Do IPVA aos condomínios: como a expansão dos elétricos está mudando o RN; veja quantos veículos já circulam no est
Fonte: bnewsrn.com.br | Data: 05/06/2026 10:46:01
A presença dos veículos eletrificados nas ruas do Rio Grande do Norte deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade cada vez mais visível. Dados atualizados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran-RN) mostram que o estado já possui 6.089 carros totalmente elétricos registrados, número que reflete o crescimento acelerado da mobilidade sustentável nos últimos anos.
Quando somados aos veículos híbridos, que combinam motores elétricos e a combustão, a frota potiguar de modelos eletrificados alcança 11.390 unidades.
O avanço acompanha um movimento observado em todo o país, impulsionado pela ampliação da oferta de modelos, pela entrada de novas montadoras no mercado brasileiro e pela busca dos consumidores por alternativas mais econômicas diante das oscilações no preço dos combustíveis.
Veículos com recarga externa dominam a frota elétrica
Entre os automóveis totalmente elétricos registrados no estado, a maior parte é formada pelos modelos que dependem de recarga em tomadas residenciais ou eletropostos.
Segundo o Detran-RN, a distribuição da frota elétrica ocorre da seguinte forma:
- 5.390 veículos elétricos com fonte externa de recarga
- 425 veículos elétricos de fonte interna
- 274 veículos classificados na categoria genérica de elétricos
- Total: 6.089 veículos totalmente elétricos
Os modelos com fonte externa representam a parcela mais expressiva do mercado por serem os veículos elétricos convencionais comercializados atualmente pelas principais fabricantes presentes no Brasil.
Híbridos também avançam no Rio Grande do Norte
Além dos veículos totalmente elétricos, os automóveis híbridos vêm ganhando espaço entre os consumidores que desejam reduzir o consumo de combustível sem depender exclusivamente da infraestrutura de recarga.
Atualmente, o estado contabiliza 5.301 veículos híbridos registrados.
A distribuição por tecnologia é a seguinte:
- 2.391 híbridos gasolina-elétrico
- 1.664 híbridos flex (gasolina, etanol e eletricidade)
- 697 híbridos plug-in
- 384 híbridos convencionais
- 165 híbridos diesel-elétrico
Os híbridos plug-in, que podem ser carregados na tomada e também utilizam motor a combustão, são considerados por especialistas uma alternativa intermediária para quem deseja ingressar na eletrificação sem abrir mão da autonomia em viagens mais longas.
Economia no abastecimento impulsiona procura
Um dos principais fatores que explicam o crescimento da frota eletrificada é a redução dos custos de utilização no dia a dia.
Considerando um veículo compacto movido a gasolina com consumo médio de 12 quilômetros por litro e combustível a R$ 7, o gasto mensal para percorrer aproximadamente 1.200 quilômetros pode chegar a R$ 700.
Já um automóvel compacto 100% elétrico, equipado com bateria de cerca de 38 kWh e autonomia próxima de 300 quilômetros, pode gerar um custo estimado de aproximadamente R$ 152 em recargas domésticas para percorrer a mesma distância.

Nos híbridos plug-in, a combinação entre os dois motores reduz o gasto para algo em torno de R$ 354 mensais, valor significativamente inferior ao de um veículo movido exclusivamente a combustão.
Em residências equipadas com sistemas de geração solar, os custos podem ser ainda menores.
Energia renovável favorece eletrificação no estado
Além da economia financeira, a expansão dos veículos elétricos é frequentemente associada à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Estudos internacionais apontam que, ao longo de todo o ciclo de vida, incluindo fabricação e utilização, os veículos elétricos tendem a apresentar emissões significativamente menores do que os modelos movidos a gasolina ou diesel.
Embora a produção das baterias demande maior consumo energético e a utilização de minerais como lítio, níquel e cobalto, especialistas destacam que essa diferença tende a ser compensada durante os anos de uso, quando o veículo deixa de emitir poluentes diretamente durante a circulação.
No caso do Rio Grande do Norte, o cenário é considerado ainda mais favorável devido à forte participação das fontes renováveis na matriz energética estadual.
O estado lidera a geração de energia eólica no Brasil e também registra crescimento contínuo da geração solar, fatores que contribuem para reduzir a pegada de carbono associada ao abastecimento dos veículos elétricos.
Benefícios vão além da redução de emissões
A eletrificação da frota também está relacionada a possíveis ganhos para a qualidade do ar nos centros urbanos.
Ao eliminar a emissão direta de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis, os veículos elétricos contribuem para reduzir a concentração de poluentes atmosféricos, especialmente em áreas de maior densidade populacional.
Pesquisas apontam que a diminuição da poluição gerada pelo transporte pode trazer reflexos positivos para a saúde pública, sobretudo em relação a doenças respiratórias e cardiovasculares associadas à exposição prolongada a partículas poluentes.
Proprietários de elétricos pagam mais IPVA em 2026
Apesar do crescimento da frota, os proprietários de veículos totalmente elétricos passaram a enfrentar uma mudança tributária no estado.
Desde 2025, os carros elétricos deixaram de ser totalmente isentos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
A mudança foi estabelecida pela Lei nº 12.206, sancionada no final de 2024 pela governadora Fátima Bezerra.
O escalonamento definido pela legislação prevê:
→ Até 2024: isenção total
→ 2025: alíquota de 0,5%
→ 2026: alíquota de 1%
→ 2027: alíquota de 1,5%
Mesmo após a conclusão da transição, os elétricos continuarão pagando metade da alíquota aplicada aos demais veículos, atualmente fixada em 3%.
Os veículos híbridos permanecem enquadrados na tributação comum aplicada aos automóveis movidos a combustão.
Expansão da frota impulsiona mudanças em condomínios
O crescimento da mobilidade elétrica também começa a influenciar a legislação urbanística e os projetos imobiliários no estado.
Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte tramita um projeto de lei que busca garantir aos proprietários o direito de instalar estações individuais de recarga em condomínios residenciais e comerciais.

A proposta é de autoria do deputado estadual Neilton Diógenes e pretende reduzir obstáculos enfrentados por moradores que desejam utilizar veículos elétricos.
Em Natal, a adaptação da infraestrutura já começou a ser incorporada às novas construções. O Código de Obras do município, instituído pela Lei Complementar nº 258/2024, passou a exigir que empreendimentos residenciais multifamiliares e edificações não residenciais de grande porte prevejam soluções para recarga de veículos elétricos.
A medida busca preparar a capital potiguar para uma frota que cresce ano após ano e que tende a ganhar ainda mais espaço à medida que os preços dos veículos diminuem e a rede de abastecimento se expande.
Raio-X da eletrificação no RN
- 6.089 veículos totalmente elétricos
- 5.301 veículos híbridos
- 11.390 veículos eletrificados em circulação
- 5.390 elétricos com recarga externa
- 697 híbridos plug-in
- IPVA dos elétricos é de 1% em 2026
- Natal já exige previsão de recarga em novos empreendimentos