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Câncer de endométrio: a importância do diagnóstico precoce

Fonte: em.com.br | Data: 15/06/2026 16:23:40

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O câncer de endométrio, tecido que reveste internamente o útero, está entre os tumores ginecológicos mais frequentes entre as mulheres brasileiras. A doença ocorre quando células do endométrio passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor. Embora possa surgir em diferentes faixas etárias, sua incidência é significativamente maior após a menopausa.

Segundo o oncologista Ângelo Bezerra, especialista em câncer de mama e ginecológico, a identificação precoce continua sendo uma das principais ferramentas para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos. “O câncer de endométrio é uma doença que frequentemente apresenta sinais ainda em fases iniciais. Isso cria uma oportunidade importante para o diagnóstico precoce e para o tratamento com intenção curativa”, destaca o especialista.

O desenvolvimento do câncer de endométrio está relacionado principalmente à exposição prolongada ao hormônio estrogênio sem o equilíbrio adequado da progesterona. Diversos fatores podem contribuir para esse desequilíbrio hormonal e aumentar o risco da doença.

Entre os principais fatores de risco estão obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão arterial, primeira menstruação em idade precoce, menopausa tardia, ausência de gestações e uso de estrogênio isolado sem progesterona. Além disso, mulheres com síndrome de Lynch, condição genética hereditária associada a diferentes tipos de câncer, também apresentam risco aumentado.

Principais sintomas

O sintoma mais frequente do câncer de endométrio é o sangramento vaginal anormal. Nas mulheres que já passaram pela menopausa, qualquer episódio de sangramento deve ser investigado por um ginecologista.

“Não importa se foi apenas uma pequena perda, um escape ou um episódio isolado. Qualquer sangramento após a menopausa deve ser considerado um sinal de alerta e precisa ser investigado”, destaca o oncologista.

Nas mulheres em idade reprodutiva, os sinais podem incluir sangramentos muito intensos, sangramentos fora do período menstrual, ciclos persistentemente irregulares ou alterações que não melhoram com os tratamentos habituais.

Outros sintomas que também podem estar associados à doença incluem dor pélvica, corrimento vaginal anormal, aumento abdominal, perda de peso sem causa aparente e dor persistente, especialmente em estágios mais avançados.

“A mensagem mais importante é que o sangramento pós-menopausa não deve ser normalizado. Ele não significa necessariamente câncer, mas sempre merece avaliação médica”, reforça o médico.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer de endométrio começa com a avaliação clínica e ginecológica. A ultrassonografia transvaginal costuma ser um dos primeiros exames solicitados, especialmente para avaliar a espessura do endométrio em mulheres na pós-menopausa.

No entanto, a confirmação diagnóstica depende da análise do tecido uterino, realizada por meio de biópsia endometrial, curetagem uterina ou histeroscopia com biópsia dirigida. Além da confirmação histológica, avanços recentes permitiram a incorporação dos testes moleculares, que ajudam a classificar melhor o comportamento biológico do tumor e a definir estratégias terapêuticas mais personalizadas.

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“Hoje, além do diagnóstico tradicional, a caracterização molecular do tumor tem um papel cada vez mais importante. Esses testes ajudam a avaliar o risco da doença e contribuem para decisões terapêuticas mais precisas”, afirma Ângelo.

“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de controle da doença, menor a necessidade de tratamentos agressivos e melhor tende a ser a qualidade de vida da paciente.”

Possíveis tratamentos

O tratamento do câncer de endométrio é definido de forma individualizada, levando em consideração fatores como estágio da doença, tipo histológico, características moleculares e condições clínicas da paciente.

Nos casos iniciais, a cirurgia representa o principal tratamento. Geralmente, o procedimento inclui a retirada do útero, das trompas e dos ovários, além da avaliação dos linfonodos quando necessário. Ângelo explica que as técnicas cirúrgicas evoluíram significativamente nos últimos anos, contribuindo para reduzir complicações e acelerar a recuperação das pacientes.

Após a cirurgia, algumas mulheres podem necessitar de tratamentos complementares, como radioterapia, braquiterapia e quimioterapia, especialmente quando existe maior risco de recorrência. Em situações específicas, mulheres jovens com tumores iniciais e desejo de preservar a fertilidade podem ser avaliadas para tratamento hormonal conservador em centros especializados.

Nos casos avançados ou recorrentes, os avanços científicos também têm ampliado as opções terapêuticas. “O grande avanço recente foi a incorporação da imunoterapia ao tratamento da doença avançada ou recidivada. Medicamentos imunoterápicos associados à quimioterapia têm demonstrado resultados importantes para muitas pacientes”, explica.

Tratamento disponibilizado pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza avaliação ginecológica, exames diagnósticos, biópsias, cirurgias, radioterapia e quimioterapia para pacientes com câncer de endométrio. No entanto, ainda há desafios importantes relacionados ao tempo necessário para a obtenção do diagnóstico e ao acesso aos serviços especializados.

Além disso, “muitas mulheres demoram a procurar atendimento após o aparecimento dos sintomas ou enfrentam dificuldades para realizar exames fundamentais, como ultrassonografia, histeroscopia e biópsia em tempo adequado”, observa o médico.

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Outro desafio é o encaminhamento rápido para centros especializados em ginecologia oncológica, além das desigualdades regionais relacionadas ao acesso a exames moleculares e tratamentos mais modernos. “O SUS oferece tratamento para o câncer de endométrio, mas ainda precisamos ampliar a conscientização sobre os sintomas, acelerar o acesso aos exames diagnósticos e reduzir as desigualdades regionais para garantir atendimento especializado em tempo oportuno”, aponta o especialista.