Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Homem do Malawi morre em ônibus de repatriação na África do Sul

Fonte: brasil247.com | Data: 07/07/2026 09:38:04

🔗 Ler matéria original

247 – Um homem malawiano de 47 anos morreu no domingo após passar mal em um ônibus que transportava cidadãos do Malawi repatriados de um centro temporário na província de Limpopo, confirmaram as autoridades sul-africanas na segunda-feira. A reportagem foi compilada pela NNA News.

A morte ocorre em meio ao aumento das críticas dirigidas à Alta Comissão do Malawi em Pretória por grupos da sociedade civil sul-africana e trabalhadores humanitários. Eles acusam a missão diplomática de abandonar malawianos deslocados por episódios de violência xenófoba e de não prestar assistência àqueles que desejam retornar voluntariamente ao seu país.

Segundo um comunicado emitido pelo Comitê Interministerial sobre Migração (IMC) do governo sul-africano, o homem viajava em um ônibus com destino ao Malawi após deixar o Centro Temporário de Repatriação Musina Proof Plaas, no distrito de Vhembe.

“Cerca de 10 quilômetros após a saída do centro, o passageiro faleceu tragicamente, levando o motorista a retornar ao centro de processamento”, informou o IMC.

Albert Matsaung, chefe do Departamento de Assuntos Internos da província de Limpopo, disse aos jornalistas que o ônibus seguia para o posto fronteiriço de Beitbridge quando o motorista decidiu retornar.

“A pessoa morreu enquanto seguia para o posto de entrada; isso não aconteceu no centro”, explicou Matsaung.

O porta-voz da Polícia da África do Sul (SAPS) em Limpopo, coronel Malesela Ledwaba, informou que o motorista voltou após o homem relatar aos demais passageiros que estava passando mal, cerca de 7 quilômetros após deixar o centro.

“O motorista imediatamente fez o retorno e voltou ao centro temporário de repatriação para buscar assistência médica para o homem”, acrescentou Ledwaba.

Autoridades que ouviram os passageiros relataram que o homem havia reclamado de sentir muito calor pouco antes de desmaiar.

“As informações que recebemos do motorista e das pessoas que estavam com o falecido são de que ele apenas disse: ‘Estou sentindo muito calor; as temperaturas estão altas’. Em seguida, tirou a camisa e desmaiou”, explicou Matsaung.

Quando o ônibus retornou ao centro, os paramédicos constataram que o homem não respirava mais. Ele foi declarado morto no local.

Ledwaba informou que a polícia abriu um inquérito para apurar o caso. As investigações continuam.

“As investigações estão em andamento para determinar as circunstâncias da morte. A causa exata será estabelecida por meio de um exame de autópsia. Até o momento, não há indícios de crime”, afirmou Ledwaba aos jornalistas.

Após a conclusão dos procedimentos periciais, a polícia liberou o ônibus pouco depois da meia-noite, permitindo que os demais passageiros prosseguissem viagem, informou o IMC. O comitê acrescentou que as autoridades do Malawi seriam notificadas pelos canais diplomáticos.

“O governo deseja assegurar à família do falecido, às autoridades do Malawi e ao público que todos os procedimentos necessários foram conduzidos com o máximo profissionalismo, dignidade e respeito ao falecido”, declarou o comitê.

O vice-porta-voz do governo sul-africano, William Baloyi, também manifestou condolências.

“Em nome do governo e do povo da África do Sul, transmitimos nossas mais sinceras condolências à família enlutada, aos entes queridos, aos demais viajantes e ao governo e ao povo da República do Malawi neste momento difícil”, disse Baloyi.

O incidente intensificou o escrutínio sobre a atuação da Alta Comissão do Malawi em Pretória no atendimento aos cidadãos malawianos que buscam assistência.

Uma carta aberta publicada no sábado foi dirigida à alta-comissária do Malawi na África do Sul, Stella Chiripo Ndau. No documento, grupos da sociedade civil sul-africana e trabalhadores humanitários afirmam:

“Mais de 100 pessoas por dia têm procurado a Alta Comissão: homens, mulheres, idosos e bebês que mal conseguem sustentar a própria cabeça.”

Os grupos acusam a missão diplomática de demonstrar uma “tolerância sem cuidado: permissão para permanecer e uma porta trancada entre essas pessoas e qualquer espaço aquecido e seco”. Segundo eles, muitos foram obrigados a dormir ao relento em temperaturas noturnas abaixo de zero.

“Um porão aberto não é uma solução; é uma admissão de fracasso. As pessoas estão dormindo sobre concreto, sem colchões, sem privacidade e sem proteção adequada contra o frio. Mais de 100 pessoas estariam compartilhando um único banheiro”, escreveram os signatários.

Segundo a Associação Médica Islâmica da África do Sul, infecções respiratórias estão “aumentando diariamente entre aqueles que estão abrigados no local”.

“Cada pessoa que adoece naquele porão está doente por causa de uma decisão que sua Comissão tomou e continua tomando”, afirmam os grupos.

Eles pedem “acesso imediato e irrestrito a instalações internas aquecidas”, “condições sanitárias adequadas”, “colchões e itens básicos de conforto”, “triagem médica no local” e “um plano claro, financiado, de repatriação e assistência”.

A carta conclui: “Não deixaremos que este assunto seja encerrado em silêncio.”

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247