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Apreensão histórica escancara o avanço do comércio proibido de vapes no Brasil

Fonte: nsctotal.com.br | Data: 25/06/2026 14:57:55

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Operação Rede de Fumaça atinge em cheio o mercado ilegal de cigarros eletrônicos e acende alerta sobre o tamanho do contrabando no país

Ação conjunta entre órgãos federais resultou no recolhimento massivo de dispositivos eletrônicos para fumar que entraram irregularmente em território nacional (Foto: Divulgação, Receita Federal)

Mesmo com a proibição batendo na porta, os cigarros eletrônicos continuam invadindo o mercado, mas uma megaoperação acendeu o alerta contra o contrabando no Brasil. A Anvisa e a Receita Federal apreenderam mais de 25 mil vapes de uma só vez durante a Operação Rede de Fumaça. A apreensão histórica escancara o tamanho do mercado ilegal que abastece o comércio clandestino e desafia as autoridades no combate aos riscos desses dispositivos para a saúde pública.

FOTOS: Por que os vapes seguem proibidos e os riscos que eles representam para a saúde pública no Brasil

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Apesar de proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos continuam sendo encontrados com facilidade no mercado clandestino. A recente apreensão de mais de 25 mil dispositivos evidencia a dimensão desse comércio ilegal. (Foto: Banco de Imagens)

A venda, a fabricação, a importação, o armazenamento, o transporte e a publicidade de cigarros eletrônicos permanecem proibidos no país por decisão da Anvisa, que manteve as restrições após reavaliar as evidências científicas. (Foto: Banco de Imagens)

Conhecidos como vapes, pods ou cigarros eletrônicos, os dispositivos costumam ser vendidos em diferentes modelos, cores e sabores, características que ajudam a ampliar sua popularidade, principalmente entre os mais jovens. (Foto: Banco de Imagens)

Especialistas alertam que a aparência tecnológica e a diversidade de essências podem transmitir uma falsa sensação de segurança, embora os dispositivos contenham substâncias potencialmente nocivas à saúde. (Foto: Banco de Imagens)

Estudos analisados por autoridades sanitárias apontam que os aerossóis produzidos pelos cigarros eletrônicos podem conter nicotina e outros compostos tóxicos, capazes de provocar danos ao organismo e favorecer a dependência química. (Foto: Banco de Imagens)

O avanço do consumo entre adolescentes e jovens adultos preocupa órgãos de saúde pública, que veem nos cigarros eletrônicos uma porta de entrada para a dependência precoce da nicotina. (Foto: Banco de Imagens)

Mesmo proibidos, os vapes continuam chegando ao consumidor por meio de rotas de contrabando, comércio informal e vendas em plataformas digitais, dificultando o trabalho dos órgãos de fiscalização. (Foto: Banco de Imagens)

Além dos riscos à saúde, o mercado clandestino de cigarros eletrônicos também gera prejuízos econômicos, com sonegação de impostos e fortalecimento de redes de comércio ilegal investigadas pelas autoridades. (Foto: Banco de Imagens)

Operações conjuntas entre Receita Federal, Anvisa e outros órgãos buscam desarticular toda a cadeia de distribuição dos dispositivos, desde a entrada irregular no país até os pontos finais de venda. (Foto: Banco de Imagens)

Para especialistas, o combate ao mercado ilegal depende não apenas da fiscalização, mas também de campanhas de conscientização capazes de informar a população sobre os riscos dos cigarros eletrônicos e reduzir a procura pelos produtos. (Foto: Banco de Imagens)

A ofensiva ocorreu em diferentes estados e no Distrito Federal (DF) e faz parte de uma estratégia nacional para interromper a entrada, a distribuição e a comercialização de produtos cuja venda permanece vetada no país.

Para as autoridades, a quantidade de itens apreendidos revela a força de uma cadeia clandestina que continua crescendo apesar das restrições impostas pela legislação sanitária.

Operação mira toda a cadeia de distribuição dos vapes

Diferentemente de fiscalizações pontuais em lojas, a Operação Rede de Fumaça foi estruturada para atingir diferentes etapas do comércio ilegal.

O trabalho envolve o rastreamento de importadores, distribuidores, depósitos e pontos de venda que abastecem o mercado clandestino. Para isso, órgãos federais utilizam cruzamento de dados aduaneiros, tributários e sanitários para identificar rotas de entrada e circulação dos produtos.

Segundo a Anvisa, a meta é enfraquecer toda a rede responsável por colocar cigarros eletrônicos à disposição dos consumidores brasileiros, especialmente em centros comerciais e plataformas digitais.

Proibição continua valendo em todo o país

A comercialização dos dispositivos eletrônicos para fumar permanece proibida no Brasil.

A restrição foi mantida pela RDC nº 855/2024, que reforçou o veto à fabricação, importação, armazenamento, transporte, distribuição, venda e publicidade desses produtos.

Na prática, isso significa que qualquer cigarro eletrônico encontrado à venda em lojas físicas, sites ou redes sociais está sendo comercializado de forma irregular.

Apesar disso, especialistas apontam que a popularização dos vapes nos últimos anos impulsionou um mercado paralelo que movimenta milhões de reais e desafia constantemente os órgãos de fiscalização.

Crescimento do consumo entre jovens preocupa autoridades

Além da questão econômica, a operação tem como principal justificativa a proteção da saúde pública.

A Anvisa sustenta que ainda não existem evidências suficientes para garantir a segurança dos cigarros eletrônicos. Estudos analisados pela agência identificaram a presença de substâncias potencialmente tóxicas nos aerossóis inalados pelos usuários.

Outro fator que preocupa é o avanço do consumo entre adolescentes e jovens adultos.

Estudo publicado em Cadernos de Saúde Pública aponta que os dispositivos ganharam popularidade principalmente por causa dos sabores, da aparência tecnológica e da percepção equivocada de que seriam menos prejudiciais do que o cigarro convencional.

Para especialistas de instituições como o INCA e a Fiocruz, esse cenário aumenta o risco de dependência precoce da nicotina e pode contribuir para a formação de uma nova geração de consumidores de produtos derivados do tabaco.

Contrabando e sonegação também estão na mira

A Receita Federal alerta que o comércio ilegal de cigarros eletrônicos não gera apenas impactos sanitários. Grande parte dos produtos entra no país por rotas de contrabando ou sem recolhimento dos tributos devidos, provocando prejuízos à arrecadação pública.

As investigações também buscam identificar possíveis conexões entre a distribuição dos dispositivos e organizações criminosas que atuam em esquemas de importação irregular de mercadorias.

Por esse motivo, operações desse tipo costumam envolver ações conjuntas entre órgãos de fiscalização, inteligência e segurança pública.

Fiscalização e conscientização caminham juntas

Para as autoridades, apreensões isoladas não são suficientes para conter o avanço do mercado clandestino.

A avaliação da Anvisa é que a redução da circulação dos cigarros eletrônicos depende também de campanhas educativas voltadas especialmente ao público jovem, principal alvo das estratégias de marketing utilizadas pelo setor.

A expectativa é que a combinação entre fiscalização, apreensões e conscientização dificulte a expansão do mercado ilegal e reduza a procura por produtos que continuam proibidos no Brasil.

A apreensão de mais de 25 mil dispositivos na Operação Rede de Fumaça mostra que o desafio permanece longe de ser resolvido. Ao mesmo tempo, sinaliza que a fiscalização federal deve continuar intensificando o cerco a um mercado que cresce à margem da regulamentação e segue preocupando autoridades sanitárias em todo o país.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.