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Uma noite no zoológico | Super

Fonte: super.abril.com.br | Data: 19/06/2026 12:09:57

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Elefante asiático adulto com presas longas e brancas, em pé sobre grama e terra, com árvores escuras ao fundo e iluminação artificial destacando o animal.

 (Ziga Plahutar/Getty Images)

Carta ao Leitor da edição 488, de junho de 2026.

Uma das minhas memórias favoritas da escola é a de uma excursão que fizemos ao zoológico. De noite.

Eu devia ter uns 8 ou 9 anos e já gostava de ciência (obrigado, revista Recreio). Foi como visitar a casa do Zoboomafoo. Ouvi com atenção as explicações do guia, observei os hábitos noturnos de grandes felinos e comi um lanche em plena madrugada ao som das corujas.

Ok, talvez não fosse de fato madrugada. Não desejo a nenhum professor cuidar de 50 crianças depois das 11 da noite. Seja como for, saí de lá decidido a virar cientista. Voltei ligadão no ônibus, para o azar dos meus pais.

O tempo passou e o meu desempenho nas aulas de física, química e biologia mostrou que eu talvez não desse pra coisa. Segui a vida descrevendo as sinapses de gente com mais aptidão para trabalhar em um laboratório ou catalogar espécies no meio da Amazônia. E estou muito feliz assim.

Visitei novamente um zoológico já mais velho, e o fascínio deu lugar um certo desconforto. Ainda foi muito legal ver o recinto das girafas, claro. Mas não pude deixar de pensar se todos os animais ali viviam em boas condições.

Quatro mamíferos que são venenosos (sim, isso existe)

Lembrei dessa história quando a repórter Bela Lobato sugeriu a capa deste mês. Os zoológicos estavam no nosso radar há um tempo, e sabíamos que era um tema delicado. A Bela decidiu encarar e, como sempre, apurou o suficiente para escrever um livro.

Ativistas que defendem o fim dos zoos têm pontos relevantes, que merecem ser discutidos. A reportagem  traz todos eles, mas também mostra como essas instituições, se bem estruturadas, podem ajudar na conservação animal e funcionar como um farol de conscientização para a sociedade.

Em 1986, a cientista Jane Goodall (1934-2025) ajudou a organizar uma palestra sobre chimpanzés no Lincoln Park Zoo, em Chicago (EUA). E ficou chocada ao ouvir o relato de outros pesquisadores sobre a dimensão do problema do desmatamento e das condições de vida dos macacos usados em laboratórios.

A partir dali, Jane deixou de se dedicar a pesquisa e passou a viajar o mundo para desenvolver programas de conservação. “Eu fui [à conferência] como cientista. Saí como ativista”, disse ela em uma entrevista anos depois.

Uma das grandes pesquisadoras do século 20, que passou décadas nas florestas da África e revolucionou os estudos com primatas, confessou ter sido impactada por discussões que ouviu em um… zoológico. Haja potencial.

Desde o fim de maio, a Superinteressante tem um programa de TV: o Mundo Super. Toda semana, vamos te contar as notícias mais instigantes e relevantes da ciência (e de todas as outras áreas do conhecimento que você se acostumou a ler aqui).

O Mundo Super vai ao ar todo domingo, às 15h, no Veja+TV, o canal da Abril disponível em Smart TVs. É um programa para todos. Para o Rob-son Vilanova Ilha, um dos campeões de perguntas do “Oráculo”. Para o Marcos Paulo Corrêa, que lê a Super há décadas e se emocionou quando a irmã o presenteou com um CD-ROM da revista. E para qualquer um que deseja entender mais sobre o mundo – e todas as espécies que vivem nele.

Te espero lá 😉

Rafael Battaglia Popp

Editor-chefe

rafael.popp@abril.com.br

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