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Master lesou aposentados sob o governo Bolsonaro, aponta investigação

Fonte: horadopovo.com.br | Data: 05/06/2026 18:39:02

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Banco de Daniel Vorcaro foi liquidado extrajudicalmente por fraude de R$ 12,2 bilhões (Foto: Divulgação)

Instituição concedeu milhares de consignados sem comprovar identidade de aposentados. Reparação às vítimas segue travada

O escândalo dos empréstimos consignados do Banco Master revela retrato alarmante da fragilidade dos mecanismos de proteção destinados a aposentados e pensionistas do INSS.

Auditorias internas, investigações da CGU (Controladoria-Geral da União) e análises do próprio instituto identificaram mais de 250 mil contratos com indícios de irregularidades, muitos desses celebrados sem comprovação adequada da identidade dos beneficiários e sem a documentação exigida pelas normas do sistema previdenciário.

Os números impressionam. Segundo levantamentos utilizados por órgãos de controle, 96,6 mil contratos foram aprovados sem reconhecimento biométrico capaz de confirmar a identidade dos aposentados ou pensionistas.

No relatório, a CGU afirmou que 155,1 mil operações do Master, entre 2021 e 2023, foram efetivadas sem o envio necessário dos documentos ao INSS, o equivalente a 84,3% das operações feitas no período.

As falhas atingem justamente público historicamente vulnerável a golpes financeiros: idosos, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Essa farra contra os aposentados, instaurada no governo anterior, só veio acabar no governo Lula, que desbaratou as fraudes contra o INSS, com a participação da PF e da CGU. No governo anterior, embora alertas tivessem sido emitidos, nada foi feito para acabar com as fraudes. Pelo contrário, autorizações para descontos foram dadas para funcionar, entre elas o Banco Master.

CONSENTIMENTO QUE NUNCA APARECEU

As investigações indicam que boa parte das operações ocorreu sob o guarda-chuva do Credcesta, principal produto comercializado pelo banco de Daniel Vorcaro para o público do INSS. O crescimento da carteira foi explosivo.

Dados internos apontam que os contratos vinculados ao produto saltaram de cerca de 105 mil em 2022 para mais de 2,7 milhões em 2024. O avanço vertiginoso chamou a atenção dos órgãos de controle, que passaram a identificar padrão recorrente de falhas documentais, ausência de validação biométrica e inconsistências nos registros contratuais.

O próprio presidente do INSS chegou a afirmar que os contratos analisados não atendiam às exigências normativas mínimas. Segundo ele, havia problemas graves nos mecanismos de validação das assinaturas eletrônicas e nos sistemas utilizados para comprovar a identidade dos segurados.

Em termos práticos, isso significa que milhares de aposentados podem ter tido empréstimos vinculados aos benefícios sem que existam elementos robustos para comprovar a autorização das operações.

CONTA SEM DONO

Se as suspeitas sobre as fraudes avançaram, a reparação às vítimas segue atolada em labirinto burocrático.

Acordo discutido entre Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e INSS previa a identificação dos prejudicados e a cobrança dos valores devidos ao banco.

A iniciativa, contudo, foi interrompida antes de produzir resultados concretos. Hoje não existe plano definido para ressarcir aposentados e pensionistas atingidos pelas irregularidades.

Em comunicação encaminhada ao Ministério Público, o próprio INSS reconheceu não possuir elementos suficientes para dimensionar a extensão dos prejuízos nem identificar todos os créditos passíveis de recuperação.

A autarquia também informou que não pretende habilitar créditos em nome dos aposentados no processo de liquidação do Banco Master.

Na prática, isso significa que milhares de beneficiários podem ter de buscar, individualmente, a recuperação de valores eventualmente descontados de forma irregular.

Entre procuradores, defensores públicos e especialistas em Direito Previdenciário, cresce o receio de que a ausência de solução coletiva deixe parte significativa das vítimas sem qualquer compensação financeira.

ALERTAS IGNORADOS

As irregularidades não surgiram de hora para outra.

Em outubro de 2025, diante do elevado volume de reclamações, o INSS já havia decidido não renovar o acordo que permitia ao Master conceder novos empréstimos a aposentados e pensionistas. Poucos meses depois, a autarquia bloqueou cerca de R$ 2 bilhões relacionados a contratos sob suspeita.

As análises técnicas apontavam cenário de descontrole documental prolongado por anos. Segundo os relatórios, problemas relacionados à comprovação dos contratos se repetiram entre 2021 e 2025 sem que fossem adotadas medidas eficazes para interromper o avanço das operações suspeitas.

O caso expõe não apenas possíveis falhas do banco, mas também deficiências na fiscalização estatal sobre mercado que movimenta bilhões de reais e envolve justamente a renda de aposentados e pensionistas.