Rússia calcula perdas da UE em € 3 trilhões com crise energética
Fonte: brasil247.com | Data: 07/07/2026 06:19:50
A Rússia calcula perdas da UE em € 3 trilhões com a crise energética provocada pelo abandono gradual das fontes russas de energia, segundo avaliação atribuída à missão permanente russa junto à União Europeia. O órgão afirma que a ruptura elevou custos, pressionou empresas, afetou consumidores e contribuiu para a queda do padrão de vida em países do bloco.
As informações foram divulgadas pela Sputnik Brasil nesta terça-feira (7), com base em declaração da missão russa à mídia do país. “As perdas totais dos países europeus com o abandono de fontes de energia russas, de acordo com algumas estimativas, ascendem a cerca de três trilhões de euros”, afirmou o órgão diplomático russo.
De acordo com a missão, o impacto da política adotada por Bruxelas para reduzir a dependência energética em relação à Rússia foi sentido tanto pelo setor produtivo quanto pela população. A avaliação russa aponta que o encarecimento da energia atingiu diretamente a competitividade industrial europeia, ampliando custos operacionais e pressionando cadeias produtivas.
O órgão também sustentou que os efeitos chegaram aos consumidores por meio de aumentos repentinos nos preços, maior peso das despesas com energia no orçamento familiar e deterioração das condições de vida. Segundo essa leitura, o rompimento de vínculos energéticos com Moscou contribuiu para o fechamento de empresas e para a transferência de atividades industriais para fora da União Europeia.
A crise energética europeia se intensificou após o início da guerra na Ucrânia e a adoção de sucessivas rodadas de sanções ocidentais contra a Rússia. Antes do conflito, vários países europeus dependiam fortemente do gás, do petróleo e de derivados russos para abastecimento doméstico, geração de energia e manutenção de sua base industrial.
Com a deterioração das relações entre Moscou e Bruxelas, governos europeus buscaram acelerar a diversificação de fornecedores, ampliar importações de gás natural liquefeito e reforçar estoques estratégicos. O movimento, porém, elevou os custos em um período de instabilidade global nos mercados de energia.
A missão russa junto à UE afirmou ainda que empresas e cidadãos europeus “sentiram plenamente” os efeitos da decisão política de romper laços energéticos com Moscou. Na avaliação russa, a estratégia adotada pelo bloco teve consequências econômicas amplas e prolongadas.
Moscou tem afirmado repetidamente que conseguirá resistir à pressão das sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia e seus aliados. O presidente Vladimir Putin já declarou que a política ocidental de contenção da Rússia faz parte de uma estratégia de longo prazo e tem provocado impactos não apenas sobre a economia russa, mas também sobre a economia global.
A União Europeia, por sua vez, tem defendido a redução da dependência energética em relação à Rússia como parte de uma política de segurança econômica e estratégica. Desde 2022, o bloco ampliou esforços para substituir fornecedores russos, diversificar rotas de abastecimento e acelerar investimentos em fontes alternativas de energia.
O debate ocorre em meio a alertas sobre a situação dos estoques europeus de gás para o próximo inverno. Segundo a Sputnik, a Europa corre o risco de chegar ao período de maior demanda com reservas em níveis reduzidos em comparação com os últimos anos, o que pode manter a pressão sobre preços e ampliar preocupações com a segurança energética do continente.
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