Viagem no tempo: estive no metrô de Roma que virou museu; vale a pena? | VEJA
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 16/06/2026 10:04:31

Fruto de um projeto tão audacioso quanto meticuloso, a Linha C do metrô de Roma está em construção há cerca de duas décadas. A cada quilômetro que ela avança pela “Cidade Eterna” – um verdadeiro sítio arqueológico, com três milênios de civilizações construídas umas sobre as outras –, se torna imprescindível conciliar modernidade e preservação. A mais nova parada desse sistema de transporte da capital romana, a Estação Colosseo Fori Imperiali, é a grande prova disso. O local fica exatamente sob o Coliseu (o maior anfiteatro já construído na Antiguidade) e exigiu, aliado a um grande trabalho de engenharia de mobilidade urbana, um esforço de escavação minucioso que se estendeu por quase dez anos. Distribuída por quatro níveis com até 32 metros de profundidade, a estação, além de dar acesso às plataformas, virou um verdadeiro museu subterrâneo.
Com a sua entrada exatamente em frente ao Coliseu, a estação, inaugurada em dezembro de 2025, só requer que o turista que está visitando aquele grandioso monumento dê alguns passos a mais para conhecer o novo “ponto turístico” da cidade. A colunista, que viajou para a Itália a convite da Nomad – plataforma global aceita em mais de 180 países que oferece conta internacional, cartão de débito, chip e seguro viagem – decidiu ver de perto esta novidade e não se arrependeu. Vale muito a pena estender o passeio até a Estação Colosseo Fori Imperiali, mesmo que a intenção não seja seguir viagem pelo sistema subterrâneo de transporte. O visitante percebe, in loco, aquela velha máxima – e totalmente verdadeira – que por onde se anda em Roma, a história se sobrepõe.

Com uma arquitetura que mescla luzes e sombras, profundidades e superfícies, esta nova estação do metrô romano brinda os turistas com verdadeiras relíquias. Em vitrines e estruturas especiais estão expostos objetos domésticos, como jarras, pratos, vasos e lâmpadas de cerâmica encontrados ali durante o processo de escavação. Detalhes: todos datados dos séculos II a.C. e I a.C.. Há ainda poços de pedra, baldes suspensos e ferramentas da vida diária romana naquela época (II a.C.). Durante a construção da Colosseo-Fori Imperiali, os operários também se depararam com as ruínas de uma piscina de água fria e de um banho termal que fazia parte de uma residência do século I.

Como algumas peças em exposição ficam em pavimentos diferentes daquela estação do metrô, o ideal é que o visitante compre um bilhete padrão (custa € 1,50 e vale por 100 minutos; o metrô romano funciona das 5h30 até 1h30 da manhã), mesmo que não tenha a intenção de seguir viagem por ali. Além das vitrines, os ambientes contam com telões que exibem os vídeos do processo de escavação do lugar. O material ainda ajuda a contar a história da capital romana e da complexidade desse tipo de obra em uma cidade que tem em seu subsolo – literalmente – um museu que não para de crescer e surpreender.

Com um subterrâneo tomado por resquícios da Roma imperial e medieval, fazer escavações na capital romana, de fato, é como atravessar séculos de história e envolve uma logística complexa. “O desafio era construir a linha sob um lençol freático tão grande e, ao mesmo tempo, salvar todos os achados arqueológicos encontrados durante as escavações, além de preservar tudo o que está acima”, explicou Marco Cervone, gerente de construção do consórcio responsável pela linha de metrô. Detalhe: Ao longo da expansão de toda a Linha C do metrô, foram encontrados mais de 500 mil artefatos, dos quais uma parte foi incorporada à exposição da estação. Junto com os valores arqueológico e cultural, a Estação Colosseo Fori Imperiali tem um papel estratégico na malha subterrânea da cidade: é um ponto de integração com a Linha B, que permite conexão direta nos sentidos de Termini e Laurentina.

Ainda na Linha C do metrô de Roma, também existe outra estação que será convertida em museu: a Porta Metronia, localizada a uma parada da estação do Coliseu e a uma profundidade de 30 metros. Neste ponto do subsolo da cidade, as escavações revelaram a estrutura de um quartel militar de quase 80 metros de comprimento, datado do início do século II, encontrado a uma profundidade entre 7 e 12 metros, segundo Simona Moretta, diretora científica daquela escavação. “A certeza de que se tratava de um edifício militar reside no fato de as entradas dos cômodos não estarem frente a frente, mas sim deslocadas, permitindo que os soldados saíssem e se alinhassem sem se encontrar no corredor”, acrescentou Moretta.

Durante esta obra também foram encontradas as ruínas de uma casa com afrescos e mosaicos bem preservados. A ideia, pelo que os funcionários do metrô daquele ponto informam, é que estas ruínas possam ser vistas pelo público a partir de setembro. Por enquanto, parte dessa estrutura é visível apenas por um grande painel de vidro.

A Linha C do metrô de Roma terá no total 31 estações, das quais três quartos já estão em operação, e seu custo deve chegar a 7 bilhões de euros. A obra gigantesca, cuja conclusão está prevista para 2035, seguirá por baixo de outros importantes patrimônios culturais, como a Coluna de Trajano e a Basílica de Maxêncio, o maior edifício do Fórum Romano. O projeto ainda engloba os subterrâneos de palácios renascentistas e igrejas de Roma. A próxima parada da linha é a Piazza Venezia, no coração do centro de Roma. Os vagões do metrô chegarão a 48 metros de profundidade quando o trecho for inaugurado, em 2033. As descobertas arqueológicas vêm tornando o trajeto diário dos passageiros uma verdadeira vivência turística e histórica. Passado e futuro, neste caso, seguem juntos.

A colunista viajou a convite da Nomad, uma plataforma conhecida por tornar os serviços financeiros globais mais democráticos e acessíveis. O cartão Nomad é aceito em mais de 180 países para compras virtuais e presenciais e permite saques em caixas eletrônicos (ATMs). Além do cartão de débito, a fintech oferece opções de conta internacional (sem taxa de abertura nem taxa mensal de manutenção), chip e seguro viagem. Possui mais de 3,5 milhões de clientes ativos.
Siga também no Instagram @omundodesofia_cerqueira Com o olhar cultivado em redações por mais de 30 anos, convido você a viajar pelo mundo, por aqui. Nesse amplo e diversificado roteiro, cabem um destino encantador, uma suíte especial, uma experiência única, uma curiosidade do setor e tudo mais que possa instigar quem está de malas prontas ou sonha em pôr o pé na estrada.