ONU alerta que IA pode consumir mais água do que a humanidade bebe até 2030
Fonte: epocanegocios.globo.com | Data: 06/06/2026 13:33:58
A maior eficiência dos modelos de inteligência artificial não deve reduzir, por si só, a pressão ambiental dos data centers. Segundo relatório do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, da ONU, o uso de energia pela IA poderá dobrar até 2030, chegar a quase 3% do consumo mundial de eletricidade, gerar emissões equivalentes às do Reino Unido e exigir, para resfriamento e geração de energia, mais água do que a necessidade anual da população global.
A análise da entidade acadêmica da ONU busca medir os efeitos da IA além das emissões de carbono. Para os autores, a tecnologia não deve ser analisada apenas como uma camada digital da economia, mas como uma infraestrutura física dependente de data centers, chips, sistemas de refrigeração, redes elétricas, água, terra e cadeias de minerais críticos.
O relatório estima que os data centers globais ligados à IA poderão demandar 945 TWh (terawatt-hora) de eletricidade em 2030. O volume é quase o triplo da eletricidade usada anualmente por Paquistão, Bangladesh e Nigéria juntos, países que somam mais de 650 milhões de habitantes. Em 2025, os data centers consumiram, globalmente, cerca de 448 TWh.
O estudo cita o ChatGPT como exemplo dessa escala de uso. A ferramenta processa cerca de 2,5 bilhões de prompts por dia, o que corresponde a aproximadamente 383 GWh de eletricidade por ano para um único produto. A estimativa mostra como a expansão do uso cotidiano pode superar, em impacto agregado, o custo de treinamento dos modelos.
A pressão varia conforme a tarefa. Uma consulta com um chatbot consome mais energia do que uma classificação simples de texto. A geração de imagem exige mais processamento, e a geração de vídeo amplia esse consumo. Segundo o relatório, uma imagem gerada por IA pode demandar cerca de 1.450 vezes mais energia do que uma classificação básica de texto. Um vídeo curto pode consumir eletricidade equivalente à de 200 mil classificações de spam.
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Recomendação da entidade
A recomendação da UNU-INWEH é que governos, empresas, investidores e operadores de data centers incorporem energia, carbono, água e terra nas decisões sobre IA. Para os governos, isso significa incluir data centers no planejamento energético, na gestão de recursos hídricos e nas regras de licenciamento. Para empresas e desenvolvedores, envolve selecionar modelos de acordo com a tarefa, limitar saídas desnecessárias e tornar padrões de uso mais transparentes.
O relatório também defende que investidores tratem os impactos ambientais como riscos materiais em projetos de infraestrutura de IA. A localização de data centers, a origem da energia e a disponibilidade de água podem afetar custos, licenças e aceitação social.
A mensagem central do estudo não é interromper o avanço da inteligência artificial, mas tornar seus custos ambientais mensuráveis. Sem métricas comparáveis e regras de transparência, a expansão da IA pode transferir parte dos impactos para comunidades que não concentram os ganhos econômicos da tecnologia.