Anvisa aprova novo tratamento para doença esquecida e prevalente no Brasil | VEJA
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 08/07/2026 13:32:17

A liberação de um novo medicamento para o tratamento de doença de Chagas, condição que pode causar graves complicações no coração, foi divulgada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira, 8. A autorização foi para o registro do remédio nifurtimox, de nome comercial Lampit, indicado para crianças e adolescentes.
Segundo a agência, o Lampit age produzindo substâncias que danificam o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença, fazendo com que ele seja eliminado do organismo. A liberação do medicamento foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
O registro prevê que o tratamento pode ser administrado em recém-nascidos com peso mínimo de 2,5 kg até adolescentes com 17 anos.
Em nota, a Anvisa justificou a importância da nova opção de tratamento para a infecção. “A doença de Chagas é considerada uma das principais doenças negligenciadas no Brasil, aquelas que despertam pouco interesse para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas e costumam afetar populações vulneráveis.”
A agência destacou ainda que a condição “está associada a elevada carga de morbimortalidade”. Este indicador aponta incidência e mortes por determinadas doenças.
Desde 2023, o Ministério da Saúde determinou que as crianças voltassem a ser tratadas com o antiparasitário benznidazol 12,5 mg, após oito anos de descontinuidade do tratamento.
Para adultos, o benznidazol é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o nifurtimox é considerado uma alternativa. Na fase aguda da doença, o tratamento deve ser iniciado logo depois do diagnóstico.
Doença de Chagas
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, um parasita que pode infectar um inseto conhecido como barbeiro, que se alimenta de sangue e é o principal vetor da doença.
Ao contrário do que ocorre com outras infecções, a contaminação não fruto da picada, mas pelo contato das fezes do inseto com feridas na pele ou mucosas.
De acordo com o Ministério da Saúde, há outras formas de infecção:
- Oral: pela ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas com o parasita
- Vertical (congênita): da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou o parto
- Transfusão ou transplante: por sangue ou órgãos de doadores infectados
- Acidental: contato com material contaminado, geralmente em laboratórios ou durante a manipulação de animais silvestres
Há duas fases da doença. Na aguda, os pacientes apresentam febre por mais de sete dias, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas. Caso tenham sido picados pelo barbeiro, forma-se uma ferida parecida com um furúnculo.
Na fase crônica, o início pode ser assintomático. Depois, as pessoas podem apresentar problemas no coração, incluindo insuficiência cardíaca, aumento do intestino (megacólon) ou aumento do esôfago (megaesôfago).