“Super El Niño” deve atingir o Sul do Brasil com temporais e alagamentos; evento severo climático pode causar prejuízo milionário para o agronegócio
Fonte: bandab.com.br | Data: 15/06/2026 14:50:58
Um novo episódio do El Niño já preocupa autoridades meteorológicas e o setor do agronegócio brasileiro. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o início do fenômeno climático e especialistas alertam que ele pode atingir intensidade semelhante ao chamado “super El Niño”, com potencial para provocar secas severas, queimadas, temporais e enchentes em diferentes regiões do Brasil.

As consequências podem ser sentidas principalmente no agronegócio, um dos pilares da economia nacional. Segundo projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o fenômeno pode reduzir a produtividade de diversas culturas, causar prejuízos milionários aos produtores e até pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses. As informações são do portal UOL.
Sul do Brasil pode enfrentar temporais, enchentes e prejuízos nas lavouras
Entre as regiões mais afetadas está o Sul do país. A previsão aponta aumento significativo das chuvas durante a primavera e o verão, elevando o risco de temporais, alagamentos e enchentes.
O excesso de água pode prejudicar tanto o plantio quanto a colheita de importantes culturas agrícolas. Além de dificultar o trabalho de máquinas no campo, os temporais podem provocar erosão do solo, perdas de produtividade e aumento da incidência de doenças fúngicas nas lavouras.
Para produtores de arroz, trigo e soja, o cenário é de atenção redobrada. Embora a chuva possa beneficiar algumas culturas em determinados períodos, o excesso de precipitação durante fases decisivas do ciclo produtivo tende a comprometer a qualidade dos grãos e reduzir a rentabilidade das safras.
Seca extrema ameaça produção agrícola no Norte e Nordeste
Enquanto o Sul deve enfrentar chuvas acima da média, outras regiões do país poderão sofrer com o efeito contrário.
No Norte, a previsão indica seca prolongada, temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios amazônicos. Além dos impactos sobre a agricultura e a pesca, a situação pode dificultar o transporte de grãos por vias fluviais, aumentando custos logísticos e riscos de desabastecimento.
Já no Nordeste, o cenário é de preocupação com a falta de chuva e a perda de umidade do solo. A seca pode afetar diretamente pastagens e culturas dependentes das precipitações naturais, reduzindo a produtividade e ampliando os prejuízos para produtores rurais.
Preço dos alimentos pode subir em 2027
Os impactos do El Niño não devem ser imediatos para os consumidores, mas especialistas alertam que uma eventual redução da oferta agrícola poderá refletir nos preços dos alimentos ao longo do próximo ano.
De acordo com a assessora técnica da CNA, Danyella Bomfim, em entrevista ao portal UOL, produtos perecíveis tendem a ser os mais afetados em cenários de eventos climáticos extremos.
Entre os alimentos que podem registrar aumento de preços estão hortaliças, frutas, arroz, feijão, leite e carnes. A alta ocorreria como consequência da menor produção nas próximas safras e do aumento dos custos enfrentados pelos produtores.
Outro fator de preocupação é o possível atraso das chuvas em regiões produtoras de soja. Quando o plantio ocorre fora da janela ideal, a segunda safra de milho também pode ser prejudicada, reduzindo ainda mais a oferta de grãos no mercado.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento acima do normal por um período prolongado.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões climáticos em diversas partes do planeta. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há mais de 80% de probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027.
A NOAA estima ainda 63% de chance de que a temperatura da superfície do Pacífico ultrapasse 2°C acima da média, condição que caracteriza um evento muito forte.
Além dos impactos na agricultura, especialistas alertam para possíveis reflexos no abastecimento de água, geração de energia, mobilidade urbana, saúde pública e ocorrência de desastres naturais.
Diante do cenário, entidades do setor rural recomendam que produtores acompanhem os boletins meteorológicos, revisem estratégias de plantio e invistam em medidas de mitigação, como sementes mais resistentes e contratação de seguro agrícola.
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.