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Entidades do setor florestal manifestam indignação com possível proibição de cavaco de madeira nativa em Mato Grosso

Fonte: olharcidade.com.br | Data: 19/06/2026 09:59:20

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Da Redação

Entidades do setor florestal manifestam indignação com possível proibição de cavaco de madeira nativa em Mato Grosso (foto: assessoria)

O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), em conjunto com oito sindicatos patronais da cadeia produtiva de base florestal, emitiu uma dura nota oficial à imprensa para manifestar profunda “perplexidade e indignação”. O posicionamento unificado ocorre após o setor receber a informação de que o Governo do Estado estaria prestes a decretar a proibição do uso de cavaco de madeira nativa — oriunda de supressão vegetal devidamente licenciada — para fins de geração de energia térmica e industrial.

As entidades argumentam que a matéria-prima utilizada é totalmente legal, amparada por licenças ambientais emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), cumpre integralmente as regras de compensação e é submetida a rígidos sistemas de rastreabilidade, como o Documento de Origem Florestal (DOF). “Em outras palavras: a mesma madeira que o próprio Estado autorizou explorar, com licenciamento, plano de manejo, taxas e fiscalização, agora não poderá ser transformada em energia limpa, em emprego e em impostos. Em pleno 2026, quando o mundo discute transição energética, bioeconomia e descarbonização, descartar milhões de toneladas de biomassa renovável é desperdiçar energia limpa, emprego e arrecadação — logo em um estado referência do agronegócio brasileiro”, destaca o manifesto.

De acordo com o documento, a proibição forçará indústrias e serrarias a queimar os resíduos de biomassa a céu aberto, o que representa um grave contrassenso ecológico por emitir gás carbônico ($CO_2$), material particulado e fuligem na atmosfera sem qualquer tipo de aproveitamento energético. O setor destaca que o cavaco atua como substituto direto de combustíveis fósseis altamente poluentes, como o gás natural e o óleo BPF, nas caldeiras de grandes complexos agroindustriais instalados em Mato Grosso, como as usinas de etanol de milho.

Impacto econômico e déficit de florestas plantadas

O levantamento técnico apresentado pelas entidades projeta prejuízos bilionários e desestruturação social. Com base em dados consolidados, Mato Grosso produziu cerca de 2,63 milhões de $m^3$ de madeira nativa manejada. Deste montante, ao menos 30% é transformado em resíduos passíveis de conversão em cavaco. A proibição deve gerar uma perda econômica estimada em R$ 400 milhões por ano entre energia, logística e tributos não recolhidos, além de impactar diretamente o sustento de mais de 12 mil famílias que dependem economicamente da cadeia produtiva de biomassa.

A nota também rebate o argumento técnico de que as florestas plantadas, como o eucalipto, teriam capacidade imediata para suprir a demanda energética do estado. Conforme dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Mato Grosso possui atualmente 120 mil hectares de cultivo florestal, enquanto as indústrias locais necessitam de 380 mil hectares para operar, gerando um déficit real de 260 mil hectares. Considerando que o ciclo de crescimento do eucalipto leva sete anos entre o plantio e a colheita, as entidades indagam o motivo de se vetar a única fonte complementar limpa disponível.

O documento é assinado de forma conjunta por Gleisson Omar Tagliari (presidente do Cipem), Flávio Salino Moreira (Simas), João Carlos Paulino Júnior (Simno), Carlos Roberto Torremocha (Sindilam), Fernando Zafonato (Sindiflora), Felipe Antoniolli (Sindusmad), Antônio Luís Benedet (Simava), Dioni Brezovsky Domiciano (Simenorte) e Claudinei Melo Freitas (Sindinorte).


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