Tribuna do Povo leva 12 cidadãos à Câmara de Curitiba — Portal da Câmara Municipal de Curitiba
Fonte: curitiba.pr.leg.br | Data: 27/06/2026 14:33:54
Doze cidadãos usaram a Tribuna do Povo, neste sábado (27), para apresentar demandas, críticas e propostas à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) durante a quinta edição do Câmara Aberta. As manifestações, conduzidas pelo ouvidor do Legislativo, Borges dos Reis, reuniram temas como população em situação de rua, fiscalização urbana, saúde mental, mobilidade, empregabilidade de idosos, regularização fundiária, tarifa de energia, participação popular e funcionamento dos serviços públicos. Cada inscrito teve até dois minutos para ocupar a tribuna do Plenário Palácio Rio Branco e falar diretamente à cidade.
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A atividade integra o Câmara Aberta, iniciativa da CMC que abre o Legislativo em dias alternativos ao expediente tradicional, com atendimento, prestação de serviços, atividades educativas e escuta cidadã. Na abertura da Tribuna do Povo, Borges dos Reis agradeceu a presença da diretora-geral da Câmara, Valéria Maia, de servidores da Mesa Diretora e do presidente da CMC, Tico Kuzma (PSD), que acompanhou parte das falas. Ao final, o ouvidor reforçou que a Ouvidoria permanece à disposição de quem não conseguiu se manifestar.
Situação de rua, fiscalização e políticas públicas
Primeira inscrita a falar, Ellen Andreis disse que não subia à tribuna para defender “partidos” nem “pauta”, mas Curitiba. Ela citou o alerta emitido pela Defesa Civil durante a semana e relacionou o debate sobre população em situação de rua à preservação ambiental, segurança e cumprimento das leis. “Eu faço um pedido: que este assunto deixe de ser uma disputa ideológica e passe a ser uma discussão sobre direitos e deveres”, afirmou. Para Ellen, “direito humano é para todos”, tanto para pessoas em situação de rua que precisam de alimento, tratamento e oportunidade quanto para moradores, trabalhadores, comerciantes e contribuintes.
Alexandre Pires, que se apresentou como líder comunitário da região do Pinheirinho e responsável pelo canal Pires na Área, disse atuar em diferentes temas da cidade, como saúde, urbanismo e participação popular. Ele mencionou problemas em drenagem, UPAs e divulgação de instrumentos como o Fala Curitiba. “Os líderes comunitários realmente são os vereadores sem mandato”, afirmou, ao defender que a população seja mais ouvida na definição das prioridades da cidade.
A saúde mental foi tema da manifestação de Rafaela Roman de Faria, fundadora e presidente do Instituto Guia Profissional Social. Psicóloga, ela disse perceber o adoecimento da sociedade, inclusive em Curitiba, apesar da existência de recursos humanos, financeiros, ações e projetos. Rafaela defendeu maior atenção ao acolhimento de profissionais da saúde, da educação e de pessoas em ambientes de trabalho. “Trago para que possamos refletir e implementar ainda mais ações sobre o sofrimento que todo mundo um dia já passou, passa ou tem alguém querido por perto”, afirmou.
Mobilidade, trânsito e cidade inteligente
A situação do viaduto do Caiuá foi levada à tribuna por Jhonatan Almeida Carvalho Olivio. Ele afirmou que, nos horários de pico, o trajeto entre o terminal e a travessia do viaduto pode levar cerca de 30 minutos, prejudicando a fluidez do trânsito. Segundo Jhonatan, uma das principais dificuldades é a conversão à esquerda no sentido do Terminal CIC para o Caiuá, somada à sinalização que classificou como “pouco visível e mal posicionada”. “A população do Caiuá não pede privilégio, pede condição, direito de ir e vir, dignidade”, disse.
Vanderlei Silvério Cavalcante levou à Tribuna do Povo uma proposta de estudos técnicos para implantação de VLT ou monotrilho em Curitiba. Ele relatou ter conhecido o monotrilho de São Paulo e defendeu que Curitiba olhe para alternativas de transporte de maior capacidade. “Precisamos fazer jus ao título de cidade mais inteligente do mundo que a gente recebeu em 2023”, afirmou. Vanderlei também criticou a eletrificação dos biarticulados com baterias, por considerar que o descarte desses equipamentos pode gerar impacto ambiental.
A modernização urbana e tecnológica também apareceu na fala de Moacy de Oliveira Monteiro, que disse representar o Instituto de Desenvolvimento Humano. Ele anunciou a intenção de organizar uma homenagem ao ex-governador Jaime Lerner e afirmou que Curitiba precisa discutir educação, tecnologia e inovação. Segundo ele, há uma parceria em estudo para trazer ao município experiências tecnológicas ligadas a Israel, inclusive na área de semicondutores.
