Capital cultural: como produções brasileiras alavancam a nota dos candidatos no Enem
Fonte: exame.com | Data: 19/06/2026 07:14:17
Celebrado em 19 de junho, o Dia do Cinema Brasileiro é uma oportunidade para valorizar produções que retratam a identidade, a cultura e os desafios do nosso país. Para estudantes que se preparam para o Enem e os vestibulares, essas obras também podem ser importantes fontes de repertório sociocultural, auxiliando na construção de argumentos e na ampliação do pensamento crítico.
“Muitos alunos procuram referências para utilizar nas redações e, frequentemente, recorrem a obras estrangeiras. Mas o cinema brasileiro mostra que esses repertórios também estão presentes na nossa história e na nossa cultura, com obras que ajudam os jovens a desenvolver empatia, consciência crítica e capacidade argumentativa.
Valorizar o cinema nacional é valorizar a nossa identidade e a nossa capacidade de compreender o Brasil por meio da arte”, afirma Virginie Pierin Isber, professora de Redação do Colégio Contemporâneo, da Inspira Rede de Educadores.
Em homenagem ao Dia do Cinema Brasileiro, a professora selecionou 7 filmes nacionais que podem contribuir para a construção de um bom repertório sociocultural:
Que Horas Ela Volta? (2015)
Dirigido por Anna Muylaert, o longa acompanha Val, empregada doméstica que trabalha na casa de uma família de classe média em São Paulo. A chegada de sua filha, que pretende prestar vestibular, provoca questionamentos sobre relações de poder e desigualdades naturalizadas no cotidiano.
“A obra permite discutir desigualdade social, mobilidade por meio da educação, privilégios e relações de classe. São temas frequentes em propostas de redação e debates sobre cidadania”, comenta Virginie.
Ainda Estou Aqui (2024)
Dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o filme resgata a trajetória de Eunice Paiva após o desaparecimento de seu marido durante a ditadura militar brasileira. A narrativa reforça a importância da preservação da memória histórica e da defesa dos direitos humanos.
“O filme oferece uma oportunidade valiosa para refletir sobre democracia, justiça, memória coletiva e direitos humanos. Também contribui para que os estudantes compreendam como acontecimentos históricos seguem impactando o presente”, destaca a professora.
O Agente Secreto (2025)
A produção de Kleber Mendonça Filho possibilita reflexões sobre vigilância, autoritarismo e mecanismos de controle social. Questões relacionadas à privacidade, ao papel das instituições e aos limites do poder são extremamente atuais e podem enriquecer discussões sobre cidadania e democracia.
Nem Toda História de Amor Acaba em Morte (2025)
Dirigido por Bruno Costa, o filme contribui para debates sobre diversidade, afetividade e respeito às diferenças, estimulando reflexões sobre convivência, inclusão e reconhecimento da pluralidade das experiências humanas.
“É uma obra que amplia o olhar dos estudantes sobre empatia, respeito e direitos individuais, aspectos cada vez mais presentes nas discussões sociais contemporâneas”, explica a professora.
Cidade de Deus (2002)
Um clássico do cinema nacional, o filme retrata o crescimento da violência em uma comunidade do Rio de Janeiro e evidencia os impactos da exclusão social. A obra permite discutir segurança pública, desigualdade, ausência do Estado e as consequências das vulnerabilidades sociais, oferecendo um repertório muito consistente para análises críticas.
Central do Brasil (1998)
Dora, uma ex-professora, ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Cética e distante, ela vê sua rotina mudar ao conhecer Josué, um menino que acaba de perder a mãe, e acaba embarcando com o garoto em uma viagem pelo sertão nordestino em busca do pai que ele nunca conheceu.
“A obra ressalta a importância da alfabetização, da solidariedade e da construção de pertencimento, evidenciando o papel dos vínculos humanos e da educação na transformação das trajetórias individuais”, destaca Virginie.
O Auto da Compadecida (2000)
Baseado na obra de Ariano Suassuna e dirigido por Guel Arraes, o filme valoriza a cultura popular brasileira por meio do humor e das tradições nordestinas.
“Além de reforçar a importância da identidade cultural, o longa mostra a riqueza das manifestações populares brasileiras, algo fundamental para ampliar a compreensão dos estudantes sobre a diversidade do país”, conclui.