Filho do ex-prefeito foragido Bebeto de Choró é preso pela PF
Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 25/06/2026 01:44:00

Superintendência da Polícia Federal
O filho do prefeito de Choró, Carlos Alberto Queiroz Pereira, o Bebeto de Choró, foi preso pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira, 24 de junho. Daniel Queiroz foi preso em flagrante pelo crime de lavagem de dinheiro.
Outros familiares de Bebeto do Choró também seriam alvos. Em 2024, Daniel Queiroz compareceu à diplomação do pai como prefeito de Choró após uma procuração autorizar que o filho o representasse na cerimônia. Foram apreendidos documentos que serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
A PF e o MPE, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, realizaram o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza, no âmbito da investigação criminal conjunta contra o ex-prefeito de Choró. As diligências continuaram ao longo do dia.
O POVO entrou em contato com a defesa do político, mas não houve retorno até o fechamento.
Bebeto segue foragido desde o dia 5 de dezembro de 2024, quando a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão preventiva, na Operação Vis Occulta.
Bebeto chegou a ser preso depois da eleição do ano passado, em outra ação do Ministério Público. Foi solto e, dias depois, quando as autoridades foram buscá-lo novamente em outra operação, já não o encontraram. Desde então, o paradeiro segue desconhecido e as investigações prosseguem em diferentes esferas.
Bebeto Queiroz foi eleito prefeito de Choró em outubro do ano passado, com 5.971 votos, percentual de 61,1%, em disputa contra o Professor Antonio Delmiro (PT), que 3.801 votos (38,9%).
Em 22 de novembro de 2024, Bebeto foi alvo da operação Ad Manus, realizada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) para investigar possíveis fraudes em contratos para abastecimento de combustível em veículos da Prefeitura do Município.
O prefeito na época, Marcondes Jucá (PT), foi preso e afastado. Bebeto Queiroz, então sucessor eleito, foi alvo de mandato. Ele se entregou à Polícia Civil e foi preso na Delegacia de Capturas (Decap) na tarde do dia seguinte, o sábado, 23 de novembro de 2024.
Em 5 de dezembro de 2024, Bebeto se tornou alvo de outra operação, a Vis Occulta, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Desde então, o prefeito se encontra foragido.
Bebeto do Choró está foragido em função de um inquérito da PF que investiga suposta compra de votos e um esquema que envolveria mais de 51 prefeituras, com a lavagem de dinheiro de emendas parlamentares.
As investigações começaram em setembro de 2024 e revelaram um suposto esquema de financiamento eleitoral criminoso em Canindé, distante 106 km de Fortaleza, com a oferta de vantagens materiais e financeiras a eleitores em troca de votos.
No dia 26 daquele mês, a então prefeita de Canindé, Rozário Ximenes, foi ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e fez as denúncias. Ela relatou estar sendo alvo de ameaças do então candidato, que estaria oferecendo dinheiro a eleitores e vereadores para votarem em Professor Jardel (PSB) para prefeito contra Kledeon Paulino (Republicanos), candidato que a então prefeita apoiava.
A ex-prefeita relatou ainda que Bebeto teria R$ 58 milhões que seriam usados para interferir nas eleições em 51 municípios do Ceará.
Além do financiamento eleitoral ilegal, é investigada suposta relação do prefeito afastado com a facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Há informação sobre áudio com ameaças a apoiador de um rival de Jardel em Canindé. O número de onde partiram as ameaças pertenceria à mulher suspeita de ser uma das maiores traficantes da região, e que teria ativa participação na campanha no Município.
Com o caso, a Prefeitura de Choró vinha enfrentando instabilidades desde 2024. Após Bebeto ser considerado foragido, o Município foi administrado interinamente pelo presidente da Câmara, o vereador Paulo George Saraiva, o Paulinho (PSB).
Em agosto do ano passado, o Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) cassou o diploma de Bebeto e do vice-prefeito eleito Bruno Jucá Bandeira por abuso de poder político e econômico durante o período eleitoral de 2024. Assumiu, então, Paulinho, que governou até vencer a eleição suplementar, que ocorreu em 1º de março de 2026.