Empresário leva golpe após investir R$ 9 milhões em distribuidora de medicamentos em Palmas
Fonte: portalgildabonfim.com.br | Data: 25/06/2026 08:10:56
Notícias de Palmas – Um suposto esquema de estelionato e lavagem de dinheiro que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 9 milhões a um empresário do ramo farmacêutico foi alvo de uma operação realizada nesta quarta-feira (24/06) no Tocantins, Goiás e Pará.
Batizada de Operação Dolos, a ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão contra investigados suspeitos de integrar uma associação criminosa que teria utilizado empresas, pessoas interpostas e sucessivas transferências bancárias para ocultar a origem e o destino dos recursos.
Durante as buscas, foram apreendidos documentos, produtos ligados à indústria farmacêutica, armas de fogo, veículos, incluindo um modelo importado de alto valor, jet skis e outros bens que poderão ser usados para eventual ressarcimento da vítima.
A Justiça também autorizou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de bens móveis e imóveis, a restrição de transferência de veículos e embarcações, além da quebra de sigilo de dados e da extração de informações dos dispositivos eletrônicos apreendidos.
Homem é preso com arma em chácara
Durante o cumprimento dos mandados, um homem identificado pelas iniciais J.F.S.S. foi preso em uma chácara na zona rural de Palmas.
Segundo a Polícia Civil, ele estava com uma pistola calibre .380 e foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Após a prisão, o investigado foi levado para a Central de Atendimento da Polícia Civil, onde foram realizados os procedimentos legais.
Promessa de participação em licitações
A investigação começou depois que um empresário do Paraná procurou a Polícia Civil e relatou ter sido convencido a investir recursos em uma distribuidora de medicamentos com sede em Palmas.
Conforme o relato, a empresa participaria de licitações públicas para fornecer medicamentos a órgãos dos estados da Bahia e do Acre.
A vítima fez aportes que, somados, chegaram a aproximadamente R$ 9 milhões. O dinheiro deveria ser utilizado na compra dos medicamentos necessários para cumprir os contratos públicos.
As investigações apontam, porém, que os produtos não foram adquiridos e que os valores teriam sido desviados para outras finalidades.
Dinheiro teria financiado bens de alto padrão
Segundo a 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Palmas, a 1ª DEIC, o principal investigado utilizava uma estrutura empresarial considerada complexa para dificultar o rastreamento dos recursos.
O grupo teria movimentado o dinheiro por meio de empresas do setor farmacêutico, terceiros e sucessivas transferências financeiras.
Parte dos valores teria sido usada para comprar veículos de alto padrão, imóveis, embarcações e participação em outras empresas.
A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos, reforçando os indícios de lavagem de dinheiro.
Com autorização judicial, os policiais analisaram dados bancários e conseguiram reconstruir parte do fluxo financeiro e identificar o suposto mecanismo usado para esconder o patrimônio.
Bens poderão ressarcir vítima
Além da coleta de novas provas, as medidas autorizadas pela Justiça têm como objetivo impedir que os bens sejam vendidos ou transferidos antes da conclusão da investigação.
Caso fique comprovado que o patrimônio foi adquirido com recursos desviados, os bens poderão ser utilizados para reduzir o prejuízo sofrido pelo empresário.
Os materiais apreendidos, incluindo documentos e aparelhos eletrônicos, serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos, individualizar as condutas e localizar o restante dos valores.
Investigado já havia sido alvo de outra operação
Um dos principais investigados, identificado pelas iniciais J.F.S.S., também foi alvo da Operação Ruach, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Tocantins.
A operação anterior investiga supostas irregularidades na compra de respiradores mecânicos pela Prefeitura de Gurupi durante a pandemia da Covid-19.
Naquele caso, os órgãos de controle apuram suspeitas de superfaturamento e contratação irregular envolvendo recursos públicos destinados à saúde.
O fato de o investigado ter sido alvo de outra operação não significa, por si só, que tenha sido condenado em qualquer dos casos. As investigações seguem em andamento.
Operação em três estados
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas e cumpridos simultaneamente no Tocantins, Goiás e Pará.
A ação contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás e do Gaeco do Ministério Público do Tocantins.
A Operação Dolos integra a mobilização nacional Brasil Contra o Crime Organizado, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo o delegado Wanderson Chavez de Queiroz, responsável pela investigação, o nome “Dolos” tem origem grega e significa fraude, ardil ou engano deliberado, em referência ao método que teria sido utilizado para convencer a vítima a investir os recursos.
As investigações continuam.
Fonte: AF Noticias