Agro pressiona governo para novas regras para antimicrobianos
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 16/06/2026 17:41:00

A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Na tentativa de acelerar as negociações com a União Europeia e evitar futuras restrições comerciais, entidades do agronegócio brasileiro solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal. O pedido foi encaminhado ao Ministério da Agricultura pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) no último dia 11.
A proposta prevê novas medidas o setor avícola e de bovinos. A partir de 3 de setembro, a União Europeia passará a exigir garantias adicionais dos países exportadores para comprovar o controle dessas substâncias na produção animal. Entre os produtos potencialmente afetados pelas novas exigências estão carne bovina, carne de frango, pescado, mel, tripas e carne equina.
O principal desafio do Brasil tem sido demonstrar formalmente às autoridades europeias que os sistemas oficiais de fiscalização e controle já atendem aos requisitos estabelecidos pela legislação do bloco. Agora, porém, o próprio setor exportador defende um passo adicional.
No documento encaminhado ao governo, ABPA e Abiec argumentam que a adoção de novas restrições pode fortalecer a posição brasileira nas negociações internacionais e ampliar a credibilidade sanitária do país. Para a avicultura, as entidades propõem ampliar limitações já existentes para derivados da fosfomicina e estender medidas semelhantes a moléculas como enramicina, avilamicina e flavomicina. Na pecuária bovina, o pedido inclui novas restrições a substâncias utilizadas como melhoradores de desempenho, além da inclusão de moléculas como monensina sódica, salinomicina, lasalocida e narasina.
Por enquanto, o Brasil ainda não integra a lista de países reconhecidos pela União Europeia como aptos a atender às novas exigências. O governo federal trabalha para apresentar, até setembro, as garantias solicitadas pelo bloco, que são a comprovação das restrições ao uso de antimicrobianos.
Aliás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira (16) na cúpula do G7, na França, e tratou do assunto. Segundo nota publicada pelo Palácio do Planalto, durante a reunião, os três “comprometeram-se a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia”.
Sobre o novo pleito apresentado pelas entidades do setor, o Ministério da Agricultura não se manifestou à coluna.