FAO alerta para riscos crescentes de doenças animais transfronteiriças
Fonte: news.un.org | Data: 16/06/2026 01:15:04
FAO alerta para riscos crescentes de doenças animais transfronteiriças
Aumento da circulação de animais, pessoas e produtos impulsiona propagação de doenças entre regiões do mundo; as patologias representam riscos para a segurança alimentar, o comércio e os meios de subsistência.
O aumento da propagação de doenças animais transfronteiriças tem aumentado a pressão sobre os sistemas de prevenção e resposta dos países, que enfrentam a disseminação de doenças e pragas com maior rapidez.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, sublinha o risco de doenças como a gripe aviária, a febre aftosa, a peste suína africana, bem como outras ameaças zoonóticas emergentes, como o hantavírus dos Andes, o Ébola e o vírus Nipah.
O setor pecuário sustenta mais de mil milhões de pessoas
De acordo com a FAO, os setores pecuários globais sustentam mais de mil milhões de meios de subsistência e contribuem com biliões de dólares em valor económico todos os anos.
A agência das Nações Unidas destaca que a proteção da saúde animal é crucial para os agricultores e produtores pecuários, contribuindo ainda para a segurança alimentar, o comércio, a estabilidade económica e a prosperidade rural.
Os fatores que impulsionam a propagação das doenças estão a tornar-se cada vez mais complexos, sublinha a FAO, que destaca o aumento da circulação de animais, pessoas e produtos, a alteração dos sistemas de produção, as pressões ambientais e a desigualdade na capacidade veterinária e de vigilância.
Especialistas em saúde pública continuam preocupados com a disseminação da gripe aviária para humanos
Novas ameaças exigem reforço da prevenção e vigilância
A FAO sublinha que a resposta a estas ameaças exige uma vigilância mais forte, deteção mais precoce, maior partilha de informação e uma cooperação internacional mais estreita.
Tiensin Thanawat, diretor-geral adjunto da FAO, afirmou que os impactos dos surtos não se limitam à saúde animal. Estes “perturbam a produção agrícola, o comércio e o turismo, ameaçam os meios de subsistência, aumentam os riscos para a segurança alimentar e, em alguns casos, representam riscos diretos para a saúde humana”, declarou o responsável.
Os impactos económicos das doenças animais transfronteiriças são substanciais, associados a perdas nas ordens de milhões ou biliões de dólares anuais, o que sublinha a importância da sua prevenção.
Agência apela ao investimento na saúde animal
Segundo a FAO, a prevenção e a preparação dos serviços veterinários continuam a ser os instrumentos mais eficazes e menos dispendiosos para reduzir os impactos associados aos surtos de doenças animais.
“A experiência mostra-nos de forma consistente que a prevenção e a preparação são mais eficazes e menos dispendiosas do que responder depois de um surto já se ter instalado”, afirmou Beth Bechdol, diretora-geral adjunta da FAO.
A responsável reforça a necessidade de investimento nos sistemas de saúde animal e outros meios eficazes de “proteger os meios de subsistência, apoiar o comércio, reforçar a segurança alimentar e melhorar a resiliência dos sistemas agroalimentares”, concluiu.