PT insistirá em vincular Master a Flávio mesmo após ação contra Jaques
Fonte: metropoles.com | Data: 19/06/2026 05:03:14

Mesmo após a operação da Polícia Federal (PF) dessa quinta-feira (18/6), que apura irregularidades envolvendo o Banco Master e teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o Partido dos Trabalhadores (PT) deve manter a estratégia de associar o escândalo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo integrantes do alto escalão do partido, o caso, inegavelmente, dá munição aos bolsonaristas.
Ainda assim, a tática da sigla e da campanha de Lula à reeleição seguirá sendo a de vincular Flávio a Vorcaro e, ao mesmo tempo, dissociar o presidente Lula de Wagner, sob o argumento de que o senador disputa uma vaga ao Senado, e não ao Palácio do Planalto.
Outro ponto defendido por petistas é que, na eleição de outubro, o adversário direto de Flávio será Lula, e não Jaques Wagner, além de ressaltarem que o presidente não tem ligação com Vorcaro.
A aposta, portanto, seguirá sendo apelidar o escândalo de “BolsoMaster” e explorar informações reveladas inicialmente pelo site The Intercept Brasil, segundo as quais Flávio mantinha relação com o dono do Banco Master e teria feito pedidos relacionados ao patrocínio da cinebiografia sobre seu pai, o filme “Dark Horse”.
O partido também pretende reforçar que o senador negou publicamente essa relação horas antes de o caso vir a público.
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Em entrevista à Band News na tarde de quinta-feira, Jaques afirmou que recebeu uma ligação do presidente Lula após a operação e que o chefe do Planalto manifestou apoio e confiança. Segundo ele, Lula se solidarizou e pediu que permanecesse firme diante das acusações.
“O presidente Lula ligou pra mim pra se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. Temos uma relação de mais de 40 anos, portanto sabe meu jeito de agir. Se eu tivesse qualquer esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia. Ele só ligou para dizer: ‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’”, relatou.
Jaques Wagner ainda afirmou que continuará no cargo de líder do governo no Senado e que mantém sua pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026: “Espero ser reeleito”. Aliados apostam na permanência no cargo, mas auxiliares próximos de Lula defendem que ele peça demissão para evitar desgastes em ano eleitoral.


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Senador Jaques Wagner foi alvo de operação da PF
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA)
Antônio Cruz/Agência Brasil

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Senador Jaques Wagner foi alvo de operação da PF
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
A operação
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Os investigadores buscam esclarecer se o senador atuou em favor de pautas de interesse da instituição no Congresso Nacional, entre elas uma proposta de ampliação do crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Em contrapartida, a PF suspeita que Jaques possa ter recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e outros benefícios que, somados, chegariam a pelo menos R$ 3 milhões.
Durante a operação, investigadores apreenderam US$ 55 mil em espécie (R$ 285 mil) — sendo cerca de US$ 49 mil (R$ 255 mil) em Brasília e US$ 6 mil (R$ 31 mil) em Salvador — além de 33,5 mil euros (R$ 199 mil). Também foram recolhidos mais de dez relógios.
Além de Wagner, um dos principais alvos desta fase é o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A investigação tem como base mensagens extraídas do celular de Lima.
Entre os supostos benefícios indevidos, a PF aponta que Jaques teria recebido ingressos para um camarote no show da cantora Taylor Swift, em São Paulo, em 2023. Os bilhetes, no valor de R$ 63.339, teriam sido adquiridos por orientação de Augusto Lima.
Respostas de Wagner
- O senador baiano disse, em nota, que não é réu e nem foi formalmente denunciado por envolvimento com o caso do Banco Master.
- Ele também afirmou que está à disposição das autoridades e acompanha os desdobramentos “com tranquilidade”.
- Sobre os valores de dólares e euros apreendidos, Jaques disse que os recursos são frutos de diárias que recebeu do Senado para viagens oficiais.
- Em entrevista à Band, Jaques Wagner disse que pediu ao ex-sócio do Master, Augusto Lima, para que compre o apartamento com a intenção de adquiri-lo posteriormente para a filha, transação que não teria se concretizado.
- “Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira”, disse nota da assessoria de imprensa do senador.
Reação de Lula
Conforme noticiou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, o presidente Lula já tem pronto o discurso que adotará ao tratar do envolvimento de Jaques Wagner na investigação.
Segundo auxiliares, Lula dirá que cabe ao senador se explicar e manterá a defesa das investigações sobre o caso Master. “O presidente não vai tirar o pé do acelerador, doa a quem doer”, afirmou, sob reserva, um influente ministro.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que Lula não pode “tirar o pé do acelerador” no apoio às investigações neste momento, sobretudo pela proximidade da campanha eleitoral, quando o caso deverá ganhar ainda mais repercussão.
Aliados e ministros avaliam que Jaques pode tomar a iniciativa de deixar a liderança do governo no Senado nos próximos dias, evitando o constrangimento de uma eventual demissão.
Pessoas próximas ao presidente também citam que, além do caso Master, a derrota do governo na tentativa de indicar Jorge Messias ao STF contribuiu para o desgaste de Jaques Wagner. O episódio foi atribuído a falhas de articulação política na liderança do Senado.
