Foz do Iguaçu (PR) — A operação da Usina de Itaipu enfrenta um desafio inusitado devido ao “efeito torcida” durante a Copa do Mundo. Os jogos da seleção brasileira têm gerado uma mudança significativa no consumo de energia elétrica, obrigando a hidrelétrica a implementar um controle especial para garantir que a eletricidade seja fornecida sem interrupções durante os jogos.

Conforme relatado pela Itaipu Binacional, a atividade da usina muda radicalmente em virtude do comportamento dos torcedores. Antes da partida, o consumo tende a cair, já que muitas pessoas estão se deslocando para casa ou preparando-se para assistir ao jogo. No entanto, esse consumo atinge seu ponto mais baixo durante a partida, quando milhões de brasileiros permanecem fixos na frente da televisão, interrompendo outras atividades que normalmente consomem energia.

O superintendente de Operação de Itaipu, Rodrigo Pimenta, destacou que a situação é agravada no intervalo dos jogos. “Durante os jogos, identificamos um comportamento diferente no consumo de energia. No intervalo, quando as pessoas saem da frente da televisão, elas vão à cozinha, abrem a geladeira, ligam o forno e outros eletrodomésticos. Isso provoca um aumento rápido da demanda por energia”, explicou Pimenta.

Como o “efeito torcida” impacta a operação da usina?

Para lidar com essas oscilações de demanda, a Itaipu ajusta a geração de energia em tempo real, em colaboração com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Este plano especial para os jogos da seleção brasileira começa cerca de duas horas antes da partida e se estende até duas horas após o apito final. O objetivo é manter o equilíbrio entre a energia gerada e a consumida, evitando sobrecargas no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Durante a estreia do Brasil contra Marrocos, por exemplo, o fornecimento de energia pela usina caiu 7% uma hora antes do início do jogo. Após o apito final, a demanda se recuperou rapidamente, com um aumento de 4.307 megawatts em apenas 21 minutos, um volume de energia equivalente ao consumo médio de todo o Rio Grande do Sul.

Na partida contra o Haiti, a situação foi ainda mais intensa. A usina reduziu o fornecimento em 17% faltando cerca de 40 minutos para o jogo e, após o término, elevou a geração em 7% em apenas 14 minutos, considerando o aumento instantâneo da demanda por energia.

Quais os efeitos esperados durante os próximos jogos em Foz do Iguaçu?

A expectativa é que o comportamento observado nos jogos anteriores se repita nas próximas partidas, especialmente no jogo contra o Japão, que ocorre na tarde de segunda-feira (29). Durante essa fase decisiva, o consumo de energia tende a ser ainda mais elevado, uma vez que as pessoas costumam estar em casa nos horários de pico.

Em contrapartida, durante os jogos da seleção paraguaia, a variação no consumo de energia é muito menor, representando apenas cerca de 4% da demanda brasileira, o que torna as oscilações imperceptíveis na operação da usina.

Como a Itaipu se ajusta para suprir a demanda?

Graças às suas características técnicas e dimensão, a Usina de Itaipu é capaz de responder rapidamente às oscilações de consumo, o que permite realizar as chamadas “rampas de carga” em pouquíssimos minutos. A hidrelétrica, que possui 20 unidades geradoras, tem uma capacidade que é capaz de abastecer uma cidade do porte de Curitiba.

A rotina da Sala de Controle da Itaipu continua inalterada, funcionando ininterruptamente para monitorar o sistema e garantir que milhões de brasileiros possam acompanhar os jogos sem risco de falta de energia. O acompanhamento rigoroso é essencial, especialmente em períodos de consumo excepcionalmente altas como os jogos da seleção.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a importância da flexibilidade operacional da Usina de Itaipu em tempos de grande mobilização nacional. O aumento no consumo durante eventos como a Copa do Mundo não é uma novidade, mas as estratégias implementadas têm mostrado competência em equilibrar oferta e demanda.

O que dizem as autoridades sobre a situação em Foz do Iguaçu?

Autoridades da Itaipu manifestam confiança na operação, ressaltando a necessidade de um planejamento adequado. “Estamos preparados para atender as demandas que surgem durante esse período, garantindo que todos tenham acesso à energia elétrica”, afirmou um porta-voz da usina. A operação não envolve apenas um aumento na produção, mas uma gestão precisa de todos os recursos disponíveis.

Conforme dados do ONS, as variações no consumo durante as partidas da Copa são consideradas normais e esperadas, uma vez que eventos esportivos mobilizam multidões que muitas vezes estão em casa, alterando a rotina de utilização de eletricidade.

A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o impacto do “efeito torcida” na operação da Usina de Itaipu e trará novas informações assim que atualizações forem disponibilizadas. Os reflexos do consumo de energia se estendem para toda a região, com a população atenta às interações entre a paixão pelo esporte e a infraestrutura elétrica.