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Alcolumbre desabafa sobre pressão por CPMI do Master e diz se sentir “agredido da direita à esquerda”

Fonte: fatoatual.com | Data: 03/06/2026 04:39:25

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Alcolumbre critica insistência em CPMI do Banco Master e relata “agressões” no Congresso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expressou nesta terça-feira (2) forte descontentamento com as pressões para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar as irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo Alcolumbre, senadores que insistem na abertura da comissão estariam buscando apenas um “palanque eleitoral”, em detrimento das investigações já em andamento por outros órgãos.

A declaração surge em um contexto de tensões no Legislativo, onde Alcolumbre tem enfrentado críticas de diversos setores políticos. Ele relatou ter sido alvo de ataques de “direita à esquerda” durante a última sessão do Congresso, motivados por sua postura em relação à CPMI e outros temas em debate, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de trabalho 6×1.

O senador enfatizou que, em vez de uma nova comissão, o foco deveria estar nas apurações já conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Justiça brasileira. A fala, divulgada pelo portal g1, reflete um momento de desgaste na relação entre os poderes e dentro do próprio Congresso Nacional, com Alcolumbre defendendo a autonomia do Senado e o debate aprofundado das matérias.

Alcolumbre questiona a necessidade de CPMI para o Banco Master

Davi Alcolumbre demonstrou irritação com a insistência de parlamentares na instalação de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master. Ele argumentou que diversos órgãos de controle e investigação, como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça brasileira, já estão atuando no caso. “Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral”, declarou o presidente do Senado.

A fala de Alcolumbre sugere que, na sua visão, a criação de uma nova comissão seria um ato com fins meramente políticos e eleitorais, e não uma necessidade investigativa real. Ele ressaltou que as instituições competentes já estão mobilizadas para apurar os fatos, e que a abertura de uma CPMI poderia, inclusive, duplicar esforços e recursos sem trazer resultados adicionais significativos para a elucidação do caso. A postura do senador indica uma resistência em ceder a pressões que, segundo ele, visam mais o holofote midiático e a visibilidade política do que a busca por justiça.

Senado não será “casa carimbadora” da Câmara, afirma Alcolumbre

O desabafo de Alcolumbre ocorreu após um questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) sobre a inclusão na pauta da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. Em resposta, o presidente do Senado declarou que a Casa não atuará como uma mera “carimbadora” de textos aprovados pela Câmara dos Deputados. Ele assegurou que a proposta, que tem sido um ponto de atrito entre as casas legislativas e também com o governo, passará por análise em, no mínimo, uma comissão temática antes de ser votada no plenário do Senado.

Alcolumbre defendeu a importância do debate e da análise aprofundada das matérias que chegam do outro Poder. “Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto, muito relevante para o Brasil, e o Senado seja obrigado a carimbar. Essa é minha percepção, ela não é a favor e não é contra. É a favor do debate”, afirmou. Essa posição sinaliza uma tentativa de fortalecer o papel do Senado no processo legislativo, garantindo que as propostas sejam devidamente escrutinadas antes de se tornarem leis, mesmo que isso gere atritos com a Câmara e com o Executivo, que busca agilizar a tramitação de pautas prioritárias.

PEC da escala 6×1 e a relação estremecida entre Legislativo e Executivo

A Proposta de Emenda à Constituição que visa o fim da escala de trabalho 6×1 é um dos temas que têm gerado embates no Congresso e entre os poderes. Aprovada pelos deputados no dia 28, a matéria é considerada uma prioridade pelo governo federal, especialmente na esteira da campanha de reeleição do presidente Lula. No entanto, a relação entre os chefes do Legislativo e do Executivo já se encontra fragilizada, especialmente após o Senado ter rejeitado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A tramitação da PEC na Câmara só foi possível graças a um acordo entre o presidente Lula e o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que definiu o tempo de transição para a implementação das novas regras. Alcolumbre indicou que a forma como a PEC será tratada no Senado dependerá da definição que for tomada em reunião de líderes, prevista para a semana seguinte. Essa articulação demonstra a complexidade das negociações políticas e a necessidade de alinhamento entre os diferentes atores para que pautas importantes avancem.

Alcolumbre relata “agressões” e falta de reconhecimento

Em seu desabafo, Davi Alcolumbre também lamentou as críticas que tem recebido, tanto de colegas parlamentares quanto nas redes sociais. Ele expressou sentir falta de reconhecimento pelos resultados positivos que o Congresso Nacional tem alcançado desde 2019. “Eu faço uma enciclopédia Barsa de todas as coisas boas que fizemos pelo Brasil desde 2019. Mas ainda não achei um elogio, porque esse país está em eleição desde a última eleição”, apontou o senador, indicando que o ambiente político estaria constantemente polarizado e voltado para disputas eleitorais.

O presidente do Senado afirmou que se sente “vítima todos os dias” de ataques e que a polarização política obriga os agentes públicos a “escolher um lado ou outro”, o que, segundo ele, se tornou insustentável para a sociedade. “Muitas vezes o que acontece — e eu passo por isso, sou vítima todos os dias — é que todas as vezes estamos sendo obrigados a escolher um lado ou outro. Não tem condições. Ninguém aguenta mais isso no Brasil”, desabafou.

