Lançamento da fragata Cunha Moreira consolida retomada da construção naval militar brasileira
Fonte: portogente.com.br | Data: 27/06/2026 10:35:17
INDÚSTRIA NAVAL DEFESA
Lançamento da fragata Cunha Moreira consolida retomada da construção naval militar brasileira
Lançamento da terceira embarcação consolida retomada da construção naval militar no País; estaleiro em Itajaí já trabalha simultaneamente nas quatro fragatas do programa e estuda um segundo lote de navios.
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Fragata “Cunha Moreira” terá as mesmas características da “Tamandaré” (F200) após sua conclusão – Imagem: Marinha do Brasil • Fonte: Agência Marinha de Notícias
A indústria naval brasileira alcançou nesta sexta-feira (26) mais um marco em seu processo de retomada tecnológica com o lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), construída no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC). O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, representantes da Marinha do Brasil e executivos da indústria de defesa brasileira e alemã.
Destaque Portogente
O lançamento da terceira fragata representa um marco para a Base Industrial de Defesa brasileira, consolidando a capacidade nacional de produzir simultaneamente quatro navios militares de alta complexidade tecnológica e reforçando a retomada da construção naval especializada.
Mais do que a entrega de um novo casco, o lançamento simboliza a consolidação do maior programa de construção naval militar já desenvolvido no Brasil desde o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). O PFCT representa a reconstrução da capacidade nacional de projetar, integrar e produzir navios militares complexos com elevado índice de conteúdo local e ampla transferência de tecnologia.
A fragata Cunha Moreira é a terceira de quatro unidades contratadas pela Marinha do Brasil para renovar sua força de escoltas. A primeira embarcação da série, a Tamandaré (F200), foi incorporada à Esquadra em abril deste ano. A segunda unidade, Jerônimo de Albuquerque (F201), deverá iniciar os testes de mar no segundo semestre, enquanto a quarta fragata, Mariz e Barros (F203), já entrou em fase de construção, fazendo com que todas as embarcações previstas no contrato estejam simultaneamente em diferentes etapas de produção.
Esse estágio representa o pico operacional do estaleiro de Itajaí. Pela primeira vez, uma instalação brasileira conduz, ao mesmo tempo, a construção seriada de quatro fragatas de última geração, demonstrando maturidade industrial e capacidade para executar programas navais de alta complexidade. O empreendimento é conduzido pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada pela TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech, sob gerenciamento da Emgepron.
Além da renovação da esquadra, o programa vem impulsionando uma extensa cadeia de fornecedores nacionais. Segundo dados da Emgepron, cerca de mil empresas brasileiras participam direta ou indiretamente do projeto, que incorpora aproximadamente 40% de conteúdo local em equipamentos e serviços e é responsável pela geração de cerca de 23 mil empregos entre postos diretos, indiretos e induzidos.
⚓ Continuidade da produção
Para a indústria naval, a continuidade da produção tornou-se um dos principais objetivos estratégicos. Nos últimos meses, Brasil e Alemanha firmaram uma carta de intenções prevendo estudos para a construção de um segundo lote de quatro novas fragatas da Classe Tamandaré. Paralelamente, TKMS, Embraer, Atech e o Ministério da Defesa assinaram um memorando de entendimento para avaliar a viabilidade técnica e industrial da ampliação do programa. Caso seja confirmada, a nova encomenda permitirá manter ativa a linha de produção instalada em Itajaí e preservar mão de obra altamente especializada, reduzindo os custos de futuras construções.

A Marinha do Brasil tem papel fundamental na defesa da Amazônia Azul, especialmente nas ações de presença – Imagem: Marinha do Brasil • Fonte: Agência Marinha de Notícias
“O avanço das Fragatas Classe Tamandaré demonstra a capacidade da indústria brasileira de executar projetos complexos e estratégicos para a soberania nacional. O lançamento da Cunha Moreira simboliza não apenas mais um importante marco do programa, mas também a consolidação de uma parceria de longa data entre Brasil e Alemanha.”
— Paulo Alvarenga, CEO da TKMS Brasil
O executivo destacou ainda que a continuidade do programa é fundamental para manter ativa a Base Industrial de Defesa construída ao longo dos últimos anos. Segundo ele, um segundo lote de embarcações preservaria competências técnicas críticas, ampliaria o retorno dos investimentos realizados e consolidaria o Brasil como um polo regional de construção naval militar.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré também reposiciona os estaleiros brasileiros em um segmento de alto valor agregado. Após décadas marcadas por oscilações na indústria naval, a construção seriada de navios militares modernos cria uma nova perspectiva para o setor, baseada em inovação, digitalização dos processos produtivos e integração de sistemas complexos, características cada vez mais demandadas tanto pelo mercado de defesa quanto pela construção naval especializada.
Nesse contexto, o TKMS Estaleiro Brasil Sul passa a integrar o grupo restrito de estaleiros capazes de produzir embarcações militares de alta complexidade tecnológica, fortalecendo não apenas a capacidade operacional da Marinha do Brasil, mas também a competitividade da indústria naval nacional em futuros projetos internacionais.
📊 Análise Portogente
O avanço do Programa Fragatas Classe Tamandaré consolida uma nova fase da indústria naval brasileira ao combinar transferência internacional de tecnologia, fortalecimento da Base Industrial de Defesa, geração de empregos qualificados e desenvolvimento de fornecedores nacionais. A perspectiva de um segundo lote de embarcações poderá garantir continuidade produtiva ao estaleiro de Itajaí e posicionar o Brasil como referência regional na construção de navios militares de alta complexidade.