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Após caso Master, Digimais aumenta pressão sobre FGC – Finsiders Brasil

Fonte: finsidersbrasil.com.br | Data: 25/06/2026 11:37:10

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O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) pode enfrentar uma pressão adicional após o caso Digimais, banco digital ligado ao bispo Edir Macedo e alvo de investigação por suspeita de fraude. A operação, deflagrada na terça-feira (23/06) pela Polícia Federal (PF), reforçou as apostas de uma possível liquidação da instituição pelo Banco Central (BC). Caso isso ocorra, novas indenizações aos clientes ampliariam o impacto sobre os recursos do fundo.

Segundo a PF, há indícios de que dirigentes do Banco Digimais tenham manipulado balanços e registros contábeis. A investigação busca esclarecer se as alterações foram utilizadas para mascarar a condição financeira da instituição.

Procurado pelo Finsiders Brasil, o FGC informou que não comenta situações envolvendo instituições associadas e que não pode se manifestar sobre o caso sem a decretação da liquidação.

Rombo bilionário

Os problemas do banco digital ocorrem em meio a um crescente número de instituições liquidadas, em sua maioria ligadas ao Banco Master. As liquidações somam um rombo de R$ 51,8 bilhões no caixa do FGC

Imagem gerada por IA/Chat GPT

Como o Finsiders Brasil mostrou, o FGC precisou cobrir montantes relacionados às liquidações do Banco Master, do Will Bank, do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Intercap DTVM, entre o fim de 2025 e o início deste ano.

Esse total resulta da soma de três frentes. A maior parcela vem do Banco Master, com R$ 40,6 bilhões. Em seguida aparece o Will Bank, com valor estimado em R$ 6,3 bilhões. Já o Banco Pleno responde por outros R$ 4,9 bilhões, conforme os números divulgados pelo próprio fundo. 

De acordo com informações do fundo, o FGC registrava patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões no final de 2025, considerando o déficit de R$ 17,1 bilhões no exercício, decorrente da provisão para pagamento de garantias. 

Digimais e Banco Master: táticas semelhantes

Depois que a operação foi deflagrada, a PF afirmou para a imprensa que o Digimais utilizou a mesma estratégia usada pelo Banco Master ao aproveitar a proteção do FGC. No caso do banco de Daniel Vorcaro, a PF cita um modelo de captação no varejo, com emissão de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e outros títulos oferecidos a pessoas físicas, com taxas acima da média de mercado e uso da garantia do FGC como fator de atração.

Assim como no caso Master, o Digimais também passou a ser investigado por possível emissão de títulos com rentabilidade acima dos parâmetros de mercado. Segundo o balanço do banco do segundo semestre de 2025, a principal fonte de recursos eram os depósitos a prazo captados via emissão de CDBs e Letras Financeiras Subordinadas (LFS). As demonstrações financeiras apontam pouco mais de R$ 8,5 bilhões em CDBs emitidos. Como o FGC só cobre investimentos até R$ 250 mil, o saldo coberto deve ser menor em caso de liquidação.

Nova resolução

Após os escândalos, o BC publicou uma nova resolução alterando as regras de contribuição dos bancos ao FGC. As novas diretrizes, que passaram a vigorar de forma gradual a partir deste mês, incluem a forma de calcular as contribuições ao fundo, mais poder do FGC para exigir aportes extras e mais transparência sobre sua exposição.

As mudanças também estabelecem procedimentos mais claros para envio de informações e servem para acelerar o início dos pagamentos aos investidores cobertos pela garantia. Além disso, buscam alterar métricas técnicas usadas para medir a capacidade financeira das instituições e o risco que representam ao sistema.