Dia Mundial do Meio Ambiente: Energia Solar Avança, Mas Brasil Insiste em Combustíveis Fósseis
Fonte: energialimpa.live | Data: 05/06/2026 10:47:13
A energia solar impulsiona a descarbonização, mas o Brasil ainda depende de combustíveis fósseis.
Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, o Brasil demonstra avanços significativos em sua agenda climática, impulsionados em grande parte pela crescente relevância da energia solar fotovoltaica. A fonte limpa tem sido protagonista na redução das emissões de gases de efeito estufa, consolidando seu papel na transição energética do país.
De acordo com a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), desde 2012, a energia solar já evitou a emissão de mais de 115,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O setor se consolida com mais de 70,3 GW de potência instalada em território nacional, atraindo investimentos robustos e gerando um número expressivo de empregos.
Descarbonização em Alta, Mas com Ressalvas
Dados recentes do Observatório do Clima indicam que o Brasil alcançou em 2024 a maior redução de emissões dos últimos 16 anos. O volume emitido de dióxido de carbono equivalente foi 16,7% menor que em 2023, chegando a 2,145 bilhões de toneladas. Considerando as emissões líquidas, que levam em conta a captura de carbono por florestas, a redução atinge 22%.
Esses números positivos, no entanto, contrastam com a persistente dependência do país de fontes de energia fóssil. Um estudo do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente) aponta que a geração a partir de termelétricas fósseis cresceu 17% em 2024, superando o volume de 2023. Essa expansão, segundo o IEMA, representa um alerta para o futuro da matriz energética brasileira.
O Impacto das Novas Termelétricas
O cenário se torna ainda mais preocupante com a recente contratação de cerca de 19 GW em novas termelétricas através do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado em março deste ano. O objetivo do leilão é reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), mas as novas usinas têm o potencial de emitir até 40 milhões de toneladas de CO₂ anualmente, um volume comparável às emissões totais de um estado inteiro como Santa Catarina.
Esses dados evidenciam o desafio de equilibrar a necessidade de segurança energética com os compromissos de descarbonização. Enquanto a energia solar avança como uma solução limpa e economicamente viável, a contínua expansão do uso de combustíveis fósseis na geração de energia elétrica lança uma sombra sobre as metas climáticas do Brasil.