“Não me ameace”, alerta Alcolumbre sobre decisões pessoais

Diante do cenário de pressão e críticas, Davi Alcolumbre deixou claro que suas decisões serão pautadas por sua convicção pessoal, e não por imposições de grupos políticos ou pela opinião pública. Ele fez um apelo para que não seja pressionado, ameaçado, ofendido ou atacado em suas escolhas. “Não me obrigue. Não me ameace. Não me ofenda. Não me ataque. Eu vou com a consciência e com meu coração, no tempo adequado, decidir como vai ser o meu voto. Simples assim”, enfatizou o senador.

Essa declaração reforça a autonomia que Alcolumbre busca exercer na condução dos trabalhos no Senado, defendendo que as decisões legislativas devem ser tomadas com base em princípios e no interesse público, e não sob o jugo de pressões externas. A postura sinaliza uma tentativa de preservar a independência do Poder Legislativo e de garantir que o debate democrático ocorra de forma livre e qualificada, longe das influências de lobbies ou de narrativas superficiais que buscam manipular a opinião pública.

O que está em jogo nas investigações e debates legislativos

A CPMI do Banco Master, caso venha a ser instalada, teria o objetivo de investigar possíveis irregularidades financeiras e de gestão na instituição, que envolvem operações de crédito e relacionamento com clientes. A insistência de alguns parlamentares na sua criação pode estar ligada à percepção de que as investigações em curso não são suficientes ou que há interesse em expor determinados atores políticos ou empresariais.

Por outro lado, a PEC da escala 6×1 impacta diretamente as relações de trabalho em diversos setores da economia, especialmente no comércio. A proposta busca regulamentar ou modificar regimes de jornada que permitem longos períodos de trabalho seguidos por curtos períodos de descanso, o que tem sido criticado por entidades trabalhistas como prejudicial à saúde e ao bem-estar dos empregados. A disputa em torno dessa PEC reflete um embate entre modelos de flexibilização das leis trabalhistas e a proteção dos direitos dos trabalhadores.

A importância do debate legislativo e a busca por consenso

A fala de Alcolumbre sobre o Senado não ser uma “casa carimbadora” ressalta a importância do papel revisor e deliberativo do Congresso Nacional. Cada Casa Legislativa tem suas atribuições e mecanismos de controle, e a troca de projetos entre a Câmara e o Senado é um processo natural da democracia. A crítica do presidente do Senado à forma como algumas matérias são tratadas sugere a necessidade de um diálogo mais robusto e de respeito mútuo entre as instituições.

O presidente do Senado parece defender que o tempo dedicado ao debate de temas relevantes, como a PEC 6×1, é fundamental para a qualidade da legislação produzida. Ele busca garantir que as propostas que chegam do Executivo ou da Câmara sejam exaustivamente analisadas, com a participação de especialistas e da sociedade civil, antes de serem submetidas à votação. Essa abordagem visa a construir leis mais sólidas e que atendam, de fato, aos interesses do país, evitando decisões precipitadas ou influenciadas por interesses passageiros.

O impacto da polarização política nas decisões do Congresso

A percepção de Alcolumbre sobre a constante “eleição” do país e a polarização política que obriga “escolher um lado ou outro” é um reflexo do atual cenário brasileiro. Essa dinâmica dificulta a construção de consensos e pode levar a decisões tomadas mais com base em alinhamentos partidários do que em análises técnicas ou no mérito das propostas. O presidente do Senado aponta que essa pressão constante sobre os parlamentares pode comprometer a qualidade da governança e a capacidade de o país avançar em pautas importantes.

A busca por um “reconhecimento” que Alcolumbre alega faltar pode ser interpretada como um desejo de que os resultados do trabalho legislativo sejam vistos e valorizados pela sociedade, independentemente das disputas políticas. Ele defende que a “lei tem que ser boa para o Brasil, não para a rede social”, indicando uma preocupação com a superficialidade de debates que, muitas vezes, se concentram em polêmicas momentâneas e em busca de engajamento online, em detrimento de discussões aprofundadas sobre o impacto das leis na vida dos cidadãos.

Alcolumbre defende autonomia e decisões baseadas em convicção

A firmeza de Davi Alcolumbre em afirmar que suas decisões serão baseadas em “consciência e coração” e não em pressões externas é um sinal de sua determinação em conduzir o Senado de acordo com seus próprios princípios. Ele busca estabelecer um limite claro para as interferências externas, sejam elas de colegas parlamentares, de grupos de interesse ou da opinião pública expressa nas redes sociais.

Essa postura, embora defensável em termos de autonomia legislativa, também pode gerar novas tensões, dependendo de como suas decisões serão percebidas pelos diferentes setores da política. A declaração “Não me ameace. Não me ofenda. Não me ataque” é um alerta direto para aqueles que tentam impor suas vontades por meio de constrangimento ou intimidação. Alcolumbre parece apostar na sua capacidade de articulação e na força institucional do Senado para defender sua linha de atuação, mesmo diante de um ambiente político desafiador.