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De resíduo a combustível: material feito de serragem impulsiona indústria e conquista novos consumidores

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 27/06/2026 09:45:03

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Ronei Sá / RBS TV
Pequenos cilindros compactados servem como combustível para aquecimento de ambientes e processos industriais.

O que antes era apenas um resíduo da indústria madeireira passou a gerar negócios, empregos e novas oportunidades na Serra. Em Cambará do Sul, a serragem produzida na fabricação de cercas de madeira é transformada em pellets, pequenos cilindros compactados que servem como combustível para aquecimento de ambientes e processos industriais.

A iniciativa surgiu da necessidade de encontrar um destino para um material que tinha pouco aproveitamento econômico.

— A ideia da fábrica de pellets surgiu justamente por conta de um excesso de matéria-prima de resíduo que a gente tinha na serraria, que é a serragem. Ela tinha um uso muito restrito e até nos causava um certo problema — explica o diretor-presidente da Reflorestadores Unidos, Cassiano De Zorzi.

Segundo ele, a busca por alternativas levou ao investimento na nova planta industrial:

— Para resolver esse problema e agregar valor ao resíduo industrial, fomos em busca de alternativas até que conhecemos o pellet. Investimos justamente para transformar esse resíduo em produto.

Atualmente, mais de quatro mil toneladas de serragem são processadas por mês na fábrica. Parte da produção abastece o mercado brasileiro, enquanto outra segue para exportação. Um dos destinos é a Itália, onde os pellets são utilizados principalmente em lareiras residenciais.

Produzidos apenas com madeira compactada, sem adição de produtos químicos, os pellets são considerados uma alternativa sustentável de geração de energia.

Mercado em expansão

Ronei Sá / RBS TV
Material tinha pouco aproveitamento econômico.

A versatilidade ajuda a explicar o crescimento do setor, que tem outras fábricas pela região. Os pellets podem ser usados em lareiras domésticas, fornos, padarias, pizzarias e até em processos industriais.

— É bastante polivalente — destaca Cassiano.

Para ele, a produção também representa uma oportunidade econômica para regiões ligadas à cadeia da madeira.

— É mais um produto que gera renda e empregos para uma região que produz madeira e, consequentemente, gera esse resíduo que pode se transformar em fonte de receita — diz.

O avanço do mercado já é percebido pela Thermo Aquecimento, que importa equipamentos a pellets. Em Bento Gonçalves, as lareiras movidas a esse combustível ganham espaço em residências e estabelecimentos comerciais. Os equipamentos custam a partir de R$ 8 mil.

Economia e conforto

Em um salão de beleza de Bento Gonçalves, o sistema foi adotado para aquecer a recepção, a água dos lavatórios e o piso.

— Primeiramente, foi para aumentar a temperatura da recepção, que é um espaço muito frio. Depois, também pelo conforto dos nossos clientes — conta o empresário Giovano Buckel.

Além do conforto térmico, a economia foi determinante para a escolha.

— Antes trabalhávamos com gás. O custo era cerca de 50% maior do que temos hoje. Comparando com o uso de ar-condicionado para aquecimento, também teríamos um custo aproximadamente 15% superior — afirma.

Segundo o empresário Tiago Casagrande, que atua na comercialização de lareiras a pellets, o combustível oferece vantagens financeiras e operacionais.

— Em relação ao gás, a economia pode chegar a 70% no custo do combustível — afirma.

Ele também destaca a praticidade do sistema.

— O pellet é vendido em sacos, é fácil de armazenar e abastecer. Além disso, as lareiras contam com acendimento automático e até opções de controle por Wi-Fi — explica.

Alternativa para a transição energética

De acordo com o Sindicato das Indústrias da Madeira, o Sindimadeira RS, a produção e o consumo de pellets vêm crescendo nos últimos anos.

Para o presidente da entidade, Leonardo De Zorzi, o produto ganha relevância em um cenário de busca por fontes alternativas de energia.

— O pellet resulta da atividade industrial da madeira e acaba sendo sustentável porque vem do plantio da árvore, da colheita e da industrialização. Nesse período de transição energética, ele se apresenta como um dos principais atores — avalia.

Ele ressalta ainda o valor agregado criado a partir de um material que antes tinha menor importância econômica.

O pellet transforma um produto de menor valor dentro do processo produtivo da madeira em uma nova oportunidade de negócio. Vejo um potencial de crescimento muito grande para esse mercado — conclui.