Primeira dose de semaglutida é aplicada no SUS; estudo acompanhará 250 pacientes por dois anos
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 29/06/2026 08:40:34
Resumo
Resumo
- Ministério da Saúde inicia projeto-piloto em Porto Alegre para avaliar uso de semaglutida no tratamento de obesidade e diabetes pelo SUS.
- O estudo acompanhará 250 pacientes por dois anos para medir efetividade, impacto clínico e custo do medicamento na rede pública.
- A iniciativa ocorre após recomendação da Conitec para não incorporar liraglutida e semaglutida ao SUS em agosto do ano passado.
- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o Brasil está entre os primeiros países a usar o medicamento em sistema público universal.
- Dados da Vigitel 2025 mostram que a proporção de brasileiros com obesidade subiu de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
- Pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há 12 meses e comprovar dois meses de tratamento clínico convencional sem sucesso para participar.
- O primeiro participante, Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anos, já recebeu a dose inicial de semaglutida.
- O pedido de incorporação da semaglutida pela Novo Nordisk representaria um impacto financeiro anual de R$ 8 bilhões para o SUS.

O Ministério da Saúde iniciou oficialmente o projeto-piloto que vai avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade e do diabetes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa começou nesta semana, em Porto Alegre, com a aplicação da primeira dose do medicamento em um dos participantes do estudo. Ao todo, 250 pacientes serão acompanhados durante dois anos.
O estudo pretende medir a efetividade, o impacto clínico e o custo do uso de agonistas do GLP-1 na rede pública de saúde. Os resultados poderão subsidiar futuras decisões sobre uma possível incorporação definitiva da tecnologia ao SUS.
A iniciativa ocorre após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde recomendar, em agosto do ano passado, que a liraglutida e a semaglutida não fossem incorporadas ao sistema.
Primeira aplicação marca início oficial da pesquisa
A cerimônia de lançamento ocorreu no auditório do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Porto Alegre. O estudo será conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição, em parceria com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil está entre os primeiros países a utilizar esse tipo de medicamento em um sistema público universal.
“O Brasil está sendo um dos pioneiros na introdução e utilização dessa medicação em um sistema público universal. Poucos países fizeram isso. Acreditamos que ela pode reduzir a necessidade de cirurgia bariátrica ou permitir a realização da cirurgia em pacientes que hoje não têm condições clínicas de fazê-la”, declarou.
Segundo Padilha, o projeto-piloto servirá como referência para que o SUS avalie a utilização da semaglutida no tratamento da obesidade e do diabetes. Durante a pesquisa, as equipes acompanharão a evolução dos participantes, o emagrecimento obtido e possíveis efeitos colaterais do medicamento. O ministro também destacou o desafio econômico da tecnologia, já que as canetas emagrecedoras ainda estão disponíveis apenas na rede privada.
Obesidade cresce no Brasil
Durante a apresentação do projeto, foram divulgados dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. O levantamento de 2025 mostra que a proporção de brasileiros com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
Os dados também indicam que os tratamentos relacionados à obesidade realizados pelo SUS aumentaram 57% entre 2022 e 2025. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1 bilhão de pessoas convivam com obesidade em todo o mundo.
No Rio Grande do Sul, o diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição, Gilberto Barichello, afirmou que o estado está entre aqueles com os maiores índices de sobrepeso e obesidade do país. Segundo ele, a pesquisa poderá contribuir para reduzir esses indicadores e fortalecer o enfrentamento da doença no SUS.
Quem poderá participar do projeto-piloto
Para integrar o estudo, os pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e comprovar dois meses de tratamento clínico convencional sem sucesso.
Segundo o Ministério da Saúde, a escolha do Grupo Hospitalar Conceição ocorreu devido ao perfil dos pacientes atendidos na unidade. A pasta informou que 91% das pessoas acompanhadas apresentam obesidade mórbida. Desse grupo, apenas 47% possuem condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica, enquanto a hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente.
Primeiro paciente já começou o tratamento
O primeiro participante do estudo foi Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anos. Morador de Porto Alegre, ele recebeu a primeira dose de semaglutida e passou a integrar o grupo de 250 pacientes que participarão do acompanhamento ao longo dos 24 meses da pesquisa.
Após a aplicação, Guilherme recebeu orientações sobre o uso do medicamento e conheceu as próximas etapas do tratamento.
O participante contou que convive com o excesso de peso desde os 6 anos de idade. Segundo ele, chegou a entrar na fila para a cirurgia bariátrica, mas nunca realizou o procedimento por receio em relação às próprias condições de saúde. Ele também afirmou que não teria condições financeiras para realizar o tratamento na rede privada.
“Tenho problemas de excesso de peso desde os meus 6 anos. Entrei na fila da bariátrica, mas sempre tive receio por conta da minha saúde e nunca fiz [a cirurgia]. Fiquei muito feliz quando soube dessa pesquisa e fui convidado para participar. Hoje, fazer esse tratamento no setor privado é inviável para mim do ponto de vista financeiro, pois não tenho condições de arcar com os custos. Então, ser um dos participantes do estudo é um privilégio e uma oportunidade de ter uma vida melhor”, afirmou.
Por que a semaglutida ainda não faz parte do SUS?
A fabricante do Wegovy, Novo Nordisk, apresentou ao SUS o pedido de incorporação das canetas emagrecedoras. A estimativa é que a incorporação da liraglutida e da semaglutida represente um impacto financeiro anual de R$ 8 bilhões para o sistema público de saúde.
Por isso, o Ministério da Saúde decidiu iniciar um projeto-piloto para reunir evidências sobre a efetividade e o custo-benefício da tecnologia. Os resultados poderão orientar futuras decisões sobre uma possível incorporação definitiva dos medicamentos ao SUS.
Repórter
Jornalista profissional e repórter do Diário do Pará desde 2011, com 15 anos de experiência em jornalismo impresso. Atua principalmente na cobertura de meio ambiente, divulgação científica, história e patrimônio. Possui MBA em Jornalismo Digital e pós-graduação em Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Atuou na cobertura internacional das conferências do clima da ONU: COP28 (Dubai, 2023), COP29 (Baku, 2024) e COP30 (Belém, 2025).
Jornalista profissional e repórter do Diário do Pará desde 2011, com 15 anos de experiência em jornalismo impresso. Atua principalmente na cobertura de meio ambiente, divulgação científica, história e patrimônio. Possui MBA em Jornalismo Digital e pós-graduação em Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Atuou na cobertura internacional das conferências do clima da ONU: COP28 (Dubai, 2023), COP29 (Baku, 2024) e COP30 (Belém, 2025).