Flávio aproveita oportunidade para dividir impacto político do caso Master
Fonte: noticiasdoplanalto.com.br | Data: 19/06/2026 07:38:19
A ação da Polícia Federal (PF) que mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), provocou uma mudança na postura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Após semanas enfrentando os desdobramentos do caso Banco Master e lidando com o desgaste, inclusive em pesquisas eleitorais, causado pela revelação de sua participação na busca de recursos para o filme Dark Horse, apoiadores de seu grupo político avaliam que, pela primeira vez desde o início do escândalo, ele não precisa mais carregar sozinho o ônus político da controvérsia.
O entorno de Flávio entende que a operação abriu espaço para uma disputa de narrativas mais favorável, pois até então ele vinha sendo um dos principais personagens vinculados ao caso.
Embora mantenha oficialmente que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro se limitou à tentativa de financiamento privado para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliados reconhecem que o tema se tornou um dos maiores desafios de sua pré-campanha.
O receio era alto diante da possibilidade de debates e entrevistas durante a eleição, onde adversários usariam o episódio para questionar sua integridade, obrigando-o a gastar tempo e recursos em defesas.
A operação contra Jaques Wagner não resolve todas as dificuldades, mas muda o cenário político, permitindo que Flávio não apenas se defenda, mas também ataque usando a mesma estratégia.
Logo após a ação da PF, o senador começou a defender publicamente a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master, afirmando nas redes sociais:
“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já!”
Apesar da insistência, é claro que a comissão provavelmente não será criada em breve, principalmente por decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Assim, a defesa de Flávio tem mais caráter retórico do que prático no momento.
Em evento em São Paulo para lançar seu programa de segurança pública, Flávio relacionou o escândalo ao PT, ressaltando que a operação desestabilizou o PT na Bahia, indicando que a impunidade será combatida.
Nos bastidores, a equipe de comunicação da campanha trabalhou para reforçar a associação entre o caso Master e o núcleo político petista na Bahia logo nas primeiras horas após a operação contra Wagner.
Embora Flávio já defendesse uma CPI e criticasse o governo ligada ao caso, a novidade é que agora ele pode explorar o tema da corrupção de forma mais agressiva.
Porém, o entorno do senador nega que a campanha se torne focada permanentemente no Banco Master. A ideia é usar essa nova situação para focar novamente em uma agenda mais positiva.
No mesmo dia da operação, lançou o programa “Brasil sem Medo” com propostas na área de segurança pública, incluindo redução da maioridade penal, castração química para estupradores e classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas.
Os aliados de Flávio reconhecem que ele continuará sob maior vigilância por disputar a Presidência, e que a crise foi desencadeada por sua conversa sobre o filme Dark Horse com Vorcaro. Já Jaques Wagner, aliado importante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não é candidato à presidência, o que implica impactos eleitorais distintos.
Entretanto, a investigação que agora inclui um dos principais aliados de Lula reduz o isolamento político de Flávio na controvérsia, enfraquecendo tentativas de associar o caso somente ao grupo bolsonarista. A expectativa é que a investigação envolva políticos de diferentes grupos na mesma narrativa pública.
O caso de Jaques Wagner
A operação da PF focou Jaques Wagner dentro das investigações sobre o Banco Master, na nona fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Wagner é líder do governo no Senado e figura chave na articulação política do governo no Congresso.
Em buscas, foram apreendidos US$ 49 mil em espécie (aproximadamente R$ 253 mil) em um imóvel vinculado a ele em Brasília. O senador explica que essa quantia é referente a diárias para missões oficiais que não foram gastas.
A decisão de Mendonça aponta Wagner como o principal beneficiário de vantagens econômicas oferecidas por membros do Banco Master em troca de sua atuação no Congresso em favor da instituição. Entre esses benefícios estariam o pagamento de um imóvel de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de jatos privados e ingressos para um show em Los Angeles que custaram cerca de R$ 63,3 mil.
