Medicamentos famosos no Brasil podem elevar risco de demência e osteoporose apontam estudos
Fonte: nsctotal.com.br | Data: 05/06/2026 07:30:25
Pesquisas associam o uso prolongado de omeprazol e pantoprazol a alterações na absorção de nutrientes, maior risco de osteoporose e possível aumento da incidência de demência em idosos

IBP’s são vendidos no Brasil com nomes comerciais. (Foto: _Alicja_ de pixabay)
O uso prolongado e inadequado de medicamentos famosos no Brasil para problemas estomacais, os inibidores de Bomba de Prótons (IBP), que são popularamente conhecidos como omeprazol e pantoprazol, tem sido associado a riscos de comprometimento ósseo, deficiências nutricioniais e possível impacto cognitivo em idosos.
Conhecidos como omeprazol ou pantoprazol, os inibidores de Bomba de Prótons (IBP) são amplamente utilizados no tratamento do refluxo e da gastrite. Os alertas de pesquisadores ganham importância principalmente depois da mudança regulatória que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez em novembro de 2025, permitindo a venda de omeprazol 20mg sem prescrição médica.
A preocupação dos pesquisadores é que as pessoas façam uso indiscriminado da medicação, desrespeitando a recomendação de limitar o tratamento a 14 dias.
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Omeprazol ou açafrão? (Foto: Banco de Imagens e Reprodução)

(Foto: Banco de Imagens)

(Foto: Banco de Imagens)

(Foto: Banco de Imagens)

(Foto: Banco de Imagens)

(Foto: Banco de Imagens)

(Foto: Banco de Imagens)
Uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) pode prejudicar a absorção de nutrientes
Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) alertam que o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs) pode prejudicar a absorção de nutrientes.
A pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi objeto de mestrado da pesquisadora Andréa Santana de Brito. O trabalho avaliou, em camundongos adultos, os efeitos do uso contínuo desses medicamentos na absorção de minerais como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio.
Os experimentos simularam tratamentos de 10, 30 e 60 dias, comparando animais tratados com omeprazol e um grupo que recebeu placebo.
No sangue, os pesquisadores observaram aumento de cálcio e queda de ferro, combinação associada a risco de osteoporose e anemia. Também houve acúmulo de minerais no estômago e desequilíbrios no fígado e no baço, além de mudanças relevantes em células do sistema imunológico.
O dado mais preocupante, segundo o coordenador Angerson Nogueira do Nascimento, foi o excesso de cálcio circulante, o que pode indicar retirada do mineral dos ossos e um risco futuro de osteoporose.
Para Andréa Santana de Brito, não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado da medicação, para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados.
Medicamentos podem elevar risco de demência em 33%
Um outro estudo, publicado na revista Neurology, encontrou uma associação alarmante entre esses medicamentos populares e o aumento do risco de demência. A pesquisa acompanhou milhares de pacientes por anos.
A pesquisa acompanhou 5,7 mil pacientes por 4 anos e meio. Os resultados mostraram que o uso contínuo por quatro anos aumentou em 33% o risco de desenvolver demência.
Kamakshi Lakshminarayan, professora da Universidade de Minnesota, explica: “Mais pesquisa é necessária para confirmar nossos achados e explorar as razões para essa correlação”. O estudo não encontrou risco aumentado para uso mais curto.
O que fazer se você usa esses medicamentos?
Especialistas alertam que não se deve parar abruptamente o tratamento. A professora Lakshminarayan recomenda: “Existem vários jeitos de tratar ácido estomacal”, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Alternativas incluem antiácidos, mudanças na dieta e horários das refeições. O essencial é conversar com seu médico para encontrar a melhor opção de tratamento para seu caso específico.