Geopolítica das águas doces: Especialista explica papel da Marinha na proteção dos rios brasileiros e alerta para disputas estratégicas
Fonte: jornalgrandebahia.com.br | Data: 28/06/2026 20:07:28
A proteção dos rios brasileiros tem ganhado relevância no debate sobre segurança e soberania nacional diante das disputas internacionais por recursos naturais. Nesse contexto, especialistas apontam que a atuação das Forças Armadas não se limita ao litoral e às águas oceânicas, abrangendo também extensas áreas fluviais localizadas no interior do país.
O tema voltou ao centro das discussões após a realização da Operação ACRUX XII, conduzida recentemente no Mato Grosso do Sul e que reuniu forças navais de Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. O exercício teve como objetivo fortalecer a cooperação regional e ampliar a capacidade de atuação conjunta em áreas estratégicas.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Vinicius Modolo Teixeira, afirmou que a presença da Marinha em rios e bacias hidrográficas representa um componente relevante da estratégia de defesa nacional.
Marinha atua em rios estratégicos além da proteção marítima
Segundo Modolo, a atuação da Marinha do Brasil abrange não apenas a proteção da costa marítima, mas também o monitoramento e a segurança das chamadas águas interiores.
O especialista destacou a presença de estruturas militares em regiões como Ladário e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, além da atuação em áreas da Amazônia, Acre e Rondônia. De acordo com ele, embarcações militares operam regularmente nesses locais para garantir a segurança e a presença do Estado em regiões consideradas estratégicas.
A estrutura fluvial permite o acompanhamento de áreas de difícil acesso por vias terrestres e amplia a capacidade de monitoramento em regiões de fronteira, especialmente na Amazônia Legal e no Pantanal.
Operação ACRUX reforça cooperação regional e ações de segurança
A Operação ACRUX XII, realizada em Corumbá, reuniu mais de 700 militares de países sul-americanos. O exercício é promovido periodicamente para fortalecer a integração entre as marinhas da região.
De acordo com o analista, além da cooperação internacional, a operação possui objetivos relacionados à prevenção de ameaças à segurança pública e à proteção de áreas de fronteira.
Modolo observou que a presença coordenada das forças de defesa pode atuar como instrumento de dissuasão diante de organizações criminosas que operam em regiões fronteiriças, especialmente em rotas utilizadas para tráfico de drogas, armas e outros ilícitos.
Especialista destaca relevância estratégica dos rios na geopolítica
O professor afirma que os rios exercem papel estratégico que vai além da navegação e do transporte regional. Segundo ele, os cursos d’água estão diretamente ligados à produção agrícola, à geração de energia e ao abastecimento de populações e atividades econômicas.
Na avaliação do especialista, esses fatores fazem com que os recursos hídricos passem a integrar debates internacionais relacionados à segurança, ao desenvolvimento econômico e à soberania nacional.
O analista argumenta que, em um cenário de crescente demanda global por recursos naturais, a proteção das reservas de água doce tende a ganhar importância cada vez maior nas estratégias dos Estados nacionais.
Debate inclui atuação de organizações internacionais
Outro ponto abordado por Modolo foi a atuação de organizações não governamentais financiadas por entidades estrangeiras. Segundo ele, a participação dessas instituições no debate ambiental deve ser analisada dentro do contexto das legislações nacionais e dos interesses estratégicos envolvidos.
O especialista defendeu que a preservação ambiental deve ser conciliada com o respeito às normas brasileiras e à soberania do país sobre seus recursos naturais.
Ao mesmo tempo, ressaltou a necessidade de combater crimes ambientais e manter mecanismos de fiscalização que garantam a proteção dos ecossistemas e dos recursos hídricos nacionais.
Rios historicamente influenciam fronteiras e disputas territoriais
Segundo o professor da Unemat, os rios desempenham papel histórico na formação territorial da América do Sul. Diversas fronteiras nacionais foram estabelecidas a partir de cursos d’água e acidentes geográficos naturais.
Ao longo dos séculos, algumas dessas delimitações estiveram associadas a disputas territoriais e negociações diplomáticas entre países vizinhos.
Nesse contexto, Modolo afirma que os rios continuam sendo ativos estratégicos tanto para a integração regional quanto para a segurança nacional, especialmente em um ambiente internacional marcado pela busca por recursos considerados essenciais ao desenvolvimento econômico.
Recursos hídricos ganham importância na agenda internacional
A crescente interdependência econômica global e a demanda por recursos naturais têm ampliado o interesse internacional por áreas que concentram grandes reservas de água doce.
Nesse cenário, especialistas apontam que a proteção dos rios brasileiros está diretamente relacionada à preservação da soberania nacional, à segurança energética, à produção agrícola e à estabilidade das regiões de fronteira.
A discussão reforça a importância dos recursos hídricos como componente estratégico das políticas públicas de defesa, desenvolvimento e preservação ambiental no Brasil.
*Com informações da Sputnik News.