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RN deve ter um dos menores crescimentos do Nordeste em 2026, apontam projeções do PIB

Fonte: jolrn.com.br | Data: 19/06/2026 11:34:51

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O Rio Grande do Norte deverá registrar crescimento de 1,39% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, segundo projeções divulgadas para os estados brasileiros. O desempenho coloca o estado entre os menores ritmos de expansão econômica do Nordeste, superando apenas a Bahia, cuja estimativa é de 1,34%. Enquanto isso, a Paraíba aparece na liderança regional, com previsão de crescimento de 2,33%, seguida por Maranhão (2,16%), Piauí (1,76%) e Alagoas (1,70%).

O dado chama atenção porque contrasta com a imagem frequentemente associada ao Rio Grande do Norte nos últimos anos. O estado tem atraído investimentos em energia renovável, ampliado projetos ligados ao hidrogênio verde, fortalecido o turismo e mantido participação relevante na produção de petróleo em terra. Ainda assim, esses setores não parecem suficientes para colocar a economia potiguar entre as que mais crescerão na região em 2026.

Mais do que um simples ranking econômico, a projeção levanta uma discussão sobre a capacidade do estado de transformar investimentos anunciados em crescimento efetivo da atividade econômica. O Rio Grande do Norte possui vantagens competitivas reconhecidas nacionalmente, especialmente na geração de energia eólica, mas continua enfrentando dificuldades históricas relacionadas à infraestrutura, logística, ambiente de negócios e capacidade de atração industrial.

A liderança paraibana expõe uma disputa regional

A projeção coloca a Paraíba na posição de destaque do Nordeste, com crescimento estimado em 2,33%. Segundo a análise divulgada, o desempenho paraibano é impulsionado pela combinação de investimentos públicos e privados e pelo fortalecimento de setores como construção civil, comércio, serviços e turismo.

A comparação é inevitável.

Durante décadas, estados nordestinos costumavam ser analisados como um bloco relativamente homogêneo. Hoje, as diferenças de desempenho entre eles se tornaram mais evidentes. Cada unidade da federação disputa investimentos, empresas, infraestrutura e projetos capazes de impulsionar sua economia.

Nesse cenário, a posição do Rio Grande do Norte sugere que o estado enfrenta dificuldades para converter seu potencial em crescimento acima da média regional.

O desafio não é crescer, mas acelerar

Uma expansão de 1,39% não significa estagnação econômica. O estado continua projetando crescimento para 2026. O problema é que o ritmo previsto fica abaixo de boa parte dos vizinhos nordestinos.

Em economia, a velocidade importa.

Estados que crescem mais rapidamente tendem a atrair novos investimentos, ampliar arrecadação, gerar empregos e criar condições mais favoráveis para ciclos futuros de expansão. Já aqueles que avançam em ritmo menor correm o risco de perder competitividade relativa dentro da própria região.

O desafio potiguar passa justamente por essa questão. O estado possui setores promissores, mas ainda busca uma estratégia capaz de transformar esses ativos em crescimento econômico mais robusto e permanente.

A energia renovável ainda não se converteu em desenvolvimento proporcional

O Rio Grande do Norte lidera a geração de energia eólica no Brasil e aparece frequentemente entre os protagonistas dos debates sobre transição energética. O estado também tenta se posicionar como um dos polos nacionais do hidrogênio verde.

A expectativa natural seria que esse protagonismo se refletisse em taxas de crescimento mais elevadas.

Entretanto, a geração de energia, por si só, não garante expansão econômica ampla. O impacto depende da capacidade de criar cadeias produtivas locais, atrair indústrias associadas, gerar empregos qualificados e estimular novos investimentos ao redor dos projetos energéticos.

A projeção para 2026 sugere que essa transformação ainda ocorre em ritmo mais lento do que o esperado.

O Nordeste cresce, mas em velocidades diferentes

O levantamento mostra que todos os estados nordestinos devem apresentar crescimento positivo em 2026. A diferença está na intensidade dessa expansão. Enquanto alguns conseguem combinar investimentos públicos, dinamismo do setor de serviços e atração de novos empreendimentos, outros avançam em ritmo mais moderado.

Para o Rio Grande do Norte, a posição no ranking funciona menos como um diagnóstico definitivo e mais como um alerta.

O estado possui vantagens naturais, localização estratégica, potencial turístico e protagonismo energético. A questão que a projeção levanta é outra: por que esses ativos ainda não estão produzindo um crescimento econômico comparável ao dos estados que lideram a região?

A verdadeira disputa é por competitividade

Os números projetados para 2026 mostram que a economia nordestina continua avançando. Mas também revelam que a competição entre os estados está cada vez mais ligada à capacidade de transformar potencial em resultado concreto.

No caso potiguar, o crescimento previsto de 1,39% coloca o estado em uma posição desconfortável dentro do próprio Nordeste.

A verdadeira notícia não é apenas o percentual projetado. É o fato de que o Rio Grande do Norte, mesmo reunindo algumas das principais apostas econômicas do país para as próximas décadas, continua crescendo abaixo de boa parte de seus vizinhos. A pergunta que fica para 2026 não é se o estado crescerá. A pergunta é por que ele continua crescendo menos do que poderia.