Mercado de trabalho aquecido leva taxa de subutilização ao menor nível histórico, segundo IBGE
Fonte: pagina1.com.br | Data: 26/06/2026 13:53:36
O mercado de trabalho brasileiro demonstrou um aquecimento notável, resultando na menor taxa de subutilização já registrada, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice atingiu 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio, um marco histórico para o país.
Com esse resultado, a taxa de 13,3% superou o recorde anterior de 13,4%, que havia sido observado no último trimestre de 2025, indicando uma melhora contínua.
A série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), serve como base para a análise desses indicadores.
A Pnad Contínua investiga o comportamento de indivíduos com 14 anos ou mais no mercado de trabalho, abrangendo diversas modalidades de ocupação, como empregos formais, informais, temporários e autônomos. Para mais informações, siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp.
Entenda a subutilização no mercado de trabalho
Enquanto a taxa de desocupação, ou popularmente conhecida como taxa de desemprego, mede a proporção de indivíduos que buscaram e não encontraram trabalho em relação à força de trabalho total (registrando 5,6% até maio), o conceito de subutilização é mais abrangente.
A taxa de subutilização, por sua vez, avalia a fatia da população em idade ativa que não está sendo aproveitada em sua capacidade máxima pelo mercado de trabalho e que manifesta o desejo de aumentar sua carga horária ou encontrar uma ocupação mais adequada.
Conforme explica William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, o grupo de subutilizados vai além dos desempregados, englobando três categorias distintas de indivíduos:
- Desocupados: Indivíduos que buscaram ativamente uma vaga nos 30 dias anteriores à coleta de dados.
- Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: Pessoas disponíveis que desejam trabalhar mais horas, mas não encontram oportunidades para completar uma jornada de 40 horas semanais.
- Força de trabalho potencial: Compreende tanto os indivíduos desalentados quanto os não desalentados.
Os desalentados são caracterizados por não procurarem emprego por desânimo, acreditando na inexistência de oportunidades adequadas para seu perfil.
“Eles podem pensar que não há vagas na sua região, ou que sua idade – seja muito jovem ou muito avançada – é um impeditivo, além de não esperar por posições que correspondam à sua qualificação”, detalha Kratochwill.
Já os não desalentados são aqueles que desejam e estão disponíveis para o trabalho, mas não o procuram ativamente, ou que, mesmo tendo procurado, não estavam aptos a iniciar imediatamente ou recusaram ofertas.
Análise do comportamento da taxa de subutilização
No período de três meses finalizado em maio, o total de pessoas subutilizadas atingiu 15,1 milhões. Este número reflete uma redução de 5,7% em relação ao trimestre anterior, o que significa 920 mil indivíduos a menos nessa condição, quando a taxa de subutilização estava em 14,1%.
Comparativamente, no trimestre encerrado em maio de 2025, o índice era de 14,9%. Em um período de doze meses, houve uma significativa diminuição de 1,9 milhão de pessoas na condição de subutilizados.
“Isso demonstra que o estoque de mão de obra disponível, essa reserva de trabalhadores que podem ser absorvidos pelo mercado de trabalho, está em constante declínio”, observa Kratochwill.
O pico histórico da taxa de subutilização na Pnad Contínua foi de 30,7%, registrado no trimestre finalizado em agosto de 2020. “Tal aumento foi uma consequência direta da pandemia de covid-19”, contextualiza o analista do IBGE.
Antes da crise sanitária de 2020, a maior taxa de subutilização anterior havia sido de 25%, no trimestre que terminou em maio de 2019, quando 28,4 milhões de pessoas se encontravam nessa situação.
O cenário de aquecimento do mercado de trabalho
William Kratochwill, analista do IBGE, admite que a taxa de subutilização não possui a mesma popularidade da taxa de desocupação, que ele descreve como um “indicador mais intuitivo e de reconhecimento global”. No entanto, ele ressalta que a análise da subutilização é crucial para avaliar o real aquecimento do mercado de trabalho.
“O mercado de trabalho, de fato, está em um período de forte aquecimento, absorvendo a máxima quantidade possível de mão de obra disponível”, afirma Kratochwill, destacando as potenciais repercussões dessa dinâmica na relação entre empregadores e trabalhadores.
Ele conclui que “se a mão de obra se torna mais escassa, é natural que o seu valor aumente, e as condições e a qualidade das ofertas de trabalho precisarão ser aprimoradas para atrair e reter talentos”.
FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil