Raízen confirma acordo com credores na maior recuperação extrajudicial do país
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 06/06/2026 11:25:09
Empresa chega a entendimento para reestruturar R$ 65 bilhões em dívidas
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GERADO EM: 06/06/2026 – 11:11
Raízen Anuncia Maior Recuperação Extrajudicial do Brasil: R$ 64,7 Bi em Dívidas Reestruturadas
A Raízen, parceria entre Shell e Cosan, anunciou a maior recuperação extrajudicial do Brasil, reestruturando R$ 64,7 bilhões em dívidas. Com adesão de 75,45% dos credores, o plano inclui aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e possível aporte de R$ 500 milhões por Rubens Ometto. A estratégia envolve conversão de créditos em ações e venda de ativos, como operações na Argentina por US$ 1,42 bilhões. A crise decorre de apostas malsucedidas e fatores econômicos adversos.
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A Raízen, empresa de energia integrada formada por uma parceria entre Shell e Cosan, confirmou por meio de relevante ao mercado que fechou acordo para seu plano de recuperação extrajudicial, que envolve dívidas de R$ 64,7 bilhões. Trata-se da maior recuperação extrajudicial já feita no país.
A companhia informa que o plano contou com a adesão de 75,45% dos créditos. A engenharia financeira planejada para equilibrar as contas da empresa inclui um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser feito pela Shell.
O diretor financeiro Lorival Luz irá assumir mais responsabilidades como diretor de reestruturação e o atual conselho de administração da companhia será mantido até o primeiro trimestre do próximo ano.
Ometto pode fazer aporte
Essa composição deixa em aberto a possibilidade de o chairman Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, permanecer no conselho após esse período, caso injete um aporte de capital de R$ 500 milhões. O aporte, se for feito, será por meio da Aguassanta Participações, empresa da família de Ometto.
Em outra frente, será feita uma conversão de 45% dos créditos em participação na empresa. Isso será feito por meio de units (pacotes de ações compostas por um papel ordinário e outro preferencial da Raízen) com preço de R$ 0,50 por unit.
O plano engloba ainda a substituição ou o refinanciamento de 55% dos créditos restantes por novos títulos de dívida. Para voltar ao equilíbrio, a empresa também se compromete a adotar medidas estruturais, como a segregação de operações, venda de ativos e reorganizações societárias. A empresa vai separar o negócio de processamento de cana-de-açúcar da unidade de distribuição de combustíveis, com prazo até o final de 2027 para implementação.
Venda de operações na Argentina
Nesta semana, um passo nesse sentido já foi dado com a venda das operações na Argentina por US$ 1,42 bilhões para a trading Mercuria Energy Group. O negócio engloba a terceira maior refinaria do país vizinho e uma ampla rede de postos de combustível.
A proposta acordada com os credores inclui ainda uma opção de pagamento com desconto significativo sobre o valor dos créditos, assim como a hipótese de pagamento antecipado em dinheiro e com desconto para os que têm valores menores a receber, sujeita a um limite global de R$ 150 milhões.
A crise da Raízen é resultado de algumas apostas malsucedidas em etanol e combustível de aviação, além dos juros elevados e de safras mais fracas do que o esperado. O entendimento com credores evita o caminho da recuperação judicial, considerada um mecanismo de reestruturação mais complexo. A empresa tinha até o dia 8 deste mês para chegar a um entendimento com credores.
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