Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Norte assume lugar de protagonismo no cenário audiovisual brasileiro

Fonte: acritica.com | Data: 14/06/2026 11:31:39

🔗 Ler matéria original

destaques

Artistas amazonenses são indicados ao Prêmio Grande Otelo do Cinema

Luyza Rodrigues

14/06/2026 às 10:06.

Atualizado em 14/06/2026 às 10:06

Com mais de 10 indicações, O Último Azul é destaque no Prêmio Grande Otelo 2026 (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez, nomes nascidos às margens dos rios amazônicos atravessam o país não apenas como representantes de uma região, mas como protagonistas de uma nova narrativa no cinema brasileiro. Artistas do Amazonas concorrem ao Prêmio Grande Otelo 2026, da Academia Brasileira de Cinema, que acontece no dia 4 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Fazendo história, o ator e dramaturgo Adanilo, que começou a carreira participando de curtas-metragens e peças de teatro em Manaus, foi indicado como “Melhor Ator Coadjuvante” pela sua atuação em no filme “O Último Azul”, conta que a indicação por meio do longa é mais que especial, por se tratar de obra que representa o Amazonas.

“Acho muito simbólico que essa indicação tenha vindo, justo pelo ‘Último Azul’, que é um filme que a gente fez no Amazonas, um filme com mais de 20 atores e atrizes amazonenses, cheio de profissionais técnicos do Amazonas também. É um filme que tem, no DNA dele, muito de Manaus, de Novo Airão, e Manacapuru, do Amazonas. Acho que ser indicado ao Grande Otelo justamente por esse filme me dá mais orgulho. Acho que tem uma emoção triplicada por isso”, destaca o ator, que ainda ressalta o orgulho de estar ao lado de outros artistas.

“Estou muito feliz, muito honrado de estar ao lado desses outros atores que eu admiro tanto. Estar indicado junto com eles é uma honra tamanha. Que são pessoas que eu acredito muito no trabalho também”.

Adanilo se torna o primeiro ator amazonense na história indicado ao prêmio considerando o Oscar brasileiro(Foto: Divulgação)

Outro destaque é o sonoplasta Hemerson Batista, conhecido como “Batata”, que recebeu a nomeação ao lado de Liliana Villaseñor, María Alejandra Rojar, Arturo Salazar RB e Vincent Sincretti, na categoria de Melhor Som também pelo filme “O Último Azul”.

“Batata” relata que além de alívio, sente que está fazendo e representando o Norte de maneira correta ao olhar para sua trajetória na cena audiovisual brasileira.

“O reconhecimento sempre é bom. O primeiro sentimento que eu sinto é alívio. Poxa, gente, eu tô fazendo da maneira correta, né? Tô no caminho certo”, conta. O artista também compartilha que, ao saber da indicação, chorou de emoção e gratidão.
“Eu peguei o telefone e abri, e vi muita mensagem. Vi uma matéria do Cine Set explicando tudo e eu falei ‘nossa’. Aí eu fui pro banheiro e chorei, chorei porque realmente não é fácil chegar ali, ter esse reconhecimento, ter esse espaço, e como eu falei, enfrenta várias barreiras todo dia, e temos que provar que somos capazes. A gente tem que provar que a gente tem como representar, como concorrer”, destaca.

Mudanças

Apesar dos avanços recentes, o reconhecimento do Norte no cinema brasileiro ainda carrega marcas de um histórico de invisibilidade. Por muitos anos, produções, profissionais e narrativas da região foram atravessados por barreiras geográficas, falta de investimento e centralização do mercado nos grandes eixos do Sudeste.

Em conversa, Adanilo relata que fatores como valorização e investimento público, são questões que contribuem para a chegada dos artistas e profissionais do Norte para a cena nacional.

“A chegada de recursos maiores para produções audiovisuais amazônicas, manauaras, amazonenses de maneira geral, colaborou bastante para a gente ter essa difusão que estamos tendo hoje. Eu, por exemplo, sou fruto de políticas públicas, de editais públicos, que incentivaram as primeiras produções que participei. Os três primeiros curtas metragens que eu fiz, que são ‘A Menina do Guarda-chuva’, ‘Aquela Estrada’, ‘O Tempo Passa’, foram os primeiros filmes que eu fiz aí em Manaus, e todos foram feitos com edital público da prefeitura, do Estado. Isso fez muita diferença, porque foi com isso que eu consegui reunir material para os testes e produções fora de Manaus”, conta.

Adanilo finaliza ainda ressaltando o talento dos produtores e a cena artística do Norte. “Acho que tudo isso ajuda nessa valorização, nesse reconhecimento que a gente vem tendo, porque talento não falta. A gente tem talento de sobra, então a gente não deve nada a ninguém, nem linguagem artística, nem quantidade de produção, nem a qualidade dessas produções”.

Futuro

A força das narrativas locais, profundamente conectadas à cultura, aos territórios e às vivências amazônicas, tem despertado interesse por sua autenticidade e potência estética. Soma-se a isso o fortalecimento de redes colaborativas, a formação de novos profissionais e o uso de tecnologias que encurtam distâncias e ampliam possibilidades de produção e circulação. Nesse movimento, o cinema nortista deixa de pedir espaço e passa a ocupá-lo com identidade própria, revelando ao país, e consequentemente ao mundo, novas formas de contar histórias. Ainda assim, a distância territorial e impacto de produções ainda pode ser sentida, como destaca Batista.

“Enquanto nós aqui no Amazonas filmamos um longa a cada dois, três anos, um longa que eu falo na proporção do ‘Último Azul’, com investimento, com elenco e tal, toda uma equipe técnica. Acontece no Rio de Janeiro, em São Paulo, talvez cinco, seis vezes por ano, o que para nós seria em dois, três anos. Então, é uma realidade ainda distante, embora a gente já tenha pessoas que estão ali, representando, conquistando, fazendo algo legal e levando a nossa bandeira”.

Outros filmes

Além de “O Último Azul”, o curta-metragem “Boiúna” (PA) concorre a categorias de ‘Melhor Curta-Metragem de Ficção”, e o filme “Manas” (PA) é destaque com as indicações para “Melhor Longa-Metragem de Ficção”, “Melhor Atriz” e “Melhor Atriz Coadjuvante” com a paraense Dira Paes. 

Assuntos
Compartilhar