o desempenho da economia.

A expansão da safra também ajudou a sustentar exportações e a atividade em cadeias ligadas ao agronegócio.

Petróleo puxa indústria extrativa

A indústria avançou 1% no primeiro trimestre, mas o principal destaque veio da indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, gás natural e minério de ferro.

Segundo Rafael Perez, a atividade extrativa cresceu 3,6% no período, beneficiada pelo “forte aumento da produção de petróleo, gás e minério de ferro em um ambiente externo mais favorável”.

Antonio Ricciardi também destaca o peso do setor no resultado da economia. “Um item que chama atenção pelo bom desempenho foi a indústria, puxada principalmente pela indústria extrativa”, afirma.

O economista acrescenta que as exportações de petróleo também contribuíram para o desempenho do trimestre e devem continuar influenciando a atividade econômica nos próximos meses.

O avanço da produção de petróleo ajudou a compensar a fraqueza de segmentos mais sensíveis aos juros elevados, como parte da indústria de transformação, reforçando o crescimento da economia no início do ano.