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Investigação de acidente da Voepass ganha atualização

Fonte: brasil247.com | Data: 03/07/2026 07:59:25

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247 – A investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP), entrou na etapa de revisão final, informou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) nesta quinta-feira (2). O relatório já havia alcançado 95% de conclusão na última atualização, segundo informações da CNN Brasil.

O documento técnico agora será submetido à análise de autoridades da França e do Canadá. A participação dos dois países ocorre porque a França é considerada Estado de projeto e fabricação da aeronave, enquanto o Canadá tem essa condição em relação aos motores do avião.

A apuração ainda examina pontos ligados à segurança operacional, ao funcionamento de sistemas e componentes da aeronave, à atuação da autoridade de aviação civil, aos procedimentos de manutenção e reparo e a questões regulatórias. Esses elementos devem compor a conclusão técnica do Cenipa sobre as circunstâncias da tragédia.

O avanço da investigação ocorre quase dois anos após o acidente, registrado em 9 de agosto de 2024. O avião, um ATR 72-500 de prefixo PS-VPB, havia partido de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando caiu em Vinhedo, no interior paulista.

Na terça-feira (30), familiares das vítimas tiveram acesso ao último laudo pericial da investigação conduzida pela Polícia Federal. Eles também puderam ouvir trechos de conversas registradas na cabine da aeronave pela caixa-preta. O material deve embasar a finalização do inquérito policial e a eventual responsabilização de envolvidos.

O advogado Luciano Katarinhuk, representante da associação de familiares e assistente de acusação, afirmou que a apuração se aproxima de um desfecho. “Faltam alguns procedimentos, mas há a confirmação de que haverá indiciamentos. Os próximos 30 dias serão um ponto chave de virada para a finalização e encaminhamento do inquérito ao Ministério Público Federal”, disse.

Segundo o advogado, o laudo pericial e as provas já reunidas indicam responsabilidade na autorização do voo da aeronave. “Aquele voo não deveria estar voando. Por que ele estava voando? Existe responsabilidade de quem colocou esse avião para voar”.

A reunião entre familiares e agentes da Polícia Federal ocorreu em Campinas (SP), onde investigadores apresentaram um laudo técnico com mais de 200 páginas. O encontro foi marcado por forte emoção e pela exposição de novos detalhes sobre o caso.

Um dos trechos que mais impactou os familiares foi uma fala atribuída a um dos pilotos durante um voo anterior da mesma aeronave, no trajeto entre São Paulo e Cascavel. Após o pouso, ele teria dito: “Ufa, chegamos vivos”.

Outro trecho apresentado aos familiares aponta reclamação de um dos pilotos sobre o funcionamento de um sistema da aeronave, que, segundo ele, “não funcionava”. A frase integra o material extraído da investigação e foi exibida durante a reunião, mas o conteúdo completo permanece sob sigilo.

O acidente com o voo 2283 da Voepass é considerado o maior desastre da aviação comercial brasileira desde 2007 e o quinto pior da história envolvendo uma aeronave ATR 72. A queda matou todos os ocupantes que estavam a bordo.

Uma das hipóteses analisadas pelo Cenipa envolve a formação de gelo nas asas da aeronave, fator apontado por especialistas como possível elemento associado à perda de controle do avião. A investigação técnica da Força Aérea Brasileira, no entanto, ainda não foi oficialmente encerrada.

Com a entrada do relatório na fase de revisão internacional, o caso se aproxima de uma etapa decisiva tanto na esfera técnica quanto na investigação criminal conduzida pela Polícia Federal. Após a conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público Federal avaliar eventuais denúncias.

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