Brasil afunda no ranking da eficiência
Fonte: agorarn.com.br | Data: 26/06/2026 17:40:16
Queda de sete posições no ranking mundial expõe fragilidades estruturais, baixa produtividade e a incapacidade do país de enfrentar seus principais gargalos
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 17:31
A queda de sete posições do Brasil no Ranking Mundial de Competitividade confirma, com números, uma decadência que já se tornou familiar demais. O levantamento, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral, colocou o País em 65.º lugar entre 70 economias na edição de 2026. Abaixo do Brasil, aparecem apenas Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Nem mesmo a comparação regional oferece algum consolo. Entre os latino-americanos avaliados, o Brasil ficou atrás de todos os principais vizinhos. Chile, em 43.º, Porto Rico, em 52.º, Argentina, em 58.º, Colômbia, em 59.º, Peru, em 60.º, e México, em 62.º, aparecem em situação melhor. Para uma economia que ainda gosta de se apresentar como potência emergente, o resultado é mais do que ruim. É constrangedor.

Há áreas em que o desempenho brasileiro não chega a ser desprezível, como atração de investimento estrangeiro e geração de energia renovável. Esses pontos, porém, não compensam o fracasso em fundamentos essenciais. O dado mais revelador está em eficiência governamental. Nesse quesito, o Brasil ocupou a 69.ª posição entre 70 países, à frente somente da Venezuela. Poucas estatísticas resumem com tanta precisão o peso de um Estado caro, lento, ineficiente e incapaz de entregar o básico.
Boa parte dos entraves nacionais nasce justamente dessa máquina pública disfuncional. A educação básica de baixa qualidade é um dos exemplos mais danosos. Da primeira infância à formação profissional, o Brasil continua falhando na tarefa elementar de preparar melhor sua população. O resultado aparece na produtividade. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas caiu 0,5% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2025.
A distância em relação às economias asiáticas mostra o tamanho do desperdício brasileiro. China e Coreia do Sul já foram mais pobres que o Brasil. Investiram por décadas em educação, infraestrutura e tecnologia. Hoje, deixaram o País para trás em PIB per capita, indicadores educacionais e produtividade do trabalho. O Brasil, por sua vez, alterna surtos de crescimento com longos períodos de estagnação, quase sempre sem atacar as causas estruturais de sua baixa competitividade.
O País evita um tombo ainda maior no ranking porque aparece relativamente melhor em performance econômica. Nesse item, ficou em 36.º, uma posição à frente da Suíça, em 37.º. A comparação, no entanto, engana mais do que esclarece. A Suíça tem uma economia madura, infraestrutura de alto nível e governo eficiente. No ranking geral, está em 3.º lugar, atrás apenas de Singapura e Hong Kong. Seu PIB per capita é praticamente dez vezes superior ao brasileiro.
O crescimento brasileiro, quando vem, continua apoiado em bases frágeis. Em vez de reformas duradouras, o País recorre com frequência ao estímulo ao consumo imediato. Troca produtividade por impulso de curto prazo. Troca investimento em capital humano por soluções de ocasião. Com isso, arrisca perder espaço até nos indicadores em que ainda não aparece nas últimas posições.
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ilustra bem essa inversão de prioridades. O Brasil pretende importar condições típicas de países desenvolvidos, onde jornadas menores são sustentadas por produtividade alta, sem ter feito o caminho que levou essas nações a esse patamar. Antes vieram educação, infraestrutura, tecnologia, ambiente de negócios mais eficiente e reformas de longo alcance. Querer o benefício sem construir sua base é mais uma forma de empurrar a economia para baixo.
Os dados do Fundo Monetário Internacional escancaram essa perda de velocidade. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global cresceu 675%. No Brasil, o avanço foi de 428%, menos de dois terços da média mundial. Enquanto Coreia do Sul, Taiwan e Singapura escaparam da armadilha da renda média, o Brasil se acostumou a viver dentro dela. Não se trata de acidente histórico, como já sublinhado no editorial “O Brasil escolheu o atraso”, publicado em 10/5/2026.
O mais grave é que o País não sofre por falta de potencial. Tem capital humano, território vasto e diversidade de recursos naturais em escala rara no mundo. Também não há destino inevitável que condene o Brasil à mediocridade. O que existe é uma sequência persistente de escolhas ruins, de desperdícios repetidos e de resistência a reformas que poderiam elevar a produtividade e a renda. Enquanto essas escolhas permanecerem, os rankings continuarão a mostrar o retrato incômodo de uma nação que poderia ser muito mais, mas insiste em ficar para trás.