Jaques Wagner admite relação com ex-sócio do Master e acusa PF de “patacoada” em operação
Fonte: goias246.com.br | Data: 26/06/2026 15:40:31
Folha de S. Paulo
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Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou a atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo e disse ter reclamado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O petista afirmou que a divulgação de uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília foi uma “espetacularização” semelhante a práticas da Lava Jato.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou Wagner.
Segundo ele, a exposição violou a orientação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que teria determinado que a busca e apreensão ocorresse “de forma discreta”, em razão do caráter sigiloso da investigação.
Wagner diz que reclamou com Lula
Wagner afirmou que conversou com Lula sobre a operação e disse ao presidente que a PF estaria tentando construir uma narrativa para associá-lo ao caso Banco Master.
“Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe. Não quero proteção, quero correção”, declarou.
O senador disse que deixou a liderança do governo após uma conversa pessoal com Lula.
Segundo Wagner, o presidente afirmou que o conhecia há 48 anos, mas avaliou que ele teria de desmontar uma narrativa contra si e questionou se teria condições de conciliar a defesa pessoal com a função de líder do governo.
Diante disso, Wagner decidiu se afastar do posto.
Petista nega relação comercial com Master
Jaques Wagner negou ter qualquer relação comercial com o Banco Master ou com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
O senador afirmou que conheceu Lima no processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e que manteve com ele uma relação decorrente desse contexto.
Wagner também disse ter conhecido Daniel Vorcaro apenas duas vezes.
Segundo ele, um dos encontros ocorreu quando Vorcaro se apresentou como sócio do banco. O outro teria ocorrido quando o petista acompanhou o então ministro Ricardo Lewandowski a uma reunião com o banqueiro em São Paulo.
“Não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master“, afirmou.
Senador critica tentativa de criminalizar relações com empresários
Wagner disse desconhecer governador ou prefeito que não converse com empresários.
Para ele, a investigação tenta transformar relações políticas e sociais em indício de irregularidade.
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento”, declarou.
O senador admitiu pegar carona em aviões de empresários, mas negou que alguma aeronave tenha sido colocada à sua disposição.
“Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, disse.
Ingressos para show foram citados pela PF
Wagner também comentou a menção, pela Polícia Federal, a ingressos de R$ 66 mil para um show.
Segundo ele, tratava-se de dois ingressos para uma apresentação de Taylor Swift nos Estados Unidos, destinados à neta, que já mora no país.
“Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”, afirmou.
O senador disse considerar “ridículo” supor que o episódio configuraria favorecimento pessoal.
Empresa da nora recebeu valores do Master
Wagner reconheceu que os valores pagos pelo Banco Master à empresa da qual sua nora é sócia foram maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados inicialmente.
Ele, porém, defendeu que os pagamentos têm origem legal e afirmou que os valores estariam registrados em contrato.
Segundo o senador, os R$ 3,5 milhões corresponderiam a uma multa pelo rompimento contratual equivalente a um ano de contrato.
“Tomei um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato”, afirmou.
Wagner nega que a empresa tenha sido criada para beneficiá-lo.
Dólares apreendidos seriam de diárias e compras legais
Sobre o dinheiro em moeda estrangeira encontrado pela PF, Wagner disse que parte dos valores teria origem em compras feitas no Banco do Brasil para viagens e outra parte viria de diárias pagas pelo Senado.
Segundo ele, sempre pede o pagamento das diárias em dólar, como forma de economizar e guardar.
“A pergunta deles é se eu recebi dólar de alguém. Não recebi de ninguém”, declarou.
Wagner cita Flávio Bolsonaro e nega que caso tenha nascido na Bahia
O petista também rebateu a narrativa de adversários, especialmente do PL, de que o caso Banco Master teria começado na Bahia.
Wagner afirmou que a viabilização do Banco Master ocorreu durante o governo Bolsonaro, com o Banco Central comandado por Roberto Campos Neto.
“Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado, se foi certo, só estou dizendo o seguinte: só foi concretizado o Banco Master no governo Bolsonaro”, afirmou.
Ele também citou Flávio Bolsonaro ao comparar sua situação com o caso do filme “Dark Horse”.
“O cara pediu R$ 140 milhões. Eu não pedi uma banda de conto”, disse Wagner, em referência ao valor que teria sido negociado para o filme sobre Jair Bolsonaro.
Senador diz que vai para as ruas
Jaques Wagner afirmou que a operação não deve atingir Lula e disse que pretende retomar sua agenda política.
“Amanhã eu vou para a rua. Estou dando entrevista pra você, mas a minha melhor entrevista é quando eu for para a rua. Vamos ver”, declarou.
O senador, de 75 anos, deixou a liderança do governo Lula no Senado após ser alvo de operação da PF que apura suspeitas de atuação a favor do Banco Master, acusação que ele nega.