Congresso internacional na USP debaterá desigualdades raciais e tecnologias digitais
Fonte: jornal.usp.br | Data: 12/06/2026 12:26:52
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Com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre o uso discriminatório das tecnologias digitais, o Aqualtune Lab, o Instituto Mancala, o Instituto Sumaúma e o Reafro realizam nos dias 31 de julho e 1º de agosto, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP o I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais.
Esse é o primeiro evento de caráter internacional no País dedicado à intersecção entre racismo e tecnologia. A programação inclui palestras, mesas-redondas, oficinas e atividades culturais. Entre os palestrantes internacionais confirmados estão a sul-africana Onica Nonhlanhla Makwakwa e o etíope Yonas Gebremichael Difer, nomes de destaque na área em âmbito global.

Segundo o professor Celso Eduardo Lins de Oliveira, do Laboratório de Eficiência Energética e Simulação de Processo (Leesp), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, e um dos organizadores do congresso, a inteligência artificial e as plataformas digitais influenciam cada vez mais áreas fundamentais da vida social, como trabalho, saúde, segurança pública e acesso a direitos. “Nosso objetivo é consolidar uma base nacional de referência sobre desigualdades raciais e tecnologias digitais, contribuindo tanto para o debate público, quanto para os processos de regulamentação e formulação de políticas públicas que estão em curso no Brasil”, declara.
Racismo estrutural
Para Celso, as novas tecnologias e a IA contribuem para o racismo estrutural ao não representarem adequadamente a diversidade da população brasileira. Isso resulta em abordagens injustas, dificulta o acesso de pessoas negras a oportunidades e impacta até em tecnologias voltadas para saúde. “Os sistemas de reconhecimento facial, os sistemas automatizados de recrutamento profissional, são alguns exemplos de como essas tecnologias reproduzem padrões discriminatórios já existentes, dificultando o acesso de pessoas negras a oportunidades”, afirma.
Conforme Celso, o Brasil precisa construir uma política de governança tecnológica comprometida com os direitos humanos, transparência e justiça social. É necessário avançar em regulamentações que exijam avaliação de impacto algorítmico, transparência no funcionamento de sistemas automatizados e responsabilização de empresas e instituições que utilizam tecnologias discriminatórias. “É fundamental fortalecer a proteção de dados pessoais e criar mecanismos independentes de auditoria para tecnologias de alto risco, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e serviços governamentais. Deve haver um responsável! A culpa de uma ação que cause prejuízo à vida ou patrimônio das pessoas não pode ser do sistema simplesmente”, diz.
Celso reforça que o objetivo do congresso é discutir o uso dessas tecnologias para pensar a democracia, a cidadania e projeto de sociedade, pois a inteligência artificial e as plataformas digitais estão moldando o presente e o futuro das relações sociais. “O congresso é aberto a todas as pessoas que têm interesse no tema, estudantes, professores e profissionais do Direito e da Tecnologia, ele nasce justamente para ampliar esse diálogo no Brasil, aproximando academia, sociedade civil, setor público e profissionais da tecnologia em torno de soluções mais justas e inclusivas”, finaliza o professor.
Serviço
Evento: I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais
Quando: 31 de julho e 1º de agosto de 2026
Inscrições até 20 de julho
Profissionais: R$ 500,00
Alunos de pós-graduação: R$300,00
Alunos de graduação: R$100,00
Serão oferecidas isenções de inscrição às pessoas autodeclaradas negras segundo requisitos. Período de isenção até dia 17 de julho
Local: Faculdade de Saúde Pública da USP
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 715, Cerqueira César, São Paulo – SP
Realização: Aqualtune Lab, Instituto Mancala, Instituto Sumaúma e Reafro
Inscrições pode ser feitas pelo site
Aqualtune Lab
AqualtuneLab é um coletivo jurídico com suporte multidisciplinar, pautado no estudo e elaboração de propostas que comportam a análise das relações entre direito, tecnologia e Raça. Site
Instituto Mancala
O Instituto Mancala é uma organização privada e sem fins lucrativos dedicada à promoção de ciência e tecnologia como ferramentas para reduzir desigualdades sociais e raciais. Com o foco em soluções duradouras e inclusivas , acredita-se que a transformação social efetiva acontece quando as próprias populações afetadas estão no protagonismo. Site
Instituto Sumaúma
O Instituto Sumaúma é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua na produção e promoção de pesquisa de impacto social. Nossos programas e projetos estão estruturados como um centro de formação, documentação e pesquisa, com o objetivo de preparar, formar e possibilitar a autonomia política, epistêmica e econômica para pessoas negras, indígenas e/ou periféricas. Site
Reafro
Criada em 2015, a Reafro busca fomentar e estimular a atividade empresarial de afro-brasileiros, através de investimentos específicos na estrutura física, inovação tecnológica e gestão pessoal, por meio da escolaridade; fortalecimento das ações de marketing; do fundo de investimento Reafro e parcerias em projetos, ou programas. Site