Inflação mantém recuo novamente na quinzena final de maio e atinge 0,58%
Fonte: ohoje.com | Data: 14/06/2026 14:39:09
Como se recorda, a taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) entre 18 de abril e 15 de maio havia alcançado 0,62%, em comparação ao índice de 0,67% nas quatro semanas de abril, indicando um ligeiro recuo. Ao aferir o IPCA de maio, apurado entre os dias 1º e 29 daquele mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma taxa inflacionária de 0,58%, em nova desaceleração – lembrando que o IPCA-15 de abril havia indicado uma elevação de 0,89% entre 18 de março e 15 de abril.
Mais claramente, o IPCA registrou uma redução de 0,31 ponto percentual desde meados de abril, quer dizer, em um mês e meio, embora tenha se mantido acima dos níveis registrados, por exemplo, em maio do ano passado, quando o IPCA “cheio” havia alcançado 0,26%. A diferença é que, naquele período, a inflação rodava na faixa de 5,32% nos 12 meses terminados em maio e, atualmente, o índice bateu em 4,72%, ligeiramente acima do teto da meta inflacionária, fixada em 4,50%.
O IPCA de maio deste ano sofreu influência principalmente dos alimentos, com contribuição mais significativa das altas nos preços de carnes, batata inglesa, cebola, tomate, refeições e lanches fora de casa, energia elétrica, higiene pessoal, plano de saúde e passagens aéreas. Em conjunto, aquela dezena de itens explicou praticamente 87% do IPCA total, com participação maior para a tarifa da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% em maio (frente a 2,16% entre as duas semanas finais de abril e as duas primeiras de maio) e, sozinha, respondeu por um quarto do índice geral.
A variação média da energia incorporou, a partir de 22 de abril, reajustes de 5,91% em Aracaju, de 5,59% em Fortaleza e de 4,78% em Salvador. As tarifas no setor subiram ainda 12,36% em Campo Grande, 3,86% em Recife e 5,21% em Belo Horizonte, respectivamente a partir de 24 e 29 de abril e 28 de maio. Isso significa dizer que o reajuste na capital mineira continuará influenciando o IPCA de junho.
Além dos reajustes, em maio continuava em vigência a bandeira tarifária amarela, fixada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), correspondendo a um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos.
Lembrete
Deve-se lembrar que a tendência baixista dos índices de preços no País tem sido observada a despeito de um cenário de extrema turbulência internacional, com a continuação da guerra movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, e os temores gerados pelo comportamento intempestivo e desarrazoado do líder estadunidense.
Acrescentam-se ainda os gargalos gerados na extração, refino e distribuição de petróleo na região do Oriente Médio desde o fechamento do estreito de Ormuz, gerando oscilações diárias e abruptas, para cima e para baixo, nas cotações do barril do petróleo, com toda a carga de incertezas que isso significa para a economia global e para os negócios em geral. Organismos multilaterais já antecipam maus resultados para a economia do mundo industrializado.
Balanço
A variação média dos preços em maio, no acompanhamento do IBGE, veio moderadamente acima das expectativas do sistema financeiro, que havia centrado a maior parte de suas apostas em uma taxa de 0,53% – algo como 0,05 ponto abaixo do IPCA efetivamente observado pelo instituto, numa diferença quase próxima de zero.
Embora tenham exercido maior pressão, respondendo por quase metade do IPCA geral (49,5%, em cálculo mais preciso), os preços dos alimentos sugerem desaceleração moderada no ritmo de alta, saindo de 1,38% entre a quinzena final de abril e as duas primeiras semanas de maio para 1,33% na aferição mais recente.
Planos de saúde e produtos de higiene pessoal experimentaram altas de 0,50% e 1,95%, respectivamente. O primeiro item repetiu a variação observada entre o final de abril e o começo de maio, mas o segundo grupo registrou avanço de 0,35 ponto percentual, saindo de 1,60% na pesquisa concluída ao final da primeira quinzena de maio.
As passagens aéreas, que chegaram a despencar 14,45% em abril, subiram 3,25% nas quatro semanas encerradas em 15 de maio, fechando o mês com taxa praticamente estável, numa variação de 3,20%.
As altas foram parcialmente compensadas por um arrefecimento dos preços dos combustíveis, que chegaram a subir em conjunto 6,06% em quatro semanas até 13 de abril. No encerramento daquele mês, já indicando queda de preços na ponta, a variação média havia recuado para 1,86%, entrando em terreno negativo na medição concluída em 15 de maio, que apontou baixa de 1,47%. Nos 30 dias do mês passado, os preços médios dos combustíveis baixaram 1,46%.
O levantamento do IBGE mostra quedas de 1,46% nos preços da gasolina, na média de todo o País, com recuos de 6,20% para o etanol nas bombas e de 2,34% para o diesel. A safra de cana mantém a oferta em níveis elevados nesta época do ano, pressionando para baixo os preços do etanol nas usinas, num movimento que agora passou a alcançar os postos.
Num cálculo da coluna, quando excluídos alimentos, energia elétrica, combustíveis e itens mais voláteis, como as passagens aéreas, o restante dos preços teve seu índice inflacionário reduzido de 0,35% em abril para 0,31% nas duas primeiras quinzenas de maio, encerrando o mês passado em 0,25%.
Considerando-se que as pressões têm sido localizadas em itens mais específicos, alguns sujeitos à sazonalidade, a exemplo de carnes, legumes e verduras, o Banco Central (BC) deve acompanhar esses movimentos sem histeria, já que os focos altistas parecem temporários. As pressões impostas pela alta dos preços do petróleo sobre derivados e insumos destinados à agricultura, como defensivos químicos, adubos e fertilizantes, têm gerado aumento nos custos do setor e pressões inflacionárias que não poderão ser enfrentadas às custas de novos choques de juros.
Em momentos assim, tornam-se mais gritantes os desafios gerados pelo desmonte, a partir dos anos 1990, das políticas de estoques reguladores de alimentos. A ausência de políticas de segurança alimentar impede a ação do setor público na contramão do mercado, como moderador de preços em momentos de alta.
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