Idosos, emprego e regularização fundiária
A empregabilidade da pessoa idosa foi defendida por Luiz Carlos Nascimento, que se identificou como ex-policial militar aposentado. Ele apresentou a proposta de que empresas e comércios de Curitiba reservem uma pequena parcela de vagas para contratação de pessoas idosas de baixa renda, com capacitação. “Eu vim apresentar uma proposta de um projeto relacionado à empregabilidade da pessoa idosa vulnerável, de baixa renda”, explicou. O participante pediu que ao menos um vereador recebesse a proposta para detalhamento.
A pauta da regularização fundiária foi apresentada por Rodrigo De Pauli, presidente da Associação de Moradores do Contorno Norte do Japinha. Ele pediu atenção da Prefeitura à situação de terrenos localizados entre as ruas Guido Dury Gar, Renato Linhares, Visconde de Chagas Andrade e imediações. Segundo Rodrigo, moradores estão há mais de 40 anos na região e aguardam regularização. Ele também lembrou que obras de asfalto ficaram bem colocadas no Fala Curitiba e que, segundo informações recebidas da Sanepar, há previsão de implantação de esgoto em 2027. “Só esperamos a regularização do terreno para que a gente possa contribuir e pagar o nosso IPTU corretamente junto à Prefeitura”, disse.
Falando em nome de moradores do Umbará, Gileade Oliveira Portilho pediu atenção da Prefeitura a solicitações da comunidade na região. Ele disse ter orgulho de ser curitibano e do bairro onde mora, e afirmou que vereadores já têm acompanhado algumas das demandas locais. “Tem muitas pessoas dependendo disso”, resumiu.
Participação popular, polarização e modelo de gestão
O debate sobre participação direta, eficiência administrativa e papel do Legislativo foi tema da fala de Marco Antônio Floriani Burda, que se apresentou como advogado, gestor, cidadão e membro de conselho. Ele questionou a predominância de debates ideológicos e federais na política municipal. “Em que momento nos perdemos na dicotomia esquerda e direita e deixamos de focar nas dicotomias entre certo e errado, justo e injusto?”, perguntou. Para Marco Antônio, Curitiba precisa fortalecer mecanismos de participação direta, ampliar a autonomia administrativa e orçamentária dos bairros e discutir formas de aproximar os cidadãos da gestão pública.
Célio Borba usou a tribuna para falar sobre o Dia Nacional do Progresso, celebrado em 7 de julho. Ele relacionou a data ao lema “Ordem e Progresso”, à ideia de desenvolvimento nacional e à necessidade de avanços sociais, econômicos, científicos, tecnológicos e culturais. “O desenvolvimento de uma nação depende do esforço coletivo de governos, instituições, empresas e cidadãos”, afirmou.
O último inscrito a falar foi o engenheiro Ricardo Vidinich, que tratou do reajuste tarifário da Copel. Ele se apresentou como representante dos consumidores residenciais no Ministério de Minas e Energia e citou aumento tarifário médio de 28,73%, reduzido para 20,51% por diferimento, com impacto previsto para 2027. Ricardo também mencionou investimentos da Copel, encargos do setor elétrico e geração solar distribuída, defendendo atenção aos impactos para os consumidores.
Câmara Aberta é “oportunidade para falar o que quiser”, diz Tico Kuzma
No encerramento, Borges dos Reis afirmou que a Ouvidoria da Câmara está à disposição dos cidadãos que não conseguiram se manifestar. “Aqueles que porventura não conseguiram se manifestar podem procurar a Ouvidoria. Estaremos aqui para atendê-los”, disse. O ouvidor também foi citado pelo presidente da Câmara, Tico Kuzma, por conduzir a quinta edição do Câmara Aberta e realizar os encaminhamentos das situações apresentadas.
Tico Kuzma agradeceu a participação das lideranças comunitárias, da Femoclam, dos vereadores presentes e dos servidores da Câmara. Ele lembrou que a CMC mantém um posto avançado da Defensoria Pública do Paraná, com milhares de atendimentos realizados, e defendeu a importância de abrir a Casa para que a população se sinta pertencente ao Legislativo. Para o presidente, a Tribuna do Povo existe para que as pessoas ocupem a Câmara e apresentem suas demandas sem filtros. “É essa oportunidade para que as pessoas venham aqui, utilizem e falem o que quiserem, sobre o que quiserem”, afirmou.
Também presente no encerramento, o vereador Nori Seto (PP) disse que os participantes trouxeram demandas de bairros e segmentos diferentes, mas com uma característica comum: a preocupação com Curitiba. “Pode ter certeza, nós vamos encaminhar essas demandas, esses requerimentos, essas ideias, tudo que a gente puder formular através da Câmara Municipal”, afirmou. O vereador Mauro Bobato (PP) também destacou a importância de respeitar opiniões diferentes e de transformar a participação popular em sugestões concretas para a cidade.
A programação do Câmara Aberta seguiu à tarde com atividades da Escola do Legislativo voltadas a escoteiros. Segundo Tico Kuzma, cerca de 150 escoteiros participaram de uma experiência de imersão na Câmara, com atividades de cidadania, parlamento simulado e acampamento no Legislativo. Para o presidente, ações desse tipo reforçam a mensagem de que “a Câmara é do povo”.