Inadimplência no MCP sobe para R$ 94,8 milhões em abril, puxada por 2W e Electra Varejista
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 15/06/2026 16:18:24
A inadimplência efetiva na liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) referente a abril subiu para R$ 94,8 milhões, avanço de R$ 34,5 milhões em relação aos R$ 60,25 milhões registrados na operação de março, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O aumento foi concentrado principalmente na entrada da Electra Energia Digital na lista de agentes inadimplentes e no crescimento do débito da 2W Comercializadora Varejista.
O movimento ocorre apesar da queda no valor total não pago na liquidação. Em março, os valores não pagos haviam somado R$ 531,65 milhões. Em abril, esse montante recuou para R$ 441,86 milhões. A diferença está na composição desses valores: no mês anterior, uma parcela relevante estava associada a decisões judiciais e efeitos regulatórios, enquanto a inadimplência efetiva era menor.
Em abril, a CCEE informou que foram liquidados R$ 2,70 bilhões, cerca de 86% dos R$ 3,15 bilhões contabilizados. Dos R$ 441,86 milhões não pagos, R$ 328,07 milhões se referiam a valores devidos pela Bolognesi, que obteve uma cautelar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para suspender a cobrança pela CCEE. Outros R$ 5,18 milhões estavam em situação semelhante pela cautelar concedida pela Aneel sobre Sinop, e R$ 13,67 milhões não eram exigíveis na data da liquidação por decisões judiciais. Os parcelamentos somaram R$ 145,55 mil.
Inadimplência no MCP subiu entre março e abril
Na lista nominal de abril, a maior inadimplência foi da 2W Comercializadora Varejista de Energia, em recuperação judicial, com R$ 31,99 milhões. Em março, a empresa já aparecia com R$ 25,36 milhões. A variação foi de R$ 6,63 milhões.
A Electra Energia Digital, razão social Electra Comercializadora Varejista, não aparecia na lista de devedores de março e passou a constar na relação de abril com R$ 27,81 milhões. A empresa aparece na lista como comercializadora e com a Electra Energy como representante.
A Boven Comercializadora Varejista de Energia também permaneceu entre os maiores devedores, com R$ 9,54 milhões em abril, ante R$ 9,04 milhões em março.
Juntas, as variações da 2W e da Electra Energia Digital somam cerca de R$ 34,4 milhões, praticamente o mesmo avanço observado na inadimplência efetiva entre março e abril. A leitura indica que a alta não decorreu de uma deterioração generalizada da liquidação, mas de poucos agentes com valores relevantes.
No caso da Electra, a comparação exige cuidado. Em março, a lista de inadimplentes trazia a Electra Energy, razão social Electra Comercializadora de Energia, com R$ 150,56 milhões. O comunicado da CCEE, porém, classificava esse montante como valor decorrente de decisão judicial, concentrado em um único agente, que havia conseguido decisão para manutenção do registro e contabilização dos contratos existentes.
A própria CCEE informou no comunicado de março que, com a reversão da liminar, os efeitos dos ajustes correspondentes seriam percebidos a partir da contabilização e liquidação financeira de abril. Portanto, com base nos documentos divulgados, não é possível afirmar que o montante de R$ 150,56 milhões tenha sido pago. O que se observa é que essa linha judicial deixou de aparecer na composição de abril, enquanto outro CNPJ, a Electra Energia Digital, passou a figurar entre os principais inadimplentes.
A adimplência percebida pelos credores também recuou. Em março, considerados os efeitos regulatórios que especificam os rateios de inadimplência, os agentes credores do MCP perceberam adimplência próxima de 86,5%. Em abril, esse percentual caiu para 81,3%.
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