Jaques Wagner confirma relação com ex-sócio do Banco Master
Fonte: revistaoeste.com | Data: 26/06/2026 18:34:18
O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu manter uma relação pessoal com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, mas negou que a proximidade tenha resultado em qualquer favorecimento ou relação comercial. O parlamentar deu as declarações em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Ainda na entrevista, o petista detalhou encontros com Vorcaro, explicou a negociação de um apartamento destinado à filha e afirmou que reclamou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva da forma como a Polícia Federal (PF) conduziu a operação da qual foi alvo.
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Ao falar da Operação Compliance Zero, Wagner criticou a divulgação da imagem das cédulas de dinheiro apreendidas durante as buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, a exposição contrariou a própria decisão judicial que determinava discrição no cumprimento dos mandados.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?”, refletiu. “Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta.”

O senador afirmou ter dito a Lula “que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”. “Aí, quem tem que cuidar disso é o ministro da Justiça, o chefe da Polícia Federal ou o próprio ministro André Mendonça.”
Segundo Wagner, Lula também o indagou mais de uma vez sobre eventual envolvimento no caso Banco Master.
“O presidente várias vezes me perguntou, e eu continuo afirmando para ele: não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master.”, declarou.

Na entrevista, Wagner confirmou que conheceu Augusto Lima durante o processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e que a convivência entre ambos se manteve ao longo dos anos. Para o senador, esse relacionamento é compatível com a atuação de qualquer gestor público.
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“Conheci Augusto Lima no processo de privatização”, declarou. “Criou-se uma relação. Sei que muita gente tem consultorias espalhadas pelo país. Eu poderia ter uma consultoria, não poderia? Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa.”
Na sequência, Jaques Wagner disse desconhecer “um prefeito ou um governador que não converse com empresários”. “Óbvio que conversei com Augusto Lima.”
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita”, prosseguiu. “Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona? Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca. Eles inventaram que trabalhei pelo Banco Master. E eu nunca trabalhei a favor, trabalhei contra. Como, aliás, o então ministro da Fazenda [Fernando Haddad] veio a público declarar.”

Ao ser indagado sobre Daniel Vorcaro pela Folha de S.Paulo, Jaques Wagner afirmou que encontrou o banqueiro apenas duas vezes. A primeira ocorreu quando ele ingressou no Banco Master. A segunda foi em São Paulo, quando apresentou o então ex-ministro Ricardo Lewandowski ao empresário para discutir uma possível consultoria jurídica.
“Conheci o Vorcaro duas vezes”, afirmou. “Quando ele veio se apresentar, que virou sócio, e quando eu fui levar o ministro [Ricardo] Lewandowski. O Augusto Lima disse: ‘A gente precisa melhorar o padrão do banco. Você tem alguma sugestão para a área jurídica?’. Eu disse: ‘O ministro Lewandowski tem pouco tempo que se aposentou, não vejo outro nome melhor. Não sei se ele quer’. Perguntei e ele disse: ‘Só quero se eu for tipo chefe da consultoria jurídica’. Fui acompanhar o ministro para ele conhecer o Daniel.”
Apartamento e pagamentos à empresa da nora
Jaques Wagner também comentou a negociação de um apartamento em Salvador, mencionado pela Polícia Federal na investigação. Segundo ele, o imóvel seria comprado para a filha e nunca chegou a integrar seu patrimônio: “Pretendia dar um presente para minha filha nesse prédio que está em construção”.
“A pergunta que cabe é a seguinte: por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção?”, indagou. “Por que eu não ia pegar um apartamento novo pronto? Eu digo: ‘Não tenho condições de comprar, ela vai ter que vender o apartamento dela para eu ajudar no resto e financiar uma parte. Eu só quero que garanta aquilo lá’. Foi isso.”
Na sequência, o parlamentar disse que o episódio seria “nebuloso”, porém, sinalizou: “Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada.”
Sobre os pagamentos realizados pelo Banco Master de R$ 3,5 milhões para a empresa na qual sua nora é sócia, o senador disse que só a PF “poderia responder”. “Isso está lá na empresa deles, tudo escriturado. Aí o cara está inventando que era para mim. Caiu alguma coisa minha aqui? Estou muito tranquilo.”
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Ao ser indagado se não tinha conhecimento do montante, Jaques Wagner disse ter tomado “um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa”. “Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato.”
“Aliás, os meninos dizem que não pagaram nem o que deveriam ter pago a eles, tá?”, continuou. “Quando viram um volume que ia crescendo muito, mudaram o tipo de contrato. Mas eu prefiro que o advogado explique. O gozado é que se apegam aos R$ 3,5 [milhões], que foi o rompimento. Mas eles antes disso, mês a mês, eles ganhavam. Não sei quando deu no total, mas foi uma grana boa